A arruada de Chui Sai On
O dirigente máximo da RAEM fez ontem uma autêntica maratona pedonal pelos bairros mais populares de Macau. De manhã andou pelas proximidades do Porto Interior e depois foi para a zona Norte. Para além dos cumprimentos aos comerciantes, Chui Sai On tirou nota das reivindicações das associações de moradores e disse que as prioridades para as zonas antigas consistem na prevenção de calamidades naturais, e na promoção da cultura e da qualidade de vida.
Paulo Barbosa
A arruada que ontem levou Chui Sai On a alguns dos bairros mais tradicionais de Macau esteve longe de ser um banho de multidão. O Chefe do Executivo cumprimentou os lojistas e os populares e reuniu-se com residentes e representantes de associações locais, para auscultar opiniões. Alguns comerciantes receberam efusivamente o dirigente da RAEM, convidando-o a visitar as suas lojas, mas houve também quem se mantivesse indiferente, a jogar mahjong.
Os mais afoitos aproximaram-se da pequena caravana – constituída por governantes como Cheong U, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, por representantes das associações de moradores e por jornalistas – para apresentarem reivindicações de pertinência diversa. Uma idosa, por exemplo, abeirou-se de Chui Sai On e queixou-se, de maneira exaltada, da lojista vizinha, que acusou de “atirar ar poluído” para a sua loja. Percebendo a situação constrangedora, Chui mal parou, mas os seus seguranças acabaram por barrar a mulher, que queria continuar a perseguir o político com os seus protestos veementes.
O primeiro ponto de paragem do Chefe do Executivo aconteceu na tradicional loja de fazendas Ngou Kong, na Rua das Estalagens, com o estabelecimento a ser invadido por dezenas de fotógrafos, ávidos por obterem uma imagem que simbolizasse o contacto de Chui com a população. Seguiu-se a Rua dos Ervanários, uma zona de lojas tradicionais, onde abundam os locais de venda de artigos religiosos e de velharias. Ali, Chui Sai On ouviu os comerciantes queixarem-se daquilo de que se lamenta todo o comércio tradicional em cidades onde os modernos centros comerciais florescem. Nos tempos antigos a rua tinha muito mais movimento do que actualmente, diziam, sugerindo que o líder da RAEM tomasse medidas para aumentar o movimento daquela zona.
Chui Sai On continuou o seu périplo, percorrendo vias como a Rua dos Faitiões, a Rua do Tarrafeiro, a Rua dos Colonos, a Rua da Palmeira e a Rua da Harmonia, até chegar ao bairro San Kio. Ao longo do trajecto pedonal, deparou-se com algumas aberrações urbanísticas, como uma casa tosca que está construída quase no meio da rua, dificultando a circulação. A casa, que se localiza nas proximidades do pagode de Patane, é habitada por uma idosa que, de acordo com a associação de moradores local, está disposta a sair, se for realojada. Os assessores de Chui tomaram nota. Um pouco à frente, membros dos Kai Fong pediram protecção especial para a última casa que alberga um sineiro (um indivíduo que tem como função assinalar sonoramente a passagem das horas no templo contíguo), que querem ver transformada em museu.
O que pensam os moradores
O passeio matinal terminou no jardim do bairro de San Kio, onde o Chefe do Executivo presidiu a uma sessão de auscultação com representantes dos Kai Fong e residentes do bairro. As perguntas versaram temas como a necessidade de promoção das indústrias locais e do turismo no centro histórico, a carência de cuidados com os idosos, a escassez de autocarros com ligações ao centro da cidade, bem como de actividades culturais que dinamizem os bairros populares. Chui Sai On foi tirando notas esporadicamente e prometeu remeter as questões mais técnicas para as direcções de serviços. Depois de ouvidas todas as opiniões, afirmou que as prioridades do Governo para as zonas antigas estão relacionadas com a prevenção de calamidades naturais, principalmente as inundações provocadas pelos tufões, com a promoção da cultura e do turismo e com a elevação da qualidade de vida dos residentes. Disse ainda que o Governo quer dar importância ao ambiente nos bairros antigos, principalmente no que diz respeito à segurança nos edifícios. Nesse sentido, anunciou o reforço da colaboração com o Conselho Consultivo para o Reordenamento dos Bairros Antigos de Macau.
A arruada continuou depois de almoço, mas desta vez na zona Norte da cidade, onde o Chefe do Executivo conversou com alguns comerciantes do Mercado Tamagnini Barbosa e foi questionado sobre problemas de trânsito e habitação na zona das Portas do Cerco e Tamagnini Barbosa.
No final da tarde, a comitiva replicou a actividade do bairro San Kio, ao realizar uma sessão de auscultação e troca de impressões com residentes e representantes de várias associações no Centro de Actividades do IACM do Complexo Municipal do Mercado Tamagnini Barbosa. Durante a sessão, Chui Sai On apelou à participação activa da população na formulação de políticas. Sublinhou que o governo dá importância a sugestões e críticas apresentadas pela população no que diz respeito a habitação, trânsito e segurança social, entre outras questões relacionadas com a vida quotidiana, e prometeu estudá-las e analisá-las com os serviços públicos relevantes. Respondendo a uma questão que foi colocada diversas vezes, o Chefe do Executivo disse ter tomado conhecimento de que os espaços de estacionamento para motociclos estão constantemente vazios em alguns silos de automóveis. Explicou que o governo vai estudar como atrair os motociclistas a utilizarem esses espaços legais.
Chui Sai On adiantou que o Governo vai empenhar-se em concretizar os planos de habitação já anunciados. Acrescentou que, quando o Instituto de Habitação terminar a apreciação dos mais de sete mil pedidos de habitação pública recebidos, o Governo conseguirá conhecer melhor as necessidades concretas, contribuindo para a definição de planos de habitação a longo prazo.
O líder da RAEM reiterou ainda a aplicação por parte do Governo de garantia de emprego aos trabalhadores locais, uma medida que visa “manter a estabilidade social”.
