Em defesa dos golfinhos brancos
A informação disponibilizada publicamente em Hong Kong relativamente ao mega-projecto é muito mais vasta e pormenorizada do que a escassa informação oficial publicada na RAEM. Mas nem por isso as autoridades da RAHEK conseguiram evitar polémicas com as associações ambientalistas. Estas argumentam que o estudo de impacte ambiental seguiu metodologias erróneas e subvaloriza os danos ecológicos causados pela construção e operação da ponte.
O relatório do “Environmental Impact Assessment Ordinance” (EIA) estuda as várias opções de trajecto quanto a itens como o impacte na qualidade do ar, a poluição sonora, a gestão dos resíduos, a qualidade da água, as consequências da ponte para o sector das pescas, a preservação da herança cultural e o impacte visual e paisagístico. De um ponto de vista geral, o relatório conclui que “o projecto é aceitável em termos ambientais se forem implementadas as medidas de mitigação propostas para as fases de construção e operação”. O relatório recomenda que seja estabelecido um programa de monitorização para que seja garantida a eficácia da implementação das referidas medidas de mitigação.
A 14 de Outubro, o Conselho Consultivo do Ambiente de Hong Kong deu luz verde à construção da ponte do Delta do Rio das Pérolas. A principal objecção dos ambientalistas prendeu-se com o eventual perigo para a população de golfinhos brancos, uma espécie em risco de extinção. Andy Cornish, que é director do Fundo para a Preservação da Vida Selvagem, mostrou-se preocupado com o facto de a ponte “ser uma construção em grande escala que vai cortar a direito por uma zona que é a preferida dos golfinhos”.
O Governo prometeu a criação de um parque marítimo que sirva de refúgio àqueles cetáceos, embora só entre em funcionamento depois das obras da ponte. O representante do Governo da RAHEK no Conselho do Ambiente explicou que o parque marítimo para golfinhos só poderá arrancar em 2015, já depois da maioria das obras da ponte no mar estarem concluídas, por ser necessário conduzir um estudo sobre os animais em risco e ser previsível que indústrias marítimas se venham a opor aos seus resultados. “O parque destina-se a permitir que os golfinhos possam viver em paz no futuro. Para isso, temos de recolher dados realistas e convencer o público da necessidade da existência deste parque”, disse um porta-voz do governo.
A decisão de Outubro do Conselho Consultivo do Ambiente de Hong Kong voltou a ser contestada na semana passada, quando uma residente recorreu ao Tribunal de Primeira Instância para tentar revogar a decisão do Conselho, alegando que o estudo de impacte ambiental que esteve na sua base foram feitos com uma metodologia errada, ignorando aspectos importantes.
A queixa apresentada por Chu Yee-wah critica fortemente o director do Departamento de Protecção Ambiental, Wong Sean-yee, referindo que “nenhuma pessoa que esteja zelosamente a cumprir as funções inerentes a tal cargo poderia aceitar um estudo de impacte ambiental que concluiu que não haverá impactes na qualidade do ar resultante da operação da ponte”. A acção, que é fundamentada em opiniões de especialistas em Saúde Pública da Universidade de Hong Kong, considera ilegítima a aprovação de um estudo que “não faz uma avaliação dos riscos que o projecto pode trazer” à saúde da população de Hong Kong. Para além dos ambientalistas, os habitantes de Hong Kong que mais têm protestado contra a ponte são os 30 mil residentes da área de Tung Chung, que será especialmente afectada pelos trabalhos de construção.
Paulo Barbosa
