É mais importante educar que multar, diz a PSP
Autuar os veículos que não param nas passadeiras ou os peões que saltam para o meio da estrada em locais onde não é permitido atravessar a rua não é a solução para acabar com as infracções à Lei do Trânsito Rodoviário. A teoria é da PSP, que acha que só com a educação é que se conquistam bons resultados. A partir do final deste mês, sensibilizam-se residentes e turistas com festas, sorteios, concertos e “interacções”.
Isabel Castro
“Respeitar as regras de trânsito é respeitar a segurança rodoviária.” O mote está dado e as actividades organizadas: a partir do próximo dia 31, Macau vive uma campanha de sensibilização que tem, por objectivo, “incentivar os cidadãos a respeitar a legislação e a conduzir com civismo”.
O ponto alto desta campanha acontece no dia 31, com o “Carnaval de Segurança Rodoviária” a levar a cabo no Tap Seac. É ali que, durante quase três horas, se farão jogos e se poderá ver música e dança ao vivo. Há ainda um “grande sorteio”, explicaram os organizadores numa conferência de imprensa promovida ontem pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), que se junta à PSP, bem a outras entidades públicas e associações cívicas para este mês de sensibilização dos condutores. A acção não tem um alvo em especial – destina-se a gente de todas as idades, residentes e turistas.
“Carnaval” do Tap Seac à parte, do programa constam ainda duas “interacções”, ambas marcadas para o dia 11 de Novembro: a primeira passa-se com os estudantes e é sobre o conhecimento do trânsito; a segunda será entre a polícia e os cidadãos em geral.
No fim do mês, quase a terminar, assinala-se o primeiro aniversário do Centro de Informação da Segurança Rodoviária. Os responsáveis pelas instalações na Taipa assinalam a data com um “dia aberto” à população.
Conflituosas multas
Questionados pelo PONTO FINAL sobre o efeito deste tipo de campanhas – que não são inéditas – no comportamento de condutores e peões, os representantes da DSAT e da PSP na conferência de imprensa ontem realizada optaram por não dar uma resposta directa, defendendo apenas a importância da sensibilização. E para quando campanhas em continuidade, principalmente junto dos mais jovens? A chefe de divisão de Relações Públicas da DSAT, Kwong Weng Kei, assegurou que esse tipo de trabalho faz parte das preocupações das autoridades governamentais, sem mais explicações.
Confrontado com o frequente desrespeito das regras de trânsito tanto por condutores (para os quais as passadeiras não existem), como por peões (que atravessam a rua em locais proibidos, nem que para tal seja necessário saltar vedações de protecção), o representante da PSP mostrou ser, acima de tudo, defensor das acções de sensibilização.
“Temos de conjugar as infracções com as acções de sensibilização, porque estas são muito importantes no processo de educação”, disse. Prometendo revelar números num futuro breve, o chefe de divisão do Comissariado de Trânsito da PSP não avançou qualquer proporção entre multas por desrespeito pelas zebras, e aquelas que são deixadas nos vidros dos automóveis mal estacionados. Todas juntas, referiu Lam Wai Man, são mais de “300 mil”.
“Sendo uma cidade turística, entram em Macau milhares de visitantes. A sensibilização não é aplicada só aos residentes, mas também aos turistas”, explicou Lam. “A aplicação de multas cria sempre conflitos entre a polícia e os cidadãos”, referiu, acrescentando que, em nome da segurança dos peões, a PSP sugeriu ao Governo construção de mais passagens superiores.
Parquímetros para estudo
À margem da conferência de imprensa, o chefe da divisão da DSAT responsável pelas questões ligadas ao estacionamento, Ao Seng Chi, disse aos jornalistas que não deverá estar para o futuro breve uma subida das tarifas dos parquímetros. “Há muito tempo que o valor não é alterado, mas são necessários estudos e pesquisas para ver se uma subida é razoável”, afirmou. O mesmo responsável adiantou que o Governo está a encorajar os “parques privados a abrirem ao público”, numa tentativa de minimizar as dificuldades no estacionamento.
Quanto à possibilidade de introdução de parquímetros em Macau que permitam a emissão de recibo, essencial para que se possa fazer prova do cumprimento da lei, Ao Seng Chi admitiu ao PONTO FINAL que têm sido vários os residentes a levantar o problema. “Vamos estudar o assunto”, disse. Alguma data para começar e terminar essa pesquisa? “Não.”
