Edmund off, Chui Sai in
Já não é Chefe do Executivo. No último discurso na condição de líder máximo de Macau, Edmund Ho salientou o “mérito estratégico da visão” de Deng Xiaoping ao criar a fórmula ‘um país, dois sistemas’ e enalteceu o apoio dos dois presidentes com quem trabalhou.
“Hoje temos plena consciência do mérito estratégico da visão do senhor Deng Xiaoping assente na fórmula ‘um país, dois sistemas’. Temos sempre presente as expectativas e estímulos expressos pelo presidente Jiang Zemin por ocasião do primeiro aniversário da RAEM e guardamos na memória os quatros desejos transmitidos pelo presidente Hu Jintao”, disse Edmund Ho naquele que foi o seu último discurso enquanto líder do Governo de Macau.
Na véspera da cedência de lugar a Chui Sai On, Ho referiu-se ao discurso de Hu Jintao no quinto aniversário da transferência de poderes de Portugal para a China, onde o chefe de Estado chinês se mostrou satisfeito com o desenvolvimento da cidade, mas deixou alertas para o futuro.
Na ocasião, Hu Jintao instou o Executivo de Edmund Ho, que menos de dois anos depois veria o Secretário dos Transportes e Obras Pública Ao Man Long ser detido por corrupção, a “dar maior importância ao ser humano e melhorar constantemente o nível da Administração”.
Depois defendeu o acelerar da “formação de recursos humanos que Macau necessita para o seu desenvolvimento” aumentando o “investimento na educação” e por último alertou para a necessidade de “salvaguardar a estabilidade e envidar esforços para construir uma sociedade de tolerância, coexistência e harmonia” promovendo, a “unidade das diversas camadas e círculos sociais e das variadas comunidades, mantendo e consolidando a harmonia social”.
Cinco anos depois, Edmund Ho vincou que os desejos de Hu Jintao “constituem linhas orientadoras fundamentais” para a acção política de Macau e recordou que os primeiros dez anos do desenvolvimento de Macau “são a melhor prova do êxito da aplicação do princípio ‘um país, dois sistemas’.
Edmudn Ho sublinhou também o “forte apoio” dado pelo Governo Central a Macau desde a transferência, afirmando que a sociedade de Macau “vive em geral num ambiente de estabilidade”, que a “competitividade em todas as vertentes tem sido elevada” e que a “qualidade de vida dos cidadãos tem vindo a ser melhorada”.
Para o futuro, está convicto que “sob a correcta orientação e total apoio do Governo Central, com o terceiro chefe do Executivo à frente do novo Governo de Macau e de toda a população, teremos capacidade para fazer cumprir a Lei Básica na sua plenitude”, afirmou.
Edmund Ho mostrou-se ainda convicto que a sociedade de Macau saberá “prosseguir o (nosso) rumo com coesão, trabalhando em conjunto para criar um novo panorama de prosperidade e harmonia para esta terra, demonstrando, mais uma vez, a correcção do grandioso principio” idealizado por Deng Xiaoping para a reunificação do país.
Os elogios de Hu
O Presidente chinês enalteceu os dois mandatos de Edmundo Ho. “Ao longo destes dez anos, mostrou sempre grande dedicação, empenho e atitude progressista ao desempenhar o cargo de Chefe de Executivo que tem uma missão elevada, com grande responsabilidade e de extrema importância, desenvolveu muitos trabalhos inovadores relativos à aplicação bem sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’. O Governo Central apreciou muito os seus trabalhos e contributos para Macau e o país,” referiu Hu Jintao.
As declarações do líder chinês foram feitas no passado sábado, dia em que desembarcou no território para participar nas cerimónias do 10º aniversário do estabelecimento da RAEM, à frente de uma delegação de dirigentes de topo de Pequim, entre os quais membros do comité central do Partido Comunista Chinês e o chefe do Estado-Maior General do Exército Popular de Libertação.
Edmund Ho foi exortado por Hu Jintao a continuar atento à realidade local e a prestar apoio ao novo Executivo.
Segundo uma nota divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, Edmund Ho disse ter sentido no desempenho do seu cargo, nos últimos 10 anos, que “a Pátria é o grande suporte para garantir a estabilidade e prosperidade de Macau”.
Novo Governo toma posse
O Presidente Hu Jintao deu ontem posse ao novo executivo de Macau liderado por Chui Sai On. O ex-secretário que manteve todos os secretários de Edmund Ho aspira “servir melhor o cidadão” com “alta eficiência e integridade”.
No mesmo dia em que se assinalaram os dez anos da transição de poderes de Portugal para a China, Macau deu “o primeiro passo de um novo ponto de partida” da sua História, salientou Chui Sai On no seu primeiro discurso como Chefe do Executivo, substituindo Edmund Ho após uma década de governação.
“Há dez anos, o simbólico hastear das bandeiras nacional e da Região Administrativa Especial de Macau deu início à concretização do grandioso princípio ‘um país, dois sistemas’, criando novas oportunidades num dinâmico desenvolvimento”, afirmou o novo líder do governo ao salientar que, com o apoio de Pequim, a região “superou árduos desafios”, afirmando-se hoje “pujante”.
A promoção do investimento na área social, especialmente na Saúde e Educação, a par da diversificação económica, através de incentivos ao crescimento de novas indústrias, além do jogo, do planeamento urbano, formação e captação de quadros qualificados são as principais metas da governação traçadas por Chui Sai On que quer “elevar a competitividade da região”.
“Pretendemos reforçar a gestão administrativa, dar a maior atenção às acções de consulta pública e à promoção do valor da integridade, aperfeiçoar o mecanismo de responsabilização dos quadros superiores e criar um regime de reserva financeira”, acrescentou.
“Servir melhor o cidadão é o valor que sustentará a nossa governação. Aspiramos ser um governo de alta eficiência e integridade”, defendeu Chui Sai On perante Hu Jintao numa cerimónia a que assistiram também os magnatas do jogo Stanley Ho, que surgiu numa cadeira de rodas (ver página 7), e Sheldon Adelson, presidente da Las Vegas Sands.
Depois do hastear da bandeira, o Centro de Convenções do Macau Dome encheu-se para cantar o hino da China e para Chui Sai On e os seus cinco secretários prestarem juramento perante o presidente chinês, a que se seguiram os dez elementos do Conselho Executivo.
Chui Sai On concluiu a primeira intervenção como governante deixando a promessa de que “todos os maiores esforços serão envidados na garantia da partilha dos frutos do desenvolvimento económico e do progresso social por todos os cidadãos de Macau e na consolidação de uma sociedade harmoniosa em que todas as comunidades residentes são parte, independentemente da sua origem social”.
Licenciado em gestão de sanidade pública, mestre em gestão de Medicina e doutorado em gestão de Saúde Pública pela Universidade de Oklahoma (EUA), Chui Sai On é membro do governo desde a transição em 1999, quando assumiu a pasta dos Assuntos Sociais e da Cultura.
O ex-comissário contra a Corrupção, Cheong U, é a única cara nova no Executivo, ao assumir a anterior tutela de Chui Sai On, enquanto que os restantes foram reconduzidos – Florinda Chan (Administração e Justiça), Francis Tam (Economia e Finanças), Lau Si Io (Transportes e Obras Públicas) e Cheong Kuok Va (Segurança).
