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A diferença de Macau está nas mãos de quem cá vive

November 30, 2009

A transição de poderes de Macau e Hong Kong para a China trouxe “erosão de liberdades” e a manutenção do modelo “um país, dois sistemas” só depende da população, defendeu a vice-presidente do Partido Democrata da ex-colónia britânica.
Macau e Hong Kong “mantiveram o princípio ‘um país, dois sistemas’, mas houve erosão de liberdades civis, do Estado de direito, e a China está a interferir constantemente”, disse Emily Lau à Agência Lusa por ocasião do décimo aniversário da transição de Macau para a China.
Para a primeira mulher eleita por sufrágio directo ao Conselho Legislativo de Hong Kong, ainda durante a administração britânica (1991), “alguns direitos e liberdades foram preservados, mas outros estão a ser perdidas devido a uma forte auto-censura feita pelos media, empresários e políticos que não querem zangar Pequim”.
“A lição que todos aprendemos com a transição é que temos de lutar pelos nossos direitos, porque se não fizermos nada, vamos ser espezinhados”, sublinhou Emily Lau, para quem a afirmação das regiões administrativas especiais no futuro da Grande China passa pela defesa de direitos que considera universais.
“Queremos preservar um Estado de direito, ‘um país, dois sistemas’, com elevado grau de autonomia, liberdades e direitos humanos, que é algo que, para já, as outras cidades da China não têm, e esperamos vir a ter democracia”, defendeu.
“Se não houver determinação (da população) em continuar a lutar pelo princípio ‘um país, dois sistemas’, não vão ser precisos 40 anos, porque tudo acabará muito depressa e passaremos apenas a fazer parte da China”, observou.
Por isso, continuou, Macau e Hong Kong têm como desafio serem “donas do próprio destino”, o que só será possível com a conquista do sufrágio universal, meta que, em Hong Kong, defende para 2012, apesar de Pequim sugerir 2017.
Para Emily Lau, Macau terá maior dificuldade em conseguir o sufrágio universal porque considera haver na RAEM uma “maior opressão” face a Hong Kong, e alerta a população para a necessidade de fazer mais “exigências e reclamar mais do Governo”.
Olhando para a Macau de há dez anos, a deputada constata que os portugueses preservaram na região a sua cultura e identidade e deram aos residentes o direito à cidadania portuguesa, ao contrário da administração britânica, mas aponta um “mau trabalho” no que se refere à melhoria das condições de vida da população.
Hoje, a pró-democrata de Hong Kong realça alguns problemas nas relações entre as duas regiões, designadamente as proibições de entrada em Macau a alguns residentes de Hong Kong, o que, defende, “envia um sinal negativo para a comunidade internacional de que Macau está cada vez mais como a China continental. Muito autoritária, com o Governo a agir de forma arbitrária e a não respeitar os direitos das pessoas”.
A vice-presidente do Partido Democrata de Hong Kong, Emily Lau, teceu, em Março, críticas ao Governo de Macau por ter impedido a entrada de cinco políticos da antiga colónia britânica na cidade.
Os deputados Leung Kwok-hung e Lee Cheuk Yan, e os políticos Ku See Yin, Lui Yuk Lin, Tsang Kin Shing, o último ex-parlamentar, estavam integrados num grupo de 35 cidadãos de Hong Kong que se deslocou a Macau e viram negada a sua entrada. Na altura, uma nota da Polícia de Segurança Pública, sustentou o impedimento de entrada com a Lei de Segurança Interna.
A forte dependência do sector do jogo, a apatia da população e outros problemas sociais ligados ao desemprego e criação de oportunidades para os mais desfavorecidos são, segundo a vice-presidente do Partido Democrata de Hong Kong, outros aspectos que necessitam de cuidado no futuro para que Macau possa abrir um novo capítulo da sua História.

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