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Guia Michelin 2010 foi apresentado ontem em Hong Kong

November 27, 2009

É o que promete um dos guias gastronómicos e hoteleiros mais prestigiados do mundo na segunda edição para Hong Kong e Macau. A cidade vizinha tem mais 14 estrelas em 2010, Macau sobe de seis para nove. Mas nenhuma vai para restaurantes portugueses ou macaenses.

Nuno Mendonça
Em Hong Kong

É um sinal dos tempos. O Michelin 2010 para Hong Kong e Macau optou por um maior equilíbrio entre os templos gourmet e aqueles onde não se paga mais de 300 patacas. “De um lado os restaurantes de luxo, do outro aqueles onde se come muito bem por um óptimo preço,” disse Jean-Luc Naret, o director dos guias Michelin na apresentação, esta quinta-feira, da nova edição do guia em Hong Kong.
Em termos gerais, tanto Hong Kong e Macau melhoraram em relação a 2009. A antiga colónia britânica é hoje, nas palavras de Naret, “uma das capitais gastronómicas mundiais”, só ultrapassada por Nova Iorque em número de estrelas, apesar de Tóquio ter um total de 11 restaurantes com três estrelas (numa cidade onde existem 160 mil restaurantes!), a mais alta distinção Michelin. Esmagador se pensarmos que Hong Kong tem apenas dois locais com tal galardão…

Os estrelados e os bons e baratos…

Mas vamos aos vencedores em Macau. A comida francesa do Robuchon a Galera continua imbatível para o palato exigente dos anónimos inspectores Michelin que voltaram a dar-lhe três estrelas, o único a merecer a nota máxima em Macau. Por sinal Joel Robuchon vê novamente o seu L’Atelier em Hong Kong ser premiado com duas estrelas.
Novidade com duas estrelas é o restaurante chinês do Four Seasons Macau, o Zi Yat Heen, sozinho com duas estrelas. E com uma, vêm os restantes sete. Tim’s Kitchen no Grand Lisboa perdeu uma estrela em relação ao ano passado, mas as surpresas este ano são o Aurora (italiano) no Altira, os chineses Jade Garden e Lei Garden e o também chinês Wing Lei do Wynn (com o chef Peter Chan à frente da cozinha). A manter a qualidade e merecendo uma estrela para a Michelin continua o Eight, também no Grand Lisboa.
Mas também há surpresas no Bib Gourmand, a listagem Michelin para os restaurantes baratos. Pela primeira vez uma loja de sopa de fitas de Macau faz a estreia no prestigiado guia: a Cheong Kei, que com a Laurel e a casa de chá Lung Wah são as novidades da lista onde continuam a figurar a Noodle and Congee Corner do Grand Lisboa e a Square Eight do MGM.
O PONTO FINAL/Macau Closer (os únicos representantes visíveis de Macau) quiseram saber porque é que numa cidade onde as gastronomias portuguesa e macaense são tão procuradas, não há um único restaurante do género a merecer uma estrela, nem mesmo uma presença no Bib Gourmand. “Falta de consistência,” respondeu Jean-Luc Naret, adiantando que os inspectores “se numa tinham uma refeição deliciosa na primeira visita, na segunda vez já deixava a desejar”. Opiniões que muitos por aqui vão achar, no mínimo, discutíveis.
Em Hong Kong, e sem querer esgotar o leitor com 42 nomes, vale a pena dizer que há agora dois restaurantes com três estrelas e ambos no Four Seasons local: o francês Caprice e o prestigiado repetente chinês Lung King Heen, do chef Chan Yan-tak, o primeiro chef chinês com três estrelas Michelin no mundo (na edição de 2009) e que, segundo Naret, recebeu dezenas de convites de restaurantes em todo o mundo para mudar a sua arte para outras latitudes. Tentações mal sucedidas até ao momento, para alívio do Four Seasons.

Sérios, isentos, impolutos

O Four Seasons Hong Kong, onde decorreu a conferência de imprensa de ontem, acabaria por ser o foco polémico da apresentação do guia, quando uma jornalista quis saber se era mesmo coincidência a imprensa estar no mesmo hotel que mereceu um total de seis estrelas para dois dos seus restaurantes, ainda por cima as mais cobiçadas do Michelin.
“Não estou feliz com essa insinuação,” lançou Naret, perdendo por uma vez a postura requintada, mas bem disposta. E insistiu que não havia ali qualquer relação dúbia, garantido que o gerente do hotel “ficou em choque” quando soube da distinção e insistindo que o segredo do guia desde 1900 é exactamente o seu anonimato. “E já agora esclareço que quando sair daqui no domingo, pagarei a minha conta por inteiro”, ripostou ainda Naret. Esclarecidos.

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