Para jogadores de passagem

December 16, 2009
by pontofinalmacau

Demorou 18 meses e remodelar e abriu ontem ao público o casino Oceanus, que vem ampliar em 260 mesas e 560 slot machines a oferta da SJM no território. O casino quer beneficiar de ser o mais próximo do terminal de ferry e do posto fronteiriço para atrair visitantes em estadas de curta duração.

Paulo Barbosa

O casino Oceanus, que ontem abriu ao público numa cerimónia que contou com a presença do Chefe do Executivo, pretende beneficiar da proximidade relativamente ao Terminal Marítimo de Macau (ao qual está ligado por um passadiço) para atrair os visitantes que permanecem na região durante um curto lapso de tempo. Na conferência de imprensa de apresentação do espaço, Ambrose So preferiu não quantificar a expectativa da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) relativamente ao número de visitantes, mas foi avançando com alguns dados que inspiram optimismo à operadora de Stanley Ho: “A média de estadia em Macau é de 1.4 noites por visitante. Por outro lado, oitenta por cento dos visitantes que chegam à região provêem do Terminal Marítimo e é muito provável que, ao verem a atracção dourada que é o Oceanus, visitem o espaço”.
O director executivo da SJM sublinhou que o público-alvo do casino, onde não existem salas VIP, é o mercado de massas. Ambrose So chegou mesmo a brincar quando descrevia o tipo de clientes que o Oceanus pretende atrair: “Uma pessoa não demora três minutos entre o terminal e o casino e poderá estar aqui [no Oceanus] três ao quatro horas, antes mesmo da mulher saber que esteve em Macau”.
O espaço de 32 mil metros quadrados, onde anteriormente funcionou uma loja da New Yaohan, está equipado com 260 mesas e 560 slot machines espalhadas por três andares. Sabe-se que custou 1,5 mil milhões de dólares de Hong Kong a reabilitar, em obras que se prolongaram ao longo de 18 meses, mas não se sabe ainda que proventos irá trazer para a SJM. Ambrose So citou cálculos de analistas, que falam de um rendimento de 20 mil dólares por dia em cada mesa. Tendo em conta essas previsões, a SJM espera ganhar alguns pontos na quota de mercado quando o casino estiver em plena operação. Isto mesmo sem a ajuda de promotores de jogo (“junkets”), que, pelo menos por enquanto, não operarão no Oceanus.
Com a abertura do casino, a SJM passa a contar com um total de 1700 mesas e, segundo o seu responsável executivo, “encontra-se numa boa posição estratégica”, e será “menos afectada” pelas restrições regulamentares ao jogo que poderão vir a ser impostas pelo regulador no futuro.
Notando “a data auspiciosa” de abertura do espaço, em vésperas da comemoração do décimo aniversário de transferência de soberania de Macau, o director executivo da SJM informou que vai ser construído um viaduto de ligação ao complexo comercial Jai Alai. “O Oceanus é o primeiro casino ao qual os passageiros chegam quando chegam ao terminal marítimo e é também o primeiro a que chegam quando vêem do posto fronteiriço de Gongbei, a norte”, reforçou.

“Cubo” por fora, por dentro casino

Antes da abertura oficial, os jornalistas tiveram a oportunidade de percorrer todos os cantos do novo espaço de jogo, que empregará 2400 pessoas e tem arquitectura de interiores a cargo de Paul Steelman, que também foi responsável pelo interior do casino Sands. O interior está decorado em tons de azul marinho e os pilares que estruturam o edifício vão mudando de cor, tal como acontece à noite com a fachada exterior, que tem uma forma semelhante à do famoso “cubo de gelo”  – a piscina olímpica dos jogos de Pequim (ver texto nesta página). Nas paredes, surgem alguns motivos marítimos que evocam um simbolismo, especificou Ambrose So: “A água é fonte de energia e poder e representa também a riqueza e a boa sorte, de acordo com a tradição chinesa.”
Para além das habituais mesas e máquinas (algumas delas pouco frequentes, como a que converte bilhetes de prémio em dinheiro, com a forma de uma ATM), o casino expõe, em dois escaparates, uma luva usada pelo falecido cantor Michael Jackson no famoso videoclip onde dançava ao estilo “Moonwalk” (em 1983) e uma trufa branca gigante, que foi comprada em leilão pela SJM. Em termos de restauração, o espaço conta com cinco espaços, entre os quais o “Treasure House”, dedicado à cozinha cantonense e o “Jackpot Noodle”, com pratos oriundos de diversas províncias.

CAIXA

Desnecessário glorificar o jogo

Alguns observadores consideram que na exposição comemorativa do décimo aniversário da RAEM, inaugurada na semana passada em Pequim, o sector do jogo está sub-representado. Angela Leong, da SJM, fez parte da delegação de Macau que visitou a mostra da capital chinesa, mas não se mostrou melindrada por essa eventual secundarização dos casinos: “Toda a gente sabe que a indústria do jogo em Macau é fulcral, não é necessário glorificá-la. Há pessoas de outras áreas que estão a contribuir para o desenvolvimento da RAEM, penso que também é apropriado destacar o esforço delas”, disse, em resposta a um jornalista.

No comments yet

Leave a Reply

Note: You can use basic XHTML in your comments. Your email address will never be published.

Subscribe to this comment feed via RSS