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Houve muito desporto de Macau durante o ano, apesar da crise internacional

December 31, 2009

Macau manteve a organização dos habituais eventos de nível asiático e juntou o Mundial de Karting. Os atletas do território saíram bastante ao longo do ano e trouxeram medalhas de Lisboa, Hong Kong e Arafura. Bateu-se o recorde de inscritos na Maratona. Mas o Open de Golfe pode ter sido o último.

Vítor Rebelo

Cada vez mais são necessários patrocinadores privados para aguentarem o nível dos principais eventos organizados em Macau. Isto apesar dos apoios importantes que habitualmente saem dos “cofres” do Governo, através do Instituto de Desporto.
Em 2009 e não obstante a crise se ter feito sentir com força em várias áreas da sociedade, o desporto não se pode queixar. Manteve-se o Grande Prémio de Voleibol Feminino, o outro Grande Prémio (das velocidades), a Maratona Internacional, os Opens de Golfe e de Badminton.
Agassi e Sampras estiveram entre nós graças ao Venetian.
Mas há aqui uma quota parte de responsabilidade (financeira) dos tais privados, sem os quais não seria possível manter pelo menos o nível.
E cada vez mais, enquanto a crise internacional demora a desaparecer, serão necessários dinheiros extra para acompanhar as despesas avultadas do IDM na organização de competições que deixam marca pela qualidade.
Há empresas ligadas à indústria do jogo a apoiar actividades desportivas no território. A Galaxy, por exemplo, que há já três edições dispensa uma boa quantia para a Maratona Internacional.
O desporto da RAEM não se pode queixar do ano que agora termina, mas resta saber se 2010 vai ser igualmente generoso.

Dúvidas no golfe

Para já há sinais de que um dos eventos que tem feito parte, anos a fio, do calendário de provas internacionais, o Open de Golfe, pode estar de saída. E é curiosamente uma modalidade muito associada ao aspecto do turismo.
Não se ressentiu muito a décima segunda edição do evento de golfe, realizada em Setembro último. Pelo menos poucos terão dado pela possibilidade de não mais se realizar.
Foi lançado o alerta, pelos próprios dirigentes do IDM, provavelmente “fartos” de largar os cordões à bolsa.
“O Open só continuará se houver investimento privado que justifique a sua permanência no calendário”, foram palavras claras de José Tavares, alguns dias depois de terminar a prova, ganha por um jogador tailandês, Tavorn Wiratchant.
Fica a aguardar-se se a modalidade será ou não contemplada para 2010. Ou então, se não aparecerá outro clube (o do Cotai…), a lançar mãos à obra, investindo forte e feio.

Vedetas nos karts

De resto, pouco se sentiu de uma possível diminuição de interesse ou qualidade noutros eventos.
Destaque para uma estreia absoluta no território e até no continente asiático, a realização do Campeonato do Mundo de Karting, categoria de KF1, ou Super KF, considerada a Fórmula 1 daquele desporto.
Macau havia apresentado a sua candidatura e ganhou a corrida.
Os dirigentes internacionais estiveram em peso no kartódromo de Coloane e apesar dos problemas do asfalto, com pouca aderência em determinadas zonas do circuito (remendadas à pressa durante a noite de sábado para domingo…), a organização parece que agradou à CIK.
As baterias estavam apontadas ao italiano Marco Ardigo, nosso bem conhecido, pelas presenças em provas do campeonato Ásia Pacífico. Mas foi um francês, Arnaud Kozlinski a chamar a si a vitória, com Ardigo num modesto nono posto, depois de se ter sagrado campeão durante três épocas consecutivas.
O finlandês Aaro Vainio foi segundo e o britânico Ben Hanley terceiro.
Macau contou com um único representante nesta categoria rainha, João Afonso, que se ficou pela fase de qualificações, fechando em trigésimo sétimo, entre 42 pilotos que participaram no Mundial.

Título para Tarquini

Também na velocidade, o Grande Prémio de Macau é um “must” há muitos anos e mantém a chama. Não parecem faltar patrocinadores para que as corridas se mantenham com elevado êxito.
A máquina organizativa, liderada por Costa Antunes, está montada e praticamente todo o ano trabalha para colocar de pé, sem sobressaltos, o grande cartaz-turístico da RAEM.
Pelo quarto ano consecutivo, a Corrida da Guia decidiu o campeão do Mundial de Carros de Turismo.
O italiano Gabriele Tarquini chegou a Macau na frente da classificação, com dois pontos sobre o vencedor de 2008 (Ivan Muller) e nem precisou de vencer qualquer uma das duas mangas para assegurar o título.
O piloto da Seat foi segundo na primeira e quinto na segunda.
O português Tiago Monteiro, que fez (obrigado…) jogo de equipa, muito contribuiu para o triunfo da marca no Mundial de construtores, mesmo sacrificando a sua prestação individual.
As mangas da Guia foram ganhas pelo britânico Robert Huff (Chevrolet) e pelo brasileiro Augusto Farfus (BMW).
André Couto voltou a não terminar. Na manga inicial teve problemas mecânicos no seu Honda e na segunda chocou na traseira de um carro que seguia na sua frente, na curva R.

E Mortara na F3

Na Fórmula 3, outro piloto transalpino, Edoardo Mortara, atingiu o primeiro lugar do pódio, na Taça Intercontinental FIA.
Já tinha vindo a Macau, com um segundo lugar em 2008 e essa experiência terá sido importante para chegar agora ao título, com recorde de pista.
Logo atrás ficaram o francês Jean Karl Vernay e o inglês Sam Bird.
As duas rodas conhecem uma nova era, a do britânico Stuart Easton, que voltou a superiorizar-se ao seu compatriota Michael Rutter, a perseguir o sétimo título na Guia. Rutter foi desta feita nono.
O português Luis Carreira terminou em oitavo e o piloto de Macau, João Fernandes, foi terceiro na sua classe de Supersport.
Nas restantes corridas do programa, destaque para a rivalidade Macau-Hong Kong na prova de iniciados (Taça Hotel Fortuna), com vantagem para a RAEM, que ocupou os três primeiros postos, com triunfo de Leung Ian Veng.
Macau venceu igualmente a Taça Road Sport Challenge, através de Sun Tit Fan.

Sensação ucraniana

Também há vários anos se realiza a Maratona Internacional, sempre com forte contingente africano e nesta edição de 2009 com muitos quenianos.
Só que havia um ucraniano no pelotão da frente que não se deixou surpreender, Mykhayl Iveruk.
Não houve recorde de percurso (2.17.45 contra 2.15.06 alcançado em 2008 pelo etíope Yamane Adhane).
Atrás de Iveruk atingiram a meta, no Estádio da Taipa, os quenianos Kipserem Chuma e Kibet Mebu.
Nas senhoras, a mais rápida foi a etíope Roman Gessese (2.37.08), com a portuguesa Elisabete Lopes em quinto.
As três corridas (Maratona, Meia e Mini) contaram com a inscrição recorde de 3783 atletas.
Os primeiros, tanto em homens como em senhoras, arrecadaram o prémio monetário de 120 mil patacas.

Malaios no badminton

Do Open de Golfe já dissemos que está em risco para 2010, depois da vitória do tailandês Tavorn Wiratchant. Totalizou 269 pancadas, deixando na segunda posição o indiano Gaganjeet Bhullar (275) e em terceiro o australiano Matthew Griffinque (288) .
O jogador da casa, João Senna Fernandes não passou o “cut”, ficando por isso fora das duas últimas rondas.
Noutro Open, mas de badminton, o melhor do ranking actual, o malaio Lee Chong Wei ganhou na final de singulares masculinos ao seu compatriota Wong Chun Han, em dois sets.
O Bowling teve um ano de bastante actividade com adversários do exterior.
O Centro do Cotai acolheu, em duas semanas seguidas, o Open e uma ronda do Asiático, com a presença de jogadores de vários países ou territórios.
Na categoria principal, individual masculina, triunfo de um representante de Hong Kong, Michael Tang.

Do bridge ao ténis

Pouco falado na comunicação social e quase a passar despercebido no panorama do desporto de Macau, o bridge teve um ano especial.
Centenas de jogadores evoluíram no Pavilhão do Fórum para uma das “poules” do Asiático.
Macau fez-se representar por uma dezena de praticantes, mas sem ambições aos primeiros lugares, conquistados pela República Popular da China.
Chineses que igualmente conquistaram o Campeonato da Ásia de Basquetebol Escolar, categoria masculina, que decorreu no Pavilhão da Escola Luso-Chinesa.
A China venceu na final à Tailândia, enquanto a selecção da casa superou o rival Hong Kong e arrecadou o terceiro lugar.
A República Popular é potência nos barcos dragão e a sua equipa Nahai Jiujiang bateu toda a concorrência na final masculina das competições internacionais, de embarcações tradicionais.
As Filipinas deram réplica e logo atrás a selecção de Macau, que se preparava para os Mundiais de Praga, na República Checa.
Sem competições de bom nível em Macau, os amantes do ténis foram de novo ao Arena da Venetian, para ver duas antigas vedetas mundiais, André Agassi e Pete Sampras.
Os dois norte-americanos ainda participam em competições de veteranos (Tour de Seniores) e deram um bom espectáculo, ganho por Agassi.
Sampras já tinha estado em Macau em 2008, tendo defrontado o actual número um do mundo, o suiço Roger Federer.

Selecção faz história

No tema futebol, a selecção de Macau, que ocupa um dos últimos lugares do ranking mundial, teve uma alegria pouco habitual: passou uma eliminatória de uma competição da égide da Confederação Asiática.
Tratou-se da Taça Challenge, destinada a países ou regiões de segundo plano, com a RAEM a ter de disputar um “play-off” com a Mongólia.
A formação treinada por Leung Sui Wing, técnico de Hong Kong, venceu em casa, no Estádio da Taipa, por 2-0 e perdeu na Mongólia por 3-1, resultados que permitiram seguir em frente.
Depois, na fase de grupos, Macau perdeu com Myanmar, Cambodja e Bangladesh.
Nos asiáticos de sub 18, uma vitória na fase de qualificação, face ao Laos, enquanto os mais novos, sub 16, perdiam todas as partidas e em duas delas com goleada, 14-0 diante da China e 13 no confronto com a sensação da prova, Timor Leste.

Lam Pak campeão

A nível interno, o Lam Pak assegurou o título apenas na derradeira jornada do campeonato, ao ultrapassar Sub 23 por 4-0. Sucedeu ao Monte Carlo.
Mais uma vitória da equipa que há muitos anos é orientada por Chan Man Kin.
Depois de uma alegria, a notícia triste do falecimento de um dos elementos do corpo técnico, João Lopes, devido a doença prolongada.
O Ka I, sob o comando de um português, Rui Cardoso, conquistou a Taça, com vitória na final sobre Hoi Fan, depois de ter sido segundo classificado no campeonato.

FC Porto promovido

Ano em foco para a Casa do FC Porto em Macau, que venceu o campeonato da II Divisão, subindo ao escalão principal.
O clube treinado por Francisco Rosário ultrapassou na última ronda a Autoridade Monetária por 2-1, quando lhe bastava o empate.
Uma aposta ganha pelos dirigentes, liderados por António Aguiar, que em três anos ascenderam ao patamar principal do futebol do território.
Para tentar imitar as proezas dos “dragões”, renasceu quase das cinzas o Sporting Clube de Macau.
António Conceição Júnior foi um dos impulsionadores e seria eleito presidente depois de eleições realizadas.
Os “leões” já participaram no campeonato de bolinha (treinados por Paulo Conde) e prometem estar mais activos no futuro, concretamente a inscrição na IV Divisão do futebol de onze da próxima temporada.
Na variante de sete, conhecida por bolinha, I Divisão, o Pau Peng surpreendeu tudo e todos, numa campanha de grande nivel, culminada na final diante do Ka I (3-0).
Nos Interports anuais, Macau perdeu no futebol de onze com Hong Kong (5-1) e ganhou na bolinha (1-0).
Em Veteranos, a respectiva Associação levou a efeito o seu Torneio da Soberania, com oito conjuntos de vários países ou territórios.
A Coreia do Sul sucede ao Marítimo do Funchal. Venceu Pequim por 2-1, enquanto Macau evitou o último lugar, com vitória sobre a Nova Zelândia.

Hóquei em preparação

A nível interno de outras modalidades, o hóquei em patins, mesclado de elementos masculinos e femininos, continua a fazer os seus campeonatos no Pavilhão do Colégio D. Bosco, depois de algumas alterações ao piso, que os jogadores consideram não ser o melhor.
A Casa de Portugal, onde pontifica o treinador-jogador Alberto Lisboa, só empatou uma vez na prova a três clubes e três voltas.
No hóquei em linha, o título pertenceu à formação da Associação de Patinagem.
Ambas as competições serviram de preparação para o Asiático que aí vem, já em Janeiro, na cidade chinesa de Dalian.
No hóquei em campo, também clara superioridade da Lusitânia, com pergaminhos na modalidade, que ganhou todos os dez desafios.
O último foi face ao rival da época, Hoi Fan.
Já o râguebi permanece sem campo adequado para treinar.
Voltou a participar no campeonato da III Divisão de Hong Kong, onde terminou a meio da tabela e ganhou uma das taças do escalão.
Organizou o seu tradicional Torneio de Praia, nas areias de Hac Sá, e ganhou na final a uma dos clubes de Hong Kong.

Oito títulos em Hong Kong

Deixámos para o fim o balanço da presença de delegações de Macau em eventos multi-desportivos.
Os Jogos da Ásia Oriental realizaram-se no início deste mês de Dezembro, aqui ao lado em Hong Kong, com os atletas macaenses a conquistarem 29 medalhas no total, oito das quais de ouro.
Wushu, sanshou (2), badminton, ciclismo acrobático ou artístico (3) e halterofilismo, viram a bandeira da RAEM a subir no mastro principal das cerimónias protocolares.
A China amealhou o maior número de medalhas (232).
A próxima edição está já agendada para Tianjin, continuando assim em cidades da República Popular.
Macau também se deslocou a Shandong, para mais uma edição dos Jogos Nacionais, que acontecem de quatro em quatro anos. Regressou sem medalhas, tendo disputado 11 modalidades.
Melhor sorte nos Jogos da Lusofonia, com nove idas ao pódio e apenas uma vitória, no taekwondo feminino, através de Wong Chon Nam.
Medalhas de prata foram 3 e de bronze 5, numa prova comandada pelo Brasil (75), seguido de Portugal (71) e Angola (14).
A edição de 2013 vai ser disputada em Goa e actualmente Macau preside, com Alex Vong ao leme, à Associação de Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP).

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