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Obrigado a Edmund Ho não é para todos

November 27, 2009

A Assembleia Legislativa aprovou ontem um voto de agradecimento ao Chefe do Executivo. A menos de um mês do fim do consulado de dez anos de Edmund Ho, a iniciativa não contou com o apoio de todos os membros do órgão, uma vez que os três deputados pro-democratas votaram contra e Pereira Coutinho optou pela abstenção.
Assim que começou o plenário, Fong Chi Keong apresentou a deliberação aos colegas do hemiciclo. “O sucesso de Macau deve-se, em larga medida, à promoção das acções do Governo da RAEM, encabeçado pelo Chefe do Executivo, Edmund Ho”, lê-se no documento.
Expressando, através deste voto, o agradecimento ao líder do Governo por ter “superado todos os obstáculos que pareciam, à partida, inultrapassáveis”, a deliberação reitera que de “um clima de grande insegurança” – vivido aquando da transferência da administração – passou-se para um clima de desenvolvimento económico, em que os “saldos atingem hoje a soma de 100 mil milhões de patacas, cerca de sete vezes mais do que o registado há dez anos”. Tudo graças às políticas de Edmund Ho.
Segundo o voto de agradecimento, o Chefe do Executivo, “lançou, em boa hora e de acordo com as circunstâncias reais de Macau, uma série de medidas, especialmente a liberalização do jogo, tendo assim atraído com sucesso empresas americanas e de Hong Kong”, à qual se seguiu “uma estratégia de desenvolvimento adequado às reais circunstâncias de Macau”.

A oposição

Paul Chan Wai Chi, Ng Kuok Cheong e Au Kam San não concordam com esta perspectiva. Referindo-se a alguns casos, ocorridos ao longo de dez anos de vida da RAEM – como “a concessão de terrenos a preço de saldo no Cotai que levantaram a suspeita de clientelismo” ou a condenação por corrupção do antigo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long -, defenderam que “o Chefe do Executivo não conseguiu implementar uma responsabilização”, palavras utilizadas por Ng Kuok Cheong.
Por seu turno, Au Kam San realçou que, se antes havia pobreza, agora existe “um sistema imperfeito, com crescimento económico e um progresso nos cofres da RAEM”, o que não apaga os casos de corrupção que têm ocorrido ao longo destes dez anos.
Já Paul Chan Wai Chi afirma que três valores fundamentais ficaram por atingir ao longo deste período. São eles a justiça, a imparcialidade e a transparência.

Os elogios

As críticas dos pro-democratas não são partilhadas pela maioria do hemiciclo. Lau Veng Seng, por exemplo, realça a grande diferença, em termos de qualidade de vida e emprego, verificada antes e depois da transferência. “O Governo atingiu resultados satisfatórios; a RAEM possui recursos abundantes”, observou.
Kwan Tsui Han também enalteceu o papel do Chefe do Executivo na promoção do crescimento de Macau.
Afinal, ao longo de dez anos de RAEM, “a economia progrediu e a reputação de Macau elevou-se no seio internacional”. Porém, não deixou de tecer uma crítica ao voto de agradecimento apreciado em plenário: “Não estão elencadas as falhas da governação.”

Luciana Leitão

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