Pequim autoriza Macau maior
As autoridades chinesas aprovaram o pedido do Governo da RAEM para a construção de um aterro de mais de 360 hectares. Pequim pede cuidado com a protecção ambiental. Macau agradece a prenda e assegura que vai construir uma zona urbana “ordenada”.
Não são fornecidos detalhes, a não ser a dimensão do aterro em causa. Numa nota ontem veiculada pelo Gabinete de Comunicação Social, informa-se que o Conselho de Estado aprovou o pedido da RAEM referente à criação de um aterro de 361,65 hectares. A terra reclamada ao mar destina-se à construção de uma “nova zona urbana”.
Pequim “solicitou acompanhamento e gestão da parte do Governo de Macau no reforço da protecção ambiental das áreas adjacentes ao aterro e nas oportunidades que o projecto irá oferecer”, indica a nota à imprensa.
Para o Executivo local, a autorização do Conselho de Estado revela o “total apoio” do Governo Central à RAEM, sendo que assegura igualmente “a prosperidade e o desenvolvimento sustentável a longo prazo, demonstrando a vantagem e a vitalidade do princípio ‘um país e dois sistemas’”.
A menos de um mês do fim do seu mandato – esta será a última prenda de Pequim ao homem que liderou politicamente a RAEM durante os seus dez anos de vida -, Edmund Ho manifestou “os mais sinceros agradecimentos ao Governo Central pela atenção e apoio dados”. Para o Executivo da RAEM, a autorização do Conselho de Estado constitui uma “grande notícia” para Macau, pois trata-se de um “importante impulso na resolução da carência de recurso de terras”.
O Governo acredita que a construção deste novo aterro “irá contribuir para acelerar a construção de uma cidade agradável de habitar, assim como aumentar a qualidade de vida dos residentes e promover o desenvolvimento sustentável e coordenado”.
Na reacção ao conselho deixado por Pequim, as autoridades da RAEM asseguram que irão “aproveitar atempadamente esta oportunidade, ter em consideração o desenvolvimento global de Macau, elaborar de forma científica um plano de construção urbana e construir a nova zona urbana de forma ordenada”.
Esta zona nova urbana irá permitir a construção de mais instalações públicas e espaços verdes – promete o Governo -, reservar terrenos apropriados para construção de habitação pública e para o “desenvolvimento dos sectores que correspondem à política de diversificação económica”.
“Visto que a construção da nova zona urbana implica o plano de desenvolvimento de Macau a longo prazo, durante o processo de elaboração, o Governo da RAEM irá auscultar de forma ampla e aprofundada as opiniões de todos os sectores sociais, dos especialistas e académicos, e realizar estudos e análises científicas”, afiança o Executivo, que se compromete também a “concretizar os respectivos trabalhos de forma ordenada e valorizar os trabalhos de ‘feedback’ e sensibilização”.
Recorde-se que a entrega do pedido a Pequim para a construção de aterros sem consulta prévia sobre a matéria causou algum descontentamento entre a classe política de Macau – particularmente junto da Associação Novo Macau Democrático, que chegou a enviar uma missiva ao Governo Central em que demonstrou as suas reticências quanto à expansão do território. Os deputados pro-democratas temem que, depois da aprovação por Pequim – que agora se concretizou – as autoridades locais não dêem ouvidos às aspirações da população em relação ao desenvolvimento urbano de Macau.
