World Press Photo inaugurada hoje em Macau
Até ao dia 6 de Novembro é possível ver de perto e em detalhe, na Doca dos Pescadores, duas centenas de imagens que ilustram o mundo no ano de 2008. A mostra de fotojornalismo World Press Photo apresenta-se na RAEM pela segunda vez, trazida pela Casa de Portugal em Macau, e já está garantido o seu regresso até 2011.
Maria Caetano
São mais de duas centenas de imagens que ilustram o ano de 2008 através do olhar de fotógrafos profissionais de todo o mundo. A exposição World Press Photo abre hoje as portas na Doca dos Pescadores, em Macau, mostrando pessoas e momentos exemplares do ano que passou, num regresso dos mais prestigiados prémios de fotojornalismo ao território.
A crise financeira internacional, o terramoto de Sichuan, a invasão da Geórgia pelos militares russos no conflito sobre a Ossétia do Sul, os conflitos étnicos do Quénia, a devastação causada pelo ciclone Nargis em Myanmar ou as eleições presidenciais norte-americanas fizeram algumas das principais manchetes da imprensa em 2008, acontecimentos ilustrados por fotografias que muitas vezes falam por si, outras não.
Foi o caso da foto vencedora este ano. A imagem de um agente de arma em punho entrando numa casa em nítido estado de abandono remete para um qualquer caso de rusga policial.
Na verdade, a imagem, da autoria do fotógrafo Anhony Suau para a revista Time, foi considerada a mais ilustrativa da crise financeira internacional – o acontecimento de maior impacto nas notícias do ano passado. A casa em abandono foi uma das muitas sujeitas a penhora após a crise das hipotecas norte-americana.
“Diz-nos muito mais do que mostrar uma imagem de Wall Street”, afirma Femke van der Valk, a comissária da exposição que, pela segunda vez, é apresentada no território, a convite da Casa de Portugal em Macau (CPM).
Regresso assegurado
A mostra de fotojornalismo, que decorre entre os dias 17 de Outubro e 6 de Novembro, já tem continuidade assegurada, segundo deu ontem a conhecer a responsável da Fundação World Press Photo na conferência de imprensa de apresentação da iniciativa.
“Temos contrato por três anos. Por isso estaremos de volta por mais dois anos. É uma óptima notícia”, revelou sobre o contrato assinado com a CPM .
No ano passado, a exposição da RAEM recebeu cerca de dois milhares de visitantes e a Casa de Portugal diz querer manter a aposta. “Queremos que seja um evento de Macau. Para isso, tem de acontecer todos os anos”, afirma Amélia António, a presidente da CPM.
Na actual edição, Macau é o único lugar da República Popular da China a receber a mostra, que visita também Taiwan e o Japão.
“Queremos que as pessoas se tornem mais entusiastas. Assim, também será possível ter mais apoios”, diz Amélia António, que acredita que a exposição poderá este ano receber mais visitantes pelo facto desta ser apresentada na Doca dos Pescadores, ao invés do Centro de Actividades Turísticas, onde decorreu no ano passado. “No actual local de certeza que terá muito mais visitantes”, espera.
Seis premiados chineses
Este ano, o júri do World Press Photo analisou 96.268 fotografias, de 5508 fotógrafos, de 124 países. “Um número recorde”, segundo a Fundação, do qual 490 propostas foram apresentadas por jornalistas chineses.
Seis dos trabalhos de autores chineses foram premiados. Três fixam imagens dos trabalhos de resgate das vítimas do terramoto de Sichuan, ocorrido a 13 de Maio de 2008. Outras duas propostas de imagens dos Jogos Olímpicos foram distinguidas e venceu ainda um trabalho, na categoria de Natureza, que retrata as margens do lago de Hangzhou ao ritmo da mudança das estações.
Estas e outras imagens estarão a partir de hoje em exibição no Edifício Lisboa da Doca dos Pescadores em duzentos painéis com cerca de dois metros de largura. Ao contrário do ano passado, não haverá desta vez monitores através dos quais é possível visualizar todas as obras apresentadas ao júri da competição. O catálogo da exposição estará no entanto disponível para venda.
Também, através de qualquer computador com acesso à internet, é desde este ano possível aceder ao arquivo que contém todas as imagens apresentadas nas 52 edições dos prémios criados em 1955.
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Caixinha
World Press Photo adapta-se à era digital
Até aqui, os critérios utilizados pela World Press Photo para reconhecer o carácter genuíno das imagens em competição têm servido de bitola a publicações de todo o mundo para imporem limites de manipulação aos seus fotojornalistas.
Mas é agora a própria organização que se procura adaptar aos novos tempos, devendo este ano alterar alguns dos critérios para a admissão de fotografias ao concurso.
Nas categorias de ‘notícia’, a organização continuará a manter critérios rígidos, os quais permitem apenas aos fotógrafos retocar as imagens nos limites do que se poderá fazer em qualquer câmara escura de um laboratório analógico.
“Para as categorias de notícias, continuará a haver orientações rígidas”, revelou ontem em Macau a comissária Femke van der Valk.
No entanto, haverá maior liberdade para as imagens apresentadas na categoria de Retratos e Artes e Entretenimento. “Provavelmente vamos tornar as coisas um pouco mais flexíveis”, admitiu. O essencial porém manter-se-á. As fotografias serão admitidas “desde que não seja alterada informação”.
A organização enfrenta também actualmente novos desafios na figura do cidadão-repórter, munido de aparelhos de captação de imagens nos seus telemóveis e que fornecem imagens aos órgãos de informação. “Há uma regra segundo a qual os membros do júri podem sugerir uma destas imagens para menção honrosa”, lembra Femke van der Valk, que afirma que as fotografias registadas por qualquer cidadão ou fotógrafo amador podem ser admitidas “se for importante e se a imagem se tiver tornado um ícone”.
No entanto, diz, esta hipótese foi aberta no ano passado, sem que até aqui qualquer júri do World Press Photo tenha proposto a prémio uma destas fotografias.