Lee Chong Cheng quer mais médicos
A carreira profissional não é revista há 17 anos, faltam especialidades, o número de doentes aumentou e os médicos não têm mãos a medir. Os que são recrutados ao exterior não têm estado a contribuir para a formação dos locais, os licenciados de Macau com cursos no exterior vêm-se impossibilitados de exercer a profissão no território, e desconhece-se onde é que o Governo vai arranjar gente para o prometido hospital das ilhas.
O cenário foi traçado ontem por Lee Chong Cheng, o número 2 da ‘Operária’ Kwan Tsui Hang, durante o período de antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa. Para o deputado, o Governo deve avançar, “quanto antes”, para uma avaliação dos actuais mecanismos, definindo normas, melhorando os trabalhos de formação e promoção dos médicos locais.
Além disso, frisa Lee, a contratação de médicos ao exterior não deve ser entendida como uma medida provisória para a resolução da falta de médicos especialistas em Macau, “uma vez que, com a contratação de médicos lá fora, os locais perdem a oportunidade de promoção”. Foi isto que, jura, aconteceu na última década. Deste modo, quem vem de fora deve vir para ensinar.
Lee Chong Cheng está preocupado com a situação do Centro Hospitalar Conde de São Januário porque as estatísticas oficiais revelam que, entre 2001 e 2009, houve um aumento de 56 por cento no número de especialistas para uma subida de 69 por cento nos utentes da consulta externa. A falta de médicos faz com que os residentes tenham de aguardar entre “três a seis meses” pelas consultas, sendo que, quando vão finalmente ao hospital, passam o dia “quase todo” à espera de serem atendidos.
Do outro lado, prosseguiu, estão médicos que “vêem entre 40 e 50 utentes por dia”, tendo ainda a restante “papelada” para despachar e o serviço de urgência para fazer. Esta situação deve-se, na opinião do deputado, ao facto de “há mais de dez anos não se efectuar, no Centro Hospitalar Conde de São Januário, concurso de ingresso para o recrutamento de médicos estagiários para determinadas especialidades”.
Recordando que ainda há dias o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura falou na construção do hospital nas ilhas, Lee não sabe como é que o Governo vai formar uma equipa médica entre três a cinco anos, tempo que deverá demorar a construção do novo equipamento.
“Espero que a Administração analise sistemática e estrategicamente o pessoal de que os hospitais e unidades médicas dispõem e elabore atempadamente o plano de formação e acesso para o pessoal médico, no sentido de criar uma equipa médica de qualidade e concretizar efectivamente o princípio ‘servir melhor os cidadãos’”, concluiu.
I.C.
