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Lisboa de olhos abertos, mas satisfeita

November 30, 2009

Portugal “continua atento, mas satisfeito” com a aplicação dos princípios da Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre Macau que há dez anos se tornou na segunda Região Administrativa Especial da República Popular, afirma o cônsul português.
“Felizmente, a Declaração Conjunta tem sido observada e Portugal continua atento, mas satisfeito com a maneira como a Declaração Conjunta foi aplicada pelo lado da China e pelas autoridades de Macau”, disse, Manuel Cansado de Carvalho, em declarações à Agência Lusa, a propósito do décimo aniversário da transição de Portugal para a China.
Para o diplomata português, o balanço dos primeiros dez anos do território como região administrativa especial da China “é claramente um balanço positivo”.
“O plano da Declaração Conjunta previa que Macau mantivesse a sua identidade especial dentro da China e por isso é uma região administrativa especial. Macau tem tido o cuidado de o fazer, isso é um desafio agora e no futuro, mas olhando para os primeiros 10 anos claramente que esse desafio foi encarado e respondido com sucesso”, afirmou.
O cônsul português explicou também que o acompanhamento de Portugal sobre as questões de Macau é feito pela presença física de uma representação consular, pelo contacto com a comunidade “que está bem integrada” na sociedade e pelo diálogo mantido com a entidades oficiais e privadas como as empresas e a imprensa.
Com uma comunidade de cerca de 130 mil pessoas entre Macau e Hong Kong – dos quais apenas cerca de 10 mil terão maior ligação a Portugal quer por serem portugueses vindos da Europa ou porque têm “velhas raízes euro-asiáticas” – Manuel Carvalho recorda que além das pessoas que estão no território há muito tempo há também caras novas.
“Há chegadas recentes vindas de outras partes do mundo por causa das oportunidades económicas que aqui e em Hong Kong surgem”, afirmou ao salientar que chegam mais pessoas a Macau do que à antiga colónia britânica.
Manuel Carvalho escusa-se a definir o papel da comunidade portuguesa, mas sublinha que Macau “tem uma identidade única” que “é marcada pela extraordinária combinação de culturas que a história produziu nesta parte do mundo e em que (nós) portugueses, bem ou mal, mas na maior parte das vezes bem, conseguimos encontrar uma forma de estar com os chineses e com a China”.
A presença portuguesa, disse, resultou “em parte” de uma presença administrativa, mas também de uma “teia densa de interesses recíprocos que se criou e que fez com que (nós) acabássemos por nos entender bem aqui e que, mesmo depois da transição que continuemos a ter, parece-me, um espaço aqui”.
O cônsul salientou ainda que a comunidade portuguesa “é diversificada” e no seu conjunto “bastante bem qualificada” que inclui desde o “bancário ao banqueiro” e que “tem sabido encontrar o seu espaço aqui em Macau”.
“(A comunidade) é geralmente bem recebida aqui na cidade dez anos depois do regresso à China, penso que valoriza a cidade e é reconhecida por isso”, concluiu.

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