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Associação policial recomenda acompanhamento psíquico dos agentes

January 28, 2010

A Polícia Judiciária acusa o antigo funcionário que ontem se tentou imolar à porta das instalações da instituição de apenas o ter feito “para denegrir a imagem da instituição”. Na perspectiva daquela força de investigação criminal, o comportamento do ex-agente, que informou os média do que iria fazer, demonstra que se tratou de “uma acção planeada” e que o indivíduo “não tinha intenção de se imolar”. Segundo um comunicado lido por um responsável daquela polícia de investigação, a manobra procurou prejudicar “a imagem e a reputação da PJ”, tendo sido motivada por “outros motivos ainda desconhecidos” e que “serão investigados”. As autoridades acusaram o indivíduo de tentativa de fogo posto e posse de armas proibidas, entre outros ilícitos. O caso foi entregue ao Ministério Público.
Também a Associação dos Agentes Policiais de Macau veio sugerir que, para além da punição do indivíduo, devem ser investigadas as causas do sucedido, para que não se venha a repetir, aconselhando a criação de um sistema de acompanhamento psicológico dos polícias e lançando uma série de interrogações: “Quando um subordinado se sente injustiçado, temos que pensar a quê é que ele pode recorrer. Ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) ou à Comissão de Fiscalização das Forças de Segurança? Mas será que recebem a ajuda que procuram? Será que as pessoas confiam nesses organismos? Eles cumprem as funções que se esperam deles? Estamos sempre a rever o nosso trabalho”, afirmou Un Kam Seng, da direcção da Associação dos Agentes Policiais de Macau
As imagens da Teledifusão de Macau ontem exibidas no telejornal mostram o momento em que o antigo agente de 40 anos foi detido por agentes da PJ, em plena Rua Central. O indivíduo foi bruscamente conduzido para o interior da sede da PJ, onde terá sido revistado e interrogado. Na revista, segundo a PJ, foram encontrados na sua posse um canivete suíço, um cassetete, uma garrafa de gasolina de 2 litros e meio, um isqueiro e um par de algemas.
O homem agora sob custódia teve uma dezena de processos de averiguações e disciplinares durante os cinco anos da sua carreira na Judiciária. Entre os factos ilícitos que lhe foram apontados conta-se a obstrução ao exercício de funções de elementos da Polícia de Segurança Pública, acabando por ser demitido em Maio de 2004. Nessa altura, foi acusado do crime de coação, na sequência de conflitos particulares, sendo também condenado pela Justiça a uma pena suspensa de um ano e meio de prisão.
Na primeira versão apresentada pela PJ em comunicado, o antigo agente teria estado à beira de provocar um incêndio “que poderia pôr em risco as instalações da PJ e de um edifício comercial”. No comunicado de terça-feira, a Judiciária diz desconhecer as razões que levaram o seu antigo agente a agir daquela forma, tanto mais que “todos os processos disciplinares a que foi sujeito se terão pautado por critérios de legalidade e razoabilidade”. A PJ anunciou então a abertura de um inquérito para se saberem as razões do comportamento do seu ex-funcionário, não descartando a hipótese de este estar relacionado com “anomalias psíquicas”.

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