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Caso Ao Man Long | Au Kam San quer ouvir o Chefe do Executivo

October 30, 2009

Edmund Ho tem a obrigação de quebrar o silêncio e prestar esclarecimentos sobre o escândalo de corrupção do ex-secretário das Obras Públicas antes de deixar o cargo, em Dezembro próximo. O repto foi lançado ontem por Au Kam San, no período antes da ordem do dia da Assembleia Legislativa, e acontece quando faltam 50 dias para o fim do mandato do actual líder do Governo.

O caso de corrupção do ex-secretário Ao Man Long, condenado a 28 anos e meio de prisão por corrupção passiva e branqueamento de capitais, “não está ainda totalmente resolvido, já que não foi ainda definida a responsabilidade jurídica e administrativa do superior hierárquico”. Quem o diz é Au Kam San, que quer que Edmund Ho esclareça o assunto antes de deixar o Palácio do Governo.
No decorrer do julgamento, Ao Man Long referiu que as obras públicas de montante superior a seis milhões de patacas tinham de ser superiormente autorizadas, argumentos que para o deputado pró-democrata são “justificados pela lei”.
Na altura, “muitos desejaram que o Chefe do Executivo prestasse declarações ou se deslocasse ao tribunal para mostrar a sua inocência face à afirmação do ex-Secretário – ‘tudo foi autorizado pelo meu superior hierárquico´”, mas Edmund Ho alegou independência judicial e o pretexto do caso correr ainda nos tribunais para se recusar a prestar quaisquer esclarecimentos, lembrou Au.
O Chefe do Executivo “sacrificou o seu bom nome e reputação para assegurar a independência judicial”, constata o deputado, ao salientar que Edmund Ho deverá ter tido como base “razões que certamente merecem entendimento”, ressalvando, porém, que aqueles “pretextos já não servem”, uma vez decorridos mais de dois anos da condenação de Ao Man Long.
“Faltam 50 dias para Edmund Ho terminar o seu mandato, por isso, não tem mais razões para se esquivar ao assunto. Antes de terminar o seu mandato deve prestar esclarecimentos e, caso exista algum facto que lhe seja imputável, é necessário que assuma as devidas responsabilidades”, sublinhou Au Kam San.
“Se nem o Chefe do Executivo tem a coragem para assumir as suas responsabilidades, como é que os outros dirigentes, que integram todo um sistema que é burocrático, vão assumir as suas?”, questionou.
Para o deputado reeleito, Edmund Ho “não pode, pelo menos, esquivar-se da sua responsabilidade política quanto à prática de corrupção no âmbito da concessão das obras que envolveram montantes superiores aos limites estipulados em Ordem Executiva” e em matéria de concessão de terrenos, que Au Kam San julga poder “ser outra fonte de corrupção devido às dispensas de concurso público”.
Nos dez anos desde a transferência de administração, o Governo “cometeu inúmeros erros e negligências, com o conluio entre dirigentes e empresários e o nepotismo a assumirem as mais diversas formas, demonstrando bem a péssima qualidade da governação”, considera o deputado.
Para Au Kam San, o facto dos governantes de Macau não serem eleitos por sufrágio universal contribuiu para a “criação de uma cultura de protecção e encobrimento entre os dirigentes”.

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