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As indústrias misteriosas

March 31, 2010

Novidades não houve. Nem da estratégia, nem do Fundo, nem do Conselho de Indústrias Criativas. São a nova linha orientadora do programa de diversificação económica do Governo, mas pouco avanço se conheceu nas LAG no que toca a propostas para o sector das indústrias criativas.
Cheong U falou ontem da “eventual criação do Fundo das Indústrias Criativas” para dizer que nada foi decidido quanto ao modelo de atribuição de dinheiros públicos a adoptar. Não se sabe ainda também se este estará sob a tutela directa do Chefe do Executivo, ou se caberá ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura orientar o Fundo.
De qualquer forma, este só será estabelecido após a criação do Conselho das Indústrias Criativas, em termos de sequência legislativa. As ditas indústrias são um cabide onde muito pode caber, e apesar da insistência dos deputados ao longo das últimas sessões de debate da acção do Governo, fica sem se saber quais as áreas prioritárias de intervenção.
“O essencial – disse Cheong U – é assegurar flexibilidade”, bem como ouvir muitas opiniões.  Os resultados do investimento que for feito, vaticinou também, só serão notados dentro de três, quatro ou cinco anos.
Ontem, os deputados à Assembleia também quiseram saber de que forma Cheong U e os organismos sob a sua tutela pensam promover a valorização do património local, lembrando algumas zonas nas imediações do centro histórico. “São ruas estreitinhas com todo o sabor antigo. Pena é não ir lá ninguém”, disse Paul Chan Wai Chi.

Placas e guias poliglotas

Relativamente à sinalização e valorização do património identificado, o responsável do IC disse que pretende trabalhar mais estreitamente com a Direcção dos Serviços de Turismo. Os organismos irão proceder a um levantamento de todos os pontos de interesse turístico e assegurar descrições trilingues (em português, chinês e inglês). Ao mesmo tempo, o IC pretende demarcar melhor os percursos de interesse histórico e proporcionar melhores conhecimentos aos residentes, para que estes possam assumir o papel de embaixadores do património junto dos turistas que visitam a RAEM.
A Direcção dos Serviços de Turismo revelou também que já apresentou ao Conselho Executivo uma proposta de diploma que permitirá facilitar a contratação de guias no estrangeiro, fluentes nas línguas dos países de origem dos principais fluxos de visitantes – nomeadamente, o japonês.
Relativamente à gestão de crises de turismo, o director dos serviços, Costa Antunes, revelou também que o actual sistema de alerta está a ser melhorado em cooperação com o comissariado de Negócios Estrangeiros da República Popular da China e autoridades congéneres de Hong Kong. O objectivo é que permita emitir um aviso geral aos operadores turísticos sobre as condições de viagem para a RAEM. “Em poucos meses estará concluído”, afirmou Costa Antunes.

Universidades avaliadas por peritos internacionais

O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) está já a preparar um novo sistema para assegurar a qualidade das instituições de ensino superior da RAEM. O coordenadora-adjunta do GAES, Kuok Sio Lai,  revelou ontem que a avaliação passará a ser feita de forma sistemática com a revisão da Lei do Ensino Superior, ficando as universidades e institutos de Macau sujeitas a dois níveis de aferição de qualidade. A avaliação será feita em duas etapas. Num primeiro momento, as  instituições de ensino superior serão chamadas a realizar uma auto-avaliação interna. Depois, o Governo procederá à avaliação externa das instituições, com recurso a peritos internacionais – nomeadamente, de Hong Kong. Após a avaliação, o GAES emitirá recomendações às universidades de forma a melhorarem o seu desempenho.
“As instituições poderão aproveitar o mecanismo para auto-aperfeiçoamento e elevação da qualidade do ensino superior”, considerou Kuok.

Docentes do privado com actualização salarial de 1,8 por cento

O novo estatuto dos docentes do ensino particular deverá trazer aumentos de 1,8 por cento para os professores não integrados nas escolas oficiais da RAEM. A novidade foi ontem adiantada pelo director dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), que prometeu rapidez na apresentação do diploma que servirá para estabilizar o quadro docente nas instituições de ensino particulares, face às melhores condições remuneratórias oferecidas pelo ensino público. “Não quero apresentar este projecto só quando já estiver careca”, assegurou Sou Chio Fai aos deputados, revelando que pelo menos 70 por cento do conteúdo da proposta de lei diz respeito às regalias e salários dos professores. Além do aumento de 1,8 por cento, o director revelou também que a diferença de remunerações entre categorias profissionais será de 1,3 por cento. “Já estamos na recta final”, garantiu Sou Chi Fai, prometendo fazer publicar o novo regime ainda dentro do corrente ano.

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