TAP e BNU abdicam de participação na Air Macau
O consórcio português SEAP avançou para a saída da Air Macau. Tap Portugal e BNU detinham uma participação minoritária, de 0,1 por cento, após a reestruturação financeira da transportadora da RAEM. Esta semana, terá sido fechada a venda do capital à Air China, mas a Autoridade de Aviação Civil não confirma.
A SEAP, consórcio que integra a TAP Portugal e o BNU, vendeu a participação de 0,1 por cento que detinha na Air Macau ao grupo da Air China, disse à Agência Lusa fonte ligada ao processo.
Contactadas pela Lusa, a Air Macau não quis comentar o negócio, a TAP Portugal escusou-se a confirmar a operação e a Autoridade de Aviação Civil de Macau garantiu não ter conhecimento sobre a venda das acções da SEAP à Air China.
Perante as perdas acumuladas da Air Macau, que chegaram a ultrapassar o total de capital social da companhia em 2008, de 400 milhões de patacas, a TAP vinha a ameaçar a sua saída de Macau.
Carlos Pimentel, representante da TAP, sublinhou em entrevista à Lusa, em Junho de 2009, que a companhia de bandeira portuguesa não é uma “associação de beneficência” e que, por isso, não ia colocar o seu dinheiro numa companhia “sem estratégia de futuro”.
O negócio concretizou-se esta semana, depois de a SEAP (Serviços, Administrações e Participações), detida em 75 por cento pela TAP, ter visto, em Dezembro, a sua participação no capital da Air Macau ficar reduzida de 20 para 0,1 por cento, por ter decidido não acompanhar o plano de reestruturação financeira da transportadora, a par de outros accionistas.
Já a Air China optou por injectar 158,7 milhões de patacas (13,22 milhões de euros) na Air Macau, elevando a sua participação de 51 para 80,86 por cento, ao alegar as “perspectivas de expansão dos sectores de jogo e turismo que contribuíram para que o PIB da região triplicasse desde 1999, atingindo 171,8 mil milhões de patacas (14,32 mil milhões de euros) em 2008”.
Em Abril de 2009 foi aprovado, em assembleia-geral da Air Macau, um plano de recuperação financeira da companhia que, numa fase inicial, passou pela redução do capital de 400 milhões para um milhão de patacas, com vista a absorver prejuízos, e depois pela reposição da quota de cada accionista até aos 200 milhões de patacas, ficando os restantes 200 milhões na posse do Executivo de Macau.
Esta operação “harmónio”, que pretendia, no extremo, evitar a dissolução da Air Macau, fez com que a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, que tem Stanley Ho como administrador-delegado, passasse a deter a segunda maior participação (14 por cento), seguida do Governo (cinco por cento), enquanto que os restantes accionistas, por opção, reduziram as suas quotas.
Com vista a travar a reestruturação financeira da Air Macau, a TAP interpôs no Tribunal Judicial de Base de Macau uma providência cautelar e, perante a sua rejeição, avançou com um recurso para a Segunda Instância.
A Air Macau iniciou a sua actividade em Novembro de 1995, quando o território era administrado por Portugal, e apresentou um prejuízo de 416 milhões de patacas em 2008.
Recentemente, o director executivo da companhia, Zhao Xiaohang, anunciou que 2009 foi “um dos melhores anos” da Air Macau, que conseguiu reduzir para metade os seus prejuízos, para 257 milhões de patacas, estando mesmo a “dar lucros desde Agosto”.
