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Cinco curtas acabadinhas de rodar

March 29, 2010

Rui Borges, com “The Rolling Forecast” foi um dos vencedores deste ano na competição de vídeo promovida pelo CCM que põe os participantes em contra-relógio para contar uma história. O realizador diz que há cada vez mais e melhores ideias a concurso. O seu filme foi um dos projectos premiados, a par de “New Generation” de Topman Lei, “Homo Sapiens” de Raymond Ieong, “The Old Days” de António Faria, e “New Life” de Sara Pereira, Carolina Rodrigues e Francisco Cordeiro.

Maria Caetano

O júri da competição “48 horas a abrir – desafio vídeo” premiou ontem cinco projectos rodados em ritmo frenético, ao longo do último fim-de-semana, por toda a cidade. Os eleitos foram este ano “The Rolling Forcecast” de Rui Borges, “New Generation” de Topman Lei, “Homo Sapiens” de Raymond Ieong, “The Old Days” de António Faría, e “New Life” de Sara Pereira, Carolina Rodrigues e Francisco Cordeiro, películas que valeram aos seus autores um prémio de duas mil patacas e a exibição no ‘foyer’ do Centro Cultural durante o Festival Internacional de Cinema e Vídeo, que decorre a partir de dia 2 de Abril.
Rui Borges, realizador na Teledifusão de Macau, foi um dos vencedores da actual edição, produzindo em dois dias uma história de cinco minutos em que uma personagem contraria as suas opções de vida, despindo fato e gravata para sentir os aromas de uma loja de flores no mercado dos Três Candeeiros ou pedalar a toda a brida em direcção à barragem de Ka-ho, em Coloane, onde mergulha.
“A minha história é uma derivação de uma ideia que tinha para uma outra curta. Tem a ver com a ideia de vivermos das pequenas coisas. Às vezes, pensamos que vamos subir na vida e ser assim mais felizes. Só que há muita coisa que nos enclausura depois. Deixamos de ser realmente livres. São as coisas que ambicionamos, mas que depois não gostamos delas realmente”, conta o realizador, repetente na competição, e que já o ano passado tinha sido premiado com o projecto “10perta”.

Poupar tempo e dormir pouco

Um história simples que no vídeo é acompanhada por uma transição gradual, do cinzento à cor, até à redenção do protagonista que surpreende um projecto de vida enfadonho e cansativo com um mergulho libertador. José Abecassis volta como actor a acompanhar Rui Borges nas lides do “48 horas”.
“Fiquei espantando com o Zé. Sabia que ele é uma pessoa muito interessada. Ele gosta muito do cinema e da performance. Mas o nível que ele demonstra no filme é o de um actor em franco crescimento”, defende o realizador. “O meu filme consegue ter algum impacto em 80 ou 90 por cento por causa do desempenho dele”.
O tema da competição deste ano era o “novo”. “Podia ter sido mais concreto”, admite Rui Borges, para quem outro tipo de temas permitiria aos participantes desenvolverem projectos mais criativos, e sem risco de percorrerem caminhos demasiado batidos.
“Quando parti para esta curta, não foi como no ano passado. Aí tinha 90 por cento de certezas que ninguém ia ter uma história igual à minha. A minha história deste ano não é tão original”, confessa. Mas, para este ano, Rui Borges, impôs-se um outro tipo de desafio. “Quis contar uma narrativa linear, que tivesse princípio, meio e fim. Acho que consegui”.
Num desafio de dois dias, a pressa é inimiga da perfeição e de noites de sono bem dormidas. Fazem-se “opções para poupar o tempo”, que tornaram no caso de Rui Borges a curta menos perfeita do que o realizador gostaria. Mas é esse o desafio de “48 horas” para uma história que não pode ir além dos cinco minutos de duração.
“Acontece quase tudo a um passo alucinante. Acima de tudo, exige que se seja metódico. Se não, não é possível. É preciso dividir bem os dias para conseguirmos, no mínimo, dormir um bocadinho. Há muita gente que chega ao último dia em branco”.

Mais formação

Sobre “The Rolling Forecast”, não sabe exactamente o que agradou ao júri da competição. “Sei que o membro do júri que comentou o meu filme gostou muito da parte do fim em que a personagem mergulha na barragem de Ka-ho. Dentro do pouco que eu percebo de uma conversa em cantonês, consegui captar essa parte”, conta o realizador.
Entre os pares que com ele concorreram, o realizador the “The Rolling Forecast”, tece elogios ao autor de “The Old Days”. “Eu adoro o António Faria. Acho que ele, sendo um jovem, já tem uma imagem própria. Isso é muito bom. As imagens dele são sempre limpas, são sempre bonitas”, sublinha.
Na competição organizada pelo Centro Cultural, inscreveram-se este ano 49 pessoas, 20 das quais concluíram o projecto e entregaram-no dentro do prazo. Rui entende que o número de participantes e a qualidade dos filmes tem vindo aumentar.
“Em geral, achei que todos os trabalhos melhoraram. Houve um maior cuidado em termos do enquadramento da imagem. Claro que se apanham filmes muito amadores, de pessoas que ainda estão a dar os primeiros passos na área dos audiovisuais. O que é bom”, defende.
Porém, Rui Borges entende que seria bom que a competição fosse também acompanhada de algumas acções de formação. “Não existem ideias más, existem ideias mal realizadas. Haver essa formação acabaria por criar um maior gosto por se fazer uma coisa com condições”, diz.
O júri da competição integrou Bianca Lei (artista e professora no Instituto Politécnico de Macau), Peng Yun (artista multimédia), Yves Sonolet (professor na Universidade de S. José), Johnny Wong  (presidente da Videospace, em Macau) e Cecília Ho, Health Tou e Mosca Kou (realizadores premiados no Macao Indies 2009).

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