Todos ao Largo de Santo Agostinho
Continuam as acções de solidariedade para com o devastado Haiti. Nos dois últimos fins-de-semana, a Caritas Macau recolheu 400 mil patacas. Paul Pun avançou ao PONTO FINAL que, no sábado, a Caritas disponibilizará uma banca de venda de roupas, com os donativos recolhidos a reverterem para o apoio aos sobreviventes do terramoto.
Paulo Barbosa
A Caritas Macau conseguiu reunir 400 mil patacas ao longo dos dois últimos fins-de-semana, nos peditórios que organizou para reunir fundos para as vítimas do sismo que abalou o Haiti há duas semanas. Um valor que ultrapassa as expectativas de Paul Pun, secretário-geral da organização, que estabelecera como objectivo mínimo cerca de metade desse valor. A Caritas conseguiu ter 120 voluntários na rua ao longo dos passados dias de sábado e de domingo. Os voluntários percorreram diversas áreas da cidade, em missão de recolha de donativos.
A enorme catástrofe que abalou o país caribenho, onde as estimativas apontam para 200 mil vítimas mortais, está a sensibilizar a população de Macau. Os peditórios, promovidos por várias instituições, continuarão e a Caritas local prepara um evento em moldes diferentes para o próximo sábado, dia 30 de Janeiro. Durante todo o dia, estará montada no Largo de Santo Agostinho uma banca de venda de roupas novas e em segunda-mão, cujos proventos reverterão para a ajuda humanitária. “Neste momento, a Caritas está a trabalhar no Haiti providenciando apoio a cerca de 50 mil pessoas, através da disponibilização de abrigos para passarem a noite, de alimentação e de roupa”, especificou Paul Pun.
O responsável pela Caritas em Macau afirmou que o dinheiro recolhido é canalizado rapidamente para o Haiti, através da Caritas Internacional, que trabalha directamente com a delegação que a Caritas tem naquele país flagelado. Os resultados têm sido “encorajadores”. Paul Pun destaca o episódio quase milagroso do salvamento de uma mulher que se encontrava presa debaixo dos escombros da catedral de Port-au-Prince, a capital haitiana. A operação de resgate foi feita por uma equipa sul-africana que estava a trabalhar para a Caritas.
Outro ponto de recolha de donativos importante para a Caritas Macau têm sido as escolas. Se há alguns estabelecimentos de ensino que organizam espontaneamente peditórios entre muros, destinados a professores e alunos, outras pedem a ajuda da instituição caritativa. A Caritas co-organizou, por exemplo, a recolha feita no Instituto Salesiano, onde se conseguiram juntar 60 mil patacas. E, segundo Paul Pun, a instituição irá continuar a colaborar com escolas na recolha de donativos.
Preparar o futuro
No Haiti, deu-se oficialmente por finda a busca de pessoas com vida entre os escombros. A fase actual das operações consiste na remoção dos destroços, para depois se começar a preparar a reconstrução. Na quarta-feira decorreu uma reunião ministerial em Montreal, no Canadá, que contou com a presença de 20 países doadores e de diversas organizações internacionais.
Um dos oradores mais emocionados do evento foi o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, que lançou um apelo para a ajuda internacional no sentido da reconstrução do país, que poderá demorar, nas suas previsões, uma década.
Ao tomar a palavra, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que a liderança em todo este processo deve ser dada às autoridades locais. “Nós [EUA] queremos apoiar o governo do Haiti para que este processo seja liderado pelos haitianos”, sublinhou.
Também o primeiro-ministro canadiano, Stephen Harper estimou que o esforço de reconstrução do Haiti se prolongue por dez anos. “Sustentabilidade é a chave. Precisamos de nos comprometer pelo Haiti no longo prazo. Não exagero ao dizer que nos esperam dez anos de trabalho”, apontou.
No final da reunião ministerial em Montreal, Lawrence Cannon, o ministro dos Negócios Estrangeiros canadiano, anunciou que a conferência de doadores para a reconstrução do Haiti terá lugar em Março, nos Estados Unidos.
A conferência decorrerá na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e nela participarão nações e parceiros que são grandes doadores, entre eles EUA, França, Espanha e Japão, assim como a União Europeia e as próprias Nações Unidas.
