Jornalistas convidados a fazer número em estaleiro da Galaxy
A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) fez ontem de manhã uma acção de inspecção aos estaleiros da Galaxy e avisou previamente a comunicação social. Mas a polémica estoirou quando alguns elementos terão solicitado a pessoas que se encontravam fora do estaleiro (desconhecendo que estas eram jornalistas) para que entrassem nas instalações da obra, para poderem dar os seus dados de identificação na recepção. O objectivo da manobra seria, de acordo com relatos dos repórteres, recrutar mais residentes para a acção de contagem de trabalhadores.
Segundo o testemunho de uma jornalista ouvida pelo PONTO FINAL, “os jornalistas foram convidados para se fazerem passar por trabalhadores, visto que não tinham [a Galaxy] o número suficiente”. Para além disso, “foram vistas várias camionetas a entrar no estaleiro transportando locais”. A repórter ficou na dúvida sobre se se trataria efectivamente de trabalhadores no local, “ou se foram recrutados como fachada” e refere que a operadora não divulgou nenhuma informação quanto a isso.
A DSAL publicou ontem um comunicado onde faz eco das alegações e dúvidas dos jornalistas quanto aos incidentes que marcaram a inspecção aos estaleiros, situados na Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança e na Avenida Marginal Flor de Lótus. O director dos Serviços Laborais considerou mesmo a situação como “ridícula”. “Se for verdade, iremos enviar toda a informação que recolhemos às autoridades competentes. Se há alguém que está disposto a ser empregado um dia e despedido no seguinte, não se trata de um comportamento razoável, e é preciso determinar se esse comportamento viola ou não a lei”, afirmou Shuen Ka Hung.
Em comunicado, a DSAL compromete-se a “estudar medidas efectivas para evitar este tipo de comportamentos”. E faz apelo à apresentação de queixa por parte de quem “tenha conhecimento do caso”.
P.B.
