Skip to content

A arte da exposição

April 30, 2010

Pinturas de França, estátuas da Dinamarca, escritores do Brasil, grupos, artistas e exposições de toda a parte – incluindo Macau, Portugal e Angola. Mais os milhares de performances e toda a animação organizada pela Expo Xangai 2010. A mostra mundial tem, literalmente, quilómetros de arte para ver a partir de amanhã.

Hélder Beja

Serão mais de 20 mil produções durante os 184 dias da Expo Xangai 2010 – numa média superior a 100 espectáculos por dia. A organização daquela que será a maior mostra mundial de sempre revelou que mais de metade das performances artísticas apresentadas pertencem aos países e organizações internacionais presentes. E entre elas há de tudo, umas mais óbvias que outras.
De Macau, ainda pouco se sabe, mas é certo que alguns grupos culturais da RAEM estarão presentes na Semana de Macau (ver caixa), assinalada na Exposição entre 13 e 17 de Setembro.
Já Portugal, volta a fazer do fado a sua bandeira cultural. A 6 de Junho – dia dedicado ao país na Exposição – essa será “a expressão musical portuguesa por excelência”, garante a organização lusa. A decisão – que tem em Mariza o nome forte do cartaz mas que não se esgota aí – é anunciada como “tanto mais importante quanto se anuncia para 2011 a classificação pela UNESCO do fado como Património Imaterial da Humanidade”.
A fadista, a mais premiada cantora portuguesa da actualidade e uma das mais internacionais, dará dois concertos no Dia de Portugal em Xangai: o primeiro de manhã, às 11h05, no Momento Cultural da Sessão Institucional que se realiza no átrio do Expo Center; e o segundo – o concerto principal do dia – às 20h00, no Auditório do Expo Center, com uma capacidade de 2500 lugares sentados.
Durante a tarde, é o projecto Amália Hoje que servirá para recordar a grande voz da canção portuguesa, Amália Rodrigues. A actuação está marcada para as 17h30, na Praça Europa, recinto ao ar livre com 6000 lugares de pé, junto ao Pavilhão de Portugal.
Depois, não faltarão outras “tradições portuguesas como a arruada minhota de Viana do Castelo, organizada pela câmara municipal de Viana, os ranchos, os Zés Pereira, Cabeçudos e Gigantones, e ainda um colectivo de gaita de foles – tudo nas imediações do Pavilhão de Portugal.
O país é ainda celebrado no dia seguinte, com o espectáculo “Cores de Saudade/Xiang Sin Ran” (20h00, Music Club), que evoca as relações Portugal-China e junta músicos como o guitarrista António Chainho e Gong Linna, uma das vozes chinesas mais conhecidas da actualidade.
Finalmente, entre 9 e 12 de Setembro, a jovem fadista Raquel Tavares, de 25 anos, recriará durante cinco noites, o ambiente das sessões de fado típicas dos bairros lisboetas. “Fado Jovem” acontecerá sempre às 22h00.

Produção chinesa em força

A Companhia Nacional de Dança e Bailado chinesa preparou duas produções de 90 minutos que, até 31 de Outubro, terão exibições durante todos os fins-de-semana na Expo. De acordo com a informação disponível, um dos espectáculos será mais tradicionalmente chinês, enquanto que o outro recebe influências indianas, irlandesas e árabes.
Outro dos eventos em destaque é “Windows of the City”, produção conjunta do Shanghai Media & Entertainment Group e da Associação Internacional de Artes de Taipé. A produção integra artes marciais, magia, dança e outras artes performativas. Terá presença diária na Exposição durante Maio e Junho.
“Wudang; Tai Chi and Tao” será um espectáculo sobre o kung fu e a sua relação com a religião e a filosofia – poderá ser visto todos os dias de Julho a Agosto e é produzido pela Academia Wodang de Kung Fu Taoista.
Além de todas as actividades paralelas, há uma zona da Expo Xangai exclusivamente dedicada à criação artística. Na Expo Boulevard, reúnem-se trabalhos de artistas contemporâneos chineses e internacionais, numa iniciativa nomeada “Art for the Wordl” (www.artforworldexpo.com).

Arte em movimento

Os países não se poupam a esforços para aparecem bem representados na mostra de Xangai. Que o digam França e Dinamarca.
Os gauleses decidiram fazer viajar até à metrópole chinesa pinturas de Jean-Francois Millet, Edouard Manet, Vincent van Gogh, Paul Gaugin, Pierre Bonnard e Paul Cezanne, e ainda uma escultura de Auguste Rodin. Todas as obras pertencem ao espólio do Museu de Orsay, em Paris, e chegaram ao Pavilhão de França depois de um percurso intercontinental feito em sete aviões separados. “Era muito importante para nós não apresentar apenas coisas virtuais”, justificou Jose Freches, comissário-geral do pavilhão.
A Dinamarca não fez a coisa por menos e resolveu levar a Xangai um dos ex-líbris de Copenhaga: a estátua “Pequena Sereia”, da autoria de Edvard Eriksen e símbolo da cidade desde 1913. A peça tem 1,25 metros, pesa 175 quilos e será a principal atracção do pavilhão dinamarquês, não sem que esta sua primeira aventura internacional tenha gerado longa polémica no país.
O Brasil espera mostrar-se para lá do samba e do futebol, nesta mega-feira que espera atrair uns 70 milhões de visitantes nacionais e estrangeiros. No panorama artístico, o país trará à China – além dos espectáculos de samba do coreógrafo Carlinhos de Jesus – o escritor best-seller Paulo Coelho e ainda Mauricio de Souza, criador da banda-desenhada “A Turma da Mónica”. A 3 de Junho, Dia do Brasil na mostra, está previsto um concerto de Carlinhos Brown e da cantora Mart’nália
Angola é o PALOP que mais detalhes tem revelado sobre a sua presença cultural na Expo Xangai. Paulo Flores, Tito Paris e Manecas Gomes serão alguns dos artistas que viajam até à Ásia, aos quais se juntarão ainda Lina Alexandre, Yuri da Cunha, Gabriel Tchiema e Mito Gaspar, entre outros.

Mais Europa

A Ópera de Colónia trará a Xangai as quatro óperas de “O Anel dos Nibelungos”, de Richard Wagner, considerada pela organização um dos espectáculos mais importantes entre os que o certame acolhe. Os visitantes poderão assistir aos espectáculos no Shanghai Grand Theatre, entre 16 e 19 de Setembro e 21 e 24 do mesmo mês.
O Cullberg Ballet, fundado por Birgit Cullberg em 1967, chega da Suécia para apresentar um espectáculo de dança contemporânea. Na clássica, destaque para a Orquestra Sinfónica de Basileia, também presente na Expo.
Itália terá também uma presença interessante na Expo, com pelo menos 25 exposições temporárias, que vão da pintura à moda. Roma, Milão e Nápoles serão as cidades em destaque. Ennio Morricone, precisamente um romano, compôs um concerto de jazz e uma perfomance para a participação transalpina – onde não faltará o primeiro modelo ecológico de um Ferrari.

Advertisement
No comments yet

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.