Novo hospital em 2014
Chui Sai On visitou ontem o local onde será construído o novo hospital de Macau. Com conclusão prevista para 2014, a unidade albergará 500 camas e um serviço de urgência de grande dimensão. A localização do futuro hospital convence Mário Évora e e Rui Leão.
O segundo hospital público de Macau terá capacidade para cerca de 500 camas e começará a ser construído no segundo semestre de 2011, na zona de aterro entre as ilhas da Taipa e Coloane. Ontem, Chui Sai On fez uma visita ao local onde se implantarão as futuras instalações clínicas, com conclusão prevista para 2014. O Chefe do Executivo disse aos jornalistas que a infra-estrutura surge na sequência de estudos que têm vindo a ser feitos pelas secretarias das obras públicas e dos assuntos sociais, constituindo um impulso para o desenvolvimento das ilhas.
A primeira fase do novo hospital, que será implantado numa área de 50 mil metros quadrados, tem um orçamento de 400 milhões de patacas. Nessa primeira fase, serão construídos um edifício de urgência com capacidade 100 camas, um centro de contingência e outro de tratamento de imagiologia, bem como um laboratório de verificação de medicamentos, um centro hospitalar, um hospital de recuperação, um centro de formação e investigação, um laboratório de saúde pública e um heliporto.
O director clínico do Centro Hospitalar Conde São Januário, Mário Évora, realçou a satisfação perante a escolha das ilhas para a construção de uma nova unidade de saúde, mas a sua expectativa é que o Governo venha a construir mais do que um hospital e que seja privilegiada a valência de formação de médicos internos, enquadrada num curso de medicina a criar em Macau. “Penso que a localização é adequada, uma vez que descentraliza os cuidados diferenciados que estão concentrados na cidade de Macau. O desenvolvimento da RAEM estava a exigir a localização de uma unidade hospitalar nas ilhas. Mas ainda não há muita informação em pormenor do que se vai passar. Eu tinha uma secreta esperança de que esse novo hospital já integrasse um conceito mais alargado, nomeadamente sendo um hospital universitário, que já fizesse a ponte para, no futuro, termos o curso de medicina em Macau. Julgo que, se tivesse esse âmbito, seria um passo bastante importante”, declarou. Constatando que “a formação de médicos é sempre demorada”, Mário Évora apontou os recursos humanos como o principal alvo da sua preocupação e defendeu, em declarações à Lusa, a “importação de especialistas, até para darem formação, a curto e médio prazo”.
Segundo o médico, é necessária a deslocação de algumas especialidades que não estão bem servidas no Conde São Januário para o novo hospital público, como a medicina física e de reabilitação e a cardiologia. Esta última, salienta, “trata da principal causa de morte do território e tem dedicados dos espaços mais pequenos do hospital”. Para resolverem as actuais carências, na sua opinião, “é preciso não esquecer a necessidade de se reestruturarem as carreiras para se criarem condições atractivas para os médicos quererem trabalhar em Macau”, alertou. O clínico referiu ainda que o heliporto é uma valência “muito importante” da nova unidade de saúde, já que “os doentes que necessitam de transferência urgente para Hong Kong têm de ser deslocados de ambulância até ao terminal marítimo e depois de Jetfoil”.
Quase em jeito de resposta às interrogações de Évora, Lei Chin Ion garantiu que o novo hospital irá ter uma maior base de formação e investigação. “A formação dos profissionais de saúde, dos médicos aos enfermeiros e técnicos, será feita de forma sistemática”, disse o director dos Serviços de Saúde
O Executivo reservou já outros dois terrenos, cada um com 40 mil metros quadrados, para a expansão do hospital “conforme as necessidades nos próximos 20 anos”, salientou Lei Chin Ion, mas a primeira fase da terceira unidade de saúde de Macau deverá estar concluída ainda no primeiro mandato de Chui Sai On como Chefe do Executivo, que incluiu esta obra entre as suas prioridades.
Diversificar as funções do Cotai
A escolha do Cotai para a edificação do futuro hospital convenceu Rui Leão. O arquitecto lembra que se trata de uma zona planeada de raiz e com bons níveis de acessibilidade, tanto para a Taipa como para Macau. “O Cotai é uma área bastante infra-estruturada e planeada de raiz, portanto tem altos níveis de acessibilidade e de ligação com o resto da malha. O sítio escolhido acaba por servir bem tanto as ilhas como Macau, que, com as três pontes, é facilmente acessível ao Cotai.” Rui Leão afirmou à Rádio Macau que a construção do hospital no Cotai vai ajudar a diversificar o desenvolvimento daquela zona, cujas construções actuais são quase exclusivamente casinos: “A opção implantar ali o hospital também é positiva, porque o que faz muita falta no Cotai é transformar aquilo numa cidade e não numa área de actividade mono-funcional.”
