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PSP corta caminho às marchas do Primeiro de Maio

April 30, 2010

Quatro de seis dos movimentos que notificaram o IACM sobre a realização de manifestações do Dia do Trabalhar, amanhã, recusam as instruções das autoridades locais sobre mudanças de horário e itinerários dos protestos. A PSP ordenou dispersão de actividades e percursos longe do centro da cidade. As marchas que não cumprirem serão consideradas ilegais.

Ao todo, são seis os grupos ou organizações que pretendem marchar amanhã em Macau em mais um Dia do Trabalhador, que este ano fica fortemente marcado pelas questões laborais, após a entrada em vigor da nova Lei de Contratação de Não Residentes. O diploma, ainda a ser regulamentado por via de despachos do Executivo, continua a não agradar a alguns sectores, que reivindicam mais fiscalização ao trabalho ilegal e medidas suplementares de apoio aos trabalhadores locais.
Mas nem só de questões laborais se faz a marcha do Primeiro de Maio. À rua, vão sair ainda a associação local que luta pelo direito de reunião familiar com os filhos maiores de idade a residirem na China, e grupos de residentes que a título individual se pretendem unir aos protestos que têm por intenção a entrega de petições junto do Palácio do Governo. Marcham ainda Lei Kin Iun, dirigente da associação Activismo para a Democracia.
O Corpo de Polícia de Segurança Pública, depois de ter recebido do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais a comunicação sobre as organizações que pretendem manifestar-se, fez ontem saber que nenhum dos grupos viu aprovado o itinerário de marcha pretendido – parte queria conduzir os protestos por locais como o Tap Seac e a Avenida Almeida Ribeiro – e, relativamente ao horário das manifestações, as autoridades optaram por evitar a concentração de manifestantes dos vários grupos nos mesmo pontos de reunião, estipulando horas diferente para as respectivas mobilizações. Segundo as ordens dadas pela PSP, as concentrações de manifestantes terão início às 10h00 no Parque Sun Iat-sen, juntando os membros da associação “Pais junto de filhos”. A última das mobilizações do Dia do Trabalhador foi escalada para as 16h30, com partida do Jardim Triangular da Areia Preta, e reunindo três residentes não identificados.
Mas, a dispersão de causas pelas horas do dia, e por diferentes locais da cidade, não agradou a todos. Alguns dos grupos mantiveram reuniões com responsáveis da PSP que terminaram sem acordo quanto às rotas das manifestações.
A autoridade policial avisou já ontem, em nota publicada pelo Gabinete de Comunicação Social, que os protestos que não cumprirem os roteiros serão considerados actividades ilegais. E que durante o dia de amanhã, haverá um forte contingente de segurança preparado para garantir a ordem pública.
“Todos os participantes devem utilizar o local autorizado para o efeito, e cumprir as orientações e regulamentos emitidos pelos órgãos competentes, bem como devem seguir pelo itinerário acima proposto, o que pelo contrário, será tratada como actividade ilegal”, adverte o organismo.
A PSP não revelava ontem quantos agentes estarão mobilizados amanhã, dizendo apenas que será providenciado “um número adequado de agentes para a manutenção da ordem e trânsito do público, durante as manifestações”.
Entre os grupos que pretendem promover manifestações está um primeiro movimento constituído pela Associação da Força de Operários, Associação de Aliança de Conterrâneos de cinco localidades de Guangdong, Associação de Serviços de Decoração e Associação de Construção e Armação de Ferro e Aço de China-Macau. As organizações pretendiam iniciar marcha no Jardim de Iao Hon pelas 15H00, passando pela Rua da Areia Preta, Avenida do Almirante Lacerda, Rua do Almirante Sérgio, Avenida Almeida Ribeiro, Rua da Praia Grande até  chegarem à sede do Governo para entrega de petição.
A PSP procurou antecipar a saída dos protestos para as 13h, a partir do Jardim Triangular da Areia Preta, e restringir o percurso para que este se fizesse antes pela Rua do Campo, circundando o perímetro do centro da cidade. A alteração ao itinerário “não foi aceite” pelos manifestantes, que segundo a PSP “insistiram manter o itinerário que inicialmente tinham escolhido”.
O mesmo sucedeu com um segundo pedido apresentado, essencialmente, pelas mesmas entidades: Associação de Serviços de Decoração, Associação de Construção e Armação de Ferro e Aço de China-Macau e Associação da Força de Operários. Estas queriam também, após a chegada ao Palácio do Governo manter-se no local até às 21h. A PSP recomendou partida às 13h do Jardim Triangular da Areia Preta e fim do desfile no Jardim Comendador Ho Yin.
A não aceitação dos termos propostos pelas autoridades repetiu-se também com os responsáveis da Associação de Activismo para a Democracia e Associação Operários para a Qualidade de Vida e Poder, que querem igualmente marchar pela Avenida Almeida Ribeiro, e com um grupo de três residentes não identificados, onde provavelmente se incluirão os deputados eleitos pela Associação Novo Macau – Paul Chan Wai Chi, Ng Kuok Cheong e Au Kam San – que já anunciaram que este ano irão novamente tomar parte nos protestos a título individual. O grupo de três pretendia levar a marcha a passar pelo Tap Seac, e a polícia pretendia conduzi-los por percursos alternativos. Mais uma vez, uma reunião que terminou sem acordo.
Apenas duas das organizações dos protestos acataram as instruções da PSP relativas a alterações de itinerários e horários nas reuniões mantidas ao longo dos últimos dias: os representantes do movimento pela reunião familiar e um grupo de três outros residentes não identificados.

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