Skip to content

Casimiro Pinto dá a cara por Macau em Xangai

April 30, 2010

Já se lhe conheciam os dotes enquanto cantor e até enquanto político. Mas pouco se tinha visto de Casimiro Pinto enquanto actor. O cabeça-de-lista da Voz Plural nas últimas eleições legislativas será agora o principal rosto do filme que é a principal atracção do Pavilhão de Macau na Expo Xangai. O filme, que é projectado num ecrã gigante de 360 graus, desenvolvendo-se ininterruptamente ao longo de cinco andares, relata um conto ocorrido numa noite do Festival do Bolo Lunar, quando um pai – interpretado por Casimiro Pinto – leva o seu filho e uma menina amiga deste à procura da “Lanterna Imperial – Coelho de Jade”.

Paulo Barbosa

- Como é que se envolveu neste projecto de Xangai?
Casimiro Pinto (C.P.) –
Os organizadores da participação de Macau fizeram algumas entrevistas, especialmente a pessoas ligadas ao teatro. Mas não conseguiram encontrar uma pessoa ideal e começaram a sugerir o meu nome nas reuniões. Recebi um telefonema a informar-me de que o produtor queria fazer uma pré-gravação. Fiz esse teste e o vídeo foi entregue ao produtor, que não estava em Macau. Depois disseram-me que eu correspondia às tais características da tal personagem. Seguiram-se ensaios de cinco dias em Macau e depois fomos para Hong Kong fazer a filmagem, que durou uma semana.
- E como foram as filmagens?
C.P. –
Aquilo é uma produção que tem partes a três dimensões. Na altura da filmagem não havia nada em fundo, nenhuns objectos concretos. O produtor estava muito preocupado, porque estavam envolvidas duas crianças. Ele teve de vir a Macau, para mostrar como iria ser o produto final.
- Que dificuldades sentiu ao longo da semana de rodagem?
C.P. –
O que mais dificultou é o facto de estar a actuar sem ter objectos concretos em fundo. Em termos de personagem, foi mais fácil, em comparação com uma telenovela. Numa telenovela é preciso ser uma pessoa diferente. Havia muitos dados históricos em mandarim, o que foi outra dificuldade.
- Qual é o enredo do filme?
C.P. –
A história é muito simples. Eu começo por ajudar a criança que faz de meu filho a ir ao encontro da lanterna do coelho. Na primeira cena apareço a oferecer a tal lanterna e depois a lanterna desaparece. E então percorremos todo aquele caminho para encontrar a lanterna. Ao percorrê-lo, começamos a atravessar toda a história de Macau, do passado ao presente e ao futuro. Naquela aventura, eu vou explicando o que foi, é e será Macau. Chegamos ao fim e encontramos a lanterna.
- E é ao longo dessa explicação que vai percorrendo principais monumentos da região…
C.P. –
Sim, passamos pelos monumentos e também por algumas personagens históricas. Há, por exemplo, um navegador, há um diálogo com um comerciante português do século XVII, são focadas as primeiras lojas de penhores de Macau. Para além dos monumentos e da história, há espaço para todas as festividades do território. Trata-se de um passeio curto, mas que dá para entender o que é Macau. O enredo baseou-se também nos elementos fundamentais da multiculturalidade de Macau e acho que foi muito bem pensado.
- Quem foram os autores do guião?
C.P. –
Eu acho que o guião foi feito em Hong Kong, por uma produtora. Mas a concepção da filmagem foi feita por uma equipa do estrangeiro. Apresentaram-me um texto feito e, na altura, gravámos em mandarim. Depois regravámos em Hong Kong nas versões em cantonês e em inglês. Mas houve uns problemas com o meu calendário e a minha voz não ficou na versão inglesa.
- Quem entrar no pavilhão, se não recorrer à tradução, vai ouvir o filme falado em mandarim?
C.P. –
Deve ser em mandarim, eu ainda não vi a produção final, mas subentendo que, sendo a expo em Xangai, a língua original a expor deverá ser o mandarim.
- Está consciente de que, ao protagonizar este filme, será visto por milhares de pessoas num contexto único? Isso causa-lhe um orgulho especial?
C.P. –
Há quatro anos, eu estive na China a desenvolver a minha carreira como cantor. Sei como é o mercado e estou acostumado a participar em alguns espectáculos com milhões de pessoas. O orgulho não é tanto por ser visto por uma certa quantidade de pessoas. É mais por poder participar em mais uma actividade desta envergadura que tem a ver com Macau, com a minha terra. Ao longo destes dez anos, aquilo de que mais me orgulho é de ter participado em vários espectáculos e actividades relacionados com Macau. Estive no primeiro dia da RAEM, no quinto aniversário, nos Jogos da Ásia Oriental, nos Jogos Olímpicos. No dia em que Pequim foi escolhido como cidade que iria organizar os jogos, fui o primeiro a aparecer na CCTV a cantar um tema musical, com mais três cantores, provenientes de Hong Kong, Taiwan e China. Portanto, tive o prazer em estar sempre presente naqueles momentos históricos e marcantes.
- Tens já uma carreira como cantor. Como actor, já tinhas tido alguma experiência antes de participar neste filme?
C.P. –
No ano passado, pela primeira vez, participei numa telenovela na China, que comemorava o décimo aniversário da RAEM. Foi uma experiência muito interessante, que serviu como base para eu poder encarnar uma personagem. Segundo o realizador dessa telenovela, eu sou uma pessoa que até tem talento para ser actor.
- Vai estar presente na inauguração do evento [que decorre hoje]?
C.P. –
Sim, o convite veio do Gabinete Preparatório para a Participação da RAEM e penso que foi um gesto de gentileza, porque acho que participei no projecto e contribuí, de uma certa forma, para todo o projecto. Acho também muito interessante porque sou um filho de Macau, com pai português e mãe chinesa. Durante a minha vida, só visitei uma Expo. Foi em 1998, em Lisboa e agora será na China. Isto coincide com a minha origem. Depois de Portugal, vou participar pela segunda vez numa Expo, e é em Xangai.
- Ainda não viu o resultado final do filme. O que é que acha que vai sentir quando puder entrar no pavilhão e assistir ao filme que protagoniza?
C.P. –
Estou ansioso para ver. Ainda não vi a produção final, mas já ouvi algumas pessoas dizerem que, dadas as três dimensões, as pessoas ficam mais baixinhas, que há uma certa desproporção. As pessoas que viram ligaram-me a dizer que eu tinha engordado imenso.
- Vai continuar estas experiências enquanto actor?
C.P. –
Acho que não. Foi só uma experiência na minha vida. Em termos artísticos, eu gosto muito mais da música. Dediquei-me sempre à música, a compor e a cantar, e acho que vou continuar a fazer projectos relacionados com a nossa cultura. Deixei a minha carreira enquanto cantor em Pequim, depois de quatro anos. Foi uma experiência muito interessante, mas uma pessoa tem de ter projectos diferentes para cada fase da sua vida. Depois do meu casamento, optei por voltar a Macau, mas com certeza vou continuar a ter uma ligação muito íntima com a música.
- Tem alguns planos concretos na área da música?
C.P. –
Há um projecto que já está na minha mente há alguns anos e vou fazer um esforço para concretizar. Há uma colectânea que gostaria imenso de gravar, chamada ‘Nós Somos Macaenses’. A intenção é convidar todas as pessoas que se dedicam à música, não interessa qual é a sua idade, para ter um produto de marca na história. Estou certo de que a comunidade macaense, daqui a cem anos, dificilmente existirá em Macau, pelo menos em termos físicos. Mas em termos culturais, acho que podemos fazer alguma coisa para manter esta existência em Macau. Para concretizar este projecto nos próximos dois anos, vou ter de contar com o apoio de várias personalidades em Macau. Acho que as pessoas que amam a música vão aceitar o convite e vão participar.

Advertisement
No comments yet

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.