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Ministro Teixeira dos Santos escreveu a Edmund Ho

October 30, 2009

Portugal está apostado nos próximos anos em “reduzir” o défice comercial com a China, e Macau tem um papel fundamental nesse desafio, defendeu o ministro Teixeira do Santos numa carta enviada ao Chefe do Executivo da RAEM.
Teixeira dos Santos sublinha nesta carta o objectivo português numa altura em que as últimas estatísticas oficiais indicam que, entre Janeiro e Agosto, Portugal exportou produtos no valor de 288 milhões de dólares para a China continental, mais 23 por cento do que no período homólogo de 2008.
No entanto, Portugal é deficitário no comércio com a China já que, no mesmo período, importou produtos no valor 1.182 milhões de dólares, uma redução de 20,1 por cento face ao mesmo período de 2008.
Na carta – cujo conteúdo formal não foi divulgado -, entregue a Edmund Ho pelo cônsul de Portugal no território, Manuel Carvalho, durante a Feira Internacional de Macau, é também referido que Portugal tem muito para oferecer a Macau e à China como empresas modernas, inovadoras e de elevado conteúdo tecnológico das energias renováveis às tecnologias da informação, do agro-alimentar aos materiais de construção.
As autoridades e as empresas de Macau conhecem o que Portugal tem para oferecer e as empresas portuguesas sentem-se bem a trabalhar com Macau, sublinha Teixeira dos Santos.
O ministro destaca também que o papel da China na recuperação económica mundial valoriza Macau e salienta que Portugal olha para a Região Administrativa Especial chinesa sempre que olha para a Grande China.
Salientando o papel do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, os compromissos assumidos em 2005 pelos ministros dos diversos países da lusofonia em duplicar as trocas comerciais com a China até 2009 e que foi atingido em 2008, Teixeira do Santos salientou ainda o papel da Feira Internacional de Macau, a qualidade e abrangência do evento onde também participaram empresas portuguesas.
Na carta a Edmund Ho, o ministro refere ainda o simbolismo dos 10 anos de Macau como região administrativa especial chinesa para salientar o sucesso do processo de transição que classifica de exemplar e que reforça o papel especial da cidade.

Trocas comerciais com países de língua portuguesa caíram 31,64 por cento até Agosto

As trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa caíram 31,64 por cento entre Janeiro e Agosto de 2009 para 36,49 mil milhões de dólares face aos primeiros oito meses de 2008.
De acordo com dados oficiais, a China vendeu produtos no valor de 10,88 mil milhões de dólares, menos 32,35 por cento do que entre Janeiro e Agosto de 2008, e comprou produtos no valor de 25,60 mil milhões de dólares, menos 31,33 por cento face aos primeiros oito meses do ano passado.
O Brasil continua a ser o principal parceiro lusófono da China com um volume de trocas comercias de 25,4 mil milhões de dólares, menos 22,8 por cento do que entre Janeiro e Agosto de 2008.
As exportações da China para o Brasil totalizaram 7,78 mil milhões de dólares – menos 38,7 por cento – enquanto que as importações chinesas atingiram 17,6 mil milhões de dólares, menos 12,8 por cento.
Com Angola, o segundo parceiro chinês entre os países de língua portuguesa, as trocas comerciais atingiram 9,2 mil milhões de dólares, menos 50,3 por cento do que nos primeiros oito meses de 2008 com as compras chinesas a fixarem-se em 7,59 mil milhões de dólares – menos 55 por cento – e as vendas a totalizarem 1,6 mil milhões de dólares, ou menos 5,1 por cento.
Para Portugal, o terceiro parceiro comercial da China, seguiram mercadorias chinesas no valor de 1.18 mil milhões de dólares, contra compras chinesas de 288 milhões de dólares, valores que traduzem uma quebra de 20,10 por cento nas vendas chinesas e uma subida de 23 por cento nas vendas de Portugal para a China, como atrás se mencionou.
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como a sua plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o fórum que reúne ao nível ministerial de três em três anos.

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