Macau à espera do tablet
A Apple gosta da RAEM e vice-versa. Mas para comprar novos produtos é sempre preciso aguardar entre um a três meses. Fomos saber o que esperam do iTablet alguns aficionados da tecnologia em Macau
Hélder Beja
Na rua, nos cafés ou nos transportes, é fácil perceber que muitos dos residentes de Macau usam iPhone, iPod e derivados. Uns mais verdadeiros que outros? Talvez. Mas a loja da marca norte-americana, a Original Technology, é bastante concorrida e até já há quem pergunte pelo novo tablet.
“Ainda não temos qualquer informação, mas há um grande número de clientes a querer saber novidades, a tentar reservar desde já o aparelho”, disse ao PONTO FINAL um dos funcionários que preferiu não ser identificado. “A solução é esperar pela conferência de imprensa e perceber o que vai acontecer depois.”
Quanto à data em que será possível adquirir um iTablet na RAEM, “ainda é muito cedo para falar nisso mas normalmente os novos produtos levam entre um a três meses a chegar” ao território, depois de postos à venda nos EUA.
Hong Kong na frente
Tanta tecnologia e velocidade na passagem de informação e, afinal, quando o assunto é ter o aparelho nas mãos só resta esperar. É por isso que o webdesigner e músico Beto Ritchie está acostumado a apanhar o jetfoil até Hong Kong para comprar gadgets. Tem acompanhado “com muito interesse” as notícias sobre o tablet da Apple e, se corresponder às expectativas, conta ter um destes ‘computadores de sofá’ nos próximos meses. “Nestes casos espero normalmente um ou dois meses para ver se está tudo bem com os aparelhos, porque estas coisas novas muitas vezes têm problemas numa primeira fase”, diz.
Para comprar, o caminho é um: “Vou sempre a Hong Kong, as coisas chegam lá primeiro. Quanto ao tablet, quero poder tê-lo na mão, testá-lo, mas acredito que seja um óptimo gadget.” Beto está a desenvolver sites para alguns jornais e, com o previsível sucesso do iTalbet, conta trabalhar em aplicações que permitam a leitura dos conteúdos na nova plataforma. “Se o tablet tiver o mesmo sistema operativo do iPhone, será excelente”, refere.
Jorge Vale, locutor e apresentador de TV, é um seguidor da Apple. Compra em Macau, porque “os preços são bons e a assistência também, o que é muito raro”, e tem iPhone e MacBook Pro. Explica porque prefere os produtos da empresa de Jobs aos seus concorrentes: “Sempre me senti seduzido pela estética dos Mac e por me dizerem que eram mais rápidos, fiáveis e seguros.” A transição do ambiente Windows, que utilizou por longos anos, para a tecnologia da maçã “foi pacífica”. “Hoje não quero outra coisa, os computadores são melhores, menos sujeitos a vírus e a outras complicações.”
O trabalho na TDM é-lhe facilitado pelo “melhor telemóvel” que alguma vez utilizou. “De manhã, levo o primeiro banho de informação através do iPhone, logo a caminho do trabalho”, conta. Depois, além de permitir navegar na Internet, o telefone da Apple “é um excelente meio de distracção e entretenimento”. Vale costuma “jogar, ver filmes, ouvir podcasts portugueses como os do Nuno Markl ou programas de rádio de todas as partes do mundo” e desfrutar da sua mais recente descoberta: os audiolivros. Ainda não lhe perguntámos por planos para trocar este “canivete suíço tecnológico” pelo novo iTablet e já adivinhamos um “não, obrigado”.
Confiar e desconfiar
Jorge Vale usa várias aplicações para iPhone que descarrega online, está satisfeito com o gadget que consegue meter no bolso. Já o tablet, “é como um iPhone mas maior”, preconiza. “Sinceramente, não me entusiasma. Para jogar tenho a PlayStation3 e a XBox 360. Depois, algumas pessoas podem ter interesse pelo ecrã maior e tudo mais. A mim basta-me o do iPhone.”
O realizador Miguel de Freitas começa por dizer que “talvez não seja a pessoa certa” para falar sobre este tema, até porque é “bastante opositor” do modo como a Apple funciona. “Nos aparelhos que fabricam, as coisas só podem funcionar da maneira que eles querem e isso não me agrada nada.” Tanto assim é que não tem iPhone, iPod ou qualquer outro gadget com o símbolo da maçã.
Há duas coisas que Freitas mostra quando lhe falamos do iTablet: curiosidade e desconfiança. “Primeiro é preciso esperar e perceber que aparelho será. Se o tablet for uma coisa para ter apenas mais um gadget da Apple, não me interessa minimamente. Agora, se for uma máquina potente e não apenas vistosa, pode valer a pena. O realizador é “adepto dos tablets”, gosta de poder controlar computadores sem usar rato nem teclado. Mas duvida que “seja uma máquina com potência superior à dos netbooks”.
O preço conta
Miguel de Freitas compra tecnologia em Macau porque “a diferença de preços não é grande” daqui para Hong Kong e há muitas vantagens em estar próximo do vendedor. O preço de mil dólares americanos que é falado para o iTablet parece-lhe “bom se não se tratar, ao nível do hardware, de mais um netbook”. Caso contrário, é exagerado.
Também Beto Ritchie avalia positivamente o preço que tem sido anunciado. “Entre mil e 1200 parece-me bem. E julgo que nunca custará 700 dólares americanos ou algo assim. A Apple não vai perder dinheiro com isto.”
Dinheiro não vai perder certamente, com toda a publicidade gratuita que tem recebido nos últimos meses. A Apple é assim: revoluciona, cria novos hábitos nos consumidores e factura como que silenciosamente nos anos seguintes. Quando se pensa que pode estar a adormecida, repentinamente, a maçã contra-ataca.
