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Um passo em frente, dois atrás

September 30, 2009

300909São apenas duas as bandas estrangeiras que vêm este ano ao Festival da Lusofonia: os Quinta do Bill e uma formação angolana, cujo nome está no segredo dos deuses. Reduzida aos dias 23, 24 e 25 de Outubro, perdendo a pujança de 2008, a edição do Festival da Lusofonia conta com um orçamento de 1,5 milhões de patacas, menos 4,milhões do que no ano passado. As associações já se insurgiram.

Luciana Leitão

Vira o disco e toca o mesmo. No ano passado, o Festival da Lusofonia teve direito a um financiamento de 6 milhões de patacas. Este ano apenas poderá contar com 1,5 milhões. Volta-se, assim, ao esquema do “arraial” com a duração de um fim-de-semana. A “culpa” é do secretariado permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa que, este ano, não incluiu o evento no seu plano de actividades.
Mantém o nome de festival, apesar de nada mais ser do que uma festa. “Não será muito diferente do que aconteceu em 2007”, dois anos antes do investimento do Fórum. “É a 23, 24 e 25 [sexta, sábado e domingo] de Outubro”, explica o coordenador do Festival da Lusofonia, António Machado.
Arrancando às 19h na sexta-feira, no espaço das casas-museu da Taipa, logo nessa noite haverá espectáculos locais lusófonos, entre os quais se inclui o núcleo de crianças do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes e da Escola Portuguesa, além da Tuna Macaense, do Grupo de Danças e Cantares, estando ainda prevista a actuação do Elvis de Macau.
O dia seguinte será mais longo, começando as actividades logo às 11h, estando agendados, além da representação das dez comunidades lusófonas, os habituais jogos tradicionais. Em permanência, durante o fim-de-semana, estará a funcionar um restaurante. “A base é a comida lusa, mas haverá, todas as noites, três pratos típicos dos países de língua portuguesa”, afirma.

Quinta do Bill e uma banda angolana

Quanto a bandas estrangeiras, espera-se no sábado, a 24 de Outubro, a actuação dos Quinta do Bill, enquanto no dia seguinte deverá estar em palco uma banda angolana. O nome, porém, ainda está por revelar.
Além das actividades habituais, prevê-se ainda um espectáculo de dança portuguesa e brasileira, junto à Rua da Cunha, que visa promover o Festival de Lusofonia. Espera-se ainda a realização de um torneio de futebol disputado por oito equipas lusófonas convidadas pela organização.
Sem o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a organização do festival estará a cargo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e da Direcção dos Serviços de Turismo, tendo, este ano, por mero objectivo promover o “convívio da comunidade e da população local”, dado o corte no financiamento.

Associações contestam corte

“O Fórum de Cooperação Económica e Empresarial da China e dos Países de Língua Portuguesa não incluiu no plano de actividades o financiamento do Festival da Lusofonia.” Foi esta a explicação da coordenadora do gabinete de apoio do secretariado permanente, Rita Santos, quando inquirida pelo PONTO FINAL sobre os motivos para o desinvestimento no evento. Dizem os responsáveis das associações de matriz portuguesa contactados por este jornal que o corte no orçamento reflecte a importância que é dada à lusofonia.
Sobre o corte no financiamento não há muito a dizer. Segundo Rita Santos, foi uma decisão tomada em sede de secretariado permanente, mas, garante, as actividades culturais das associações lusófonas irão continuar a ser apoiadas pelo Fórum.
Este retorno ao modelo do “arraial” é, para a presidente da Casa de Portugal, Amélia António, “uma pena”. E, como em edições anteriores, tudo poderia ter sido diferente se as associações tivessem sido ouvidas.
Tendo no ano passado acorrido ao evento uma província da China Continental, Amélia António pensou que isso seria uma iniciativa a repetir-se.
Dado o desfecho, a presidente da Casa de Portugal afirma tratar-se de “uma perda lamentável”, até porque, se as associações tivessem sido envolvidas, talvez pudesse perceber-se que “não era assim tão incomportável”.
Dentro destas limitações, da Casa de Portugal pode esperar-se o habitual expositor – cujo formato fica ainda por revelar -, onde estarão à disposição produtos tradicionais, devendo ainda ser vendido artesanato produzido pelas sócias.

O significado da restrição

Para o presidente da Associação dos Macaenses (ADM), Miguel Senna Fernandes, a redução de orçamento reflecte o “que a lusofonia representa para as autoridades competentes”. Com estas limitações financeiras, fica-se “muito aquém daquilo que é necessário para que a festa seja um sucesso”.
E, salienta, sobretudo neste ano em que se assinala o 10o aniversário da RAEM, poderia esperar-se um outro tipo de apoio à lusofonia. Independentemente do bolo total que é garantido pelo Governo, diz o presidente da ADM que o subsídio que é atribuído a cada uma das associações raramente se altera. Seja como for, olhando para o financiamento total, percebe-se que se trata “de um orçamento vergonhoso para aquilo que a lusofonia poderia ser”.
Para este ano, a ADM irá apostar no seu expositor, não devendo haver grandes diferenças em relações a edições anteriores.

Magro orçamento

Para a presidente da Associação Casa do Brasil, Jane Martins, não é o bolo total que vem alterar significativamente o trabalho que pode desempenhar no Festival da Lusofonia. O subsídio que normalmente é atribuído às associações não se altera. “Já dissemos que o dinheiro não chega, as coisas continuam a subir de preço. Mas eles dão mais importância aos espectáculos. Todos os anos temos de tirar dinheiro do bolso”, afirma a responsável.
Para a edição deste ano pode esperar-se uma valorização do expositor, dando-se mais enfoque ao sul do Brasil. De resto, são as tradicionais caipirinhas e petiscos daquele país sul-americano.
Já o presidente do núcleo de animação cultural de Goa, Damão e Díu, José Colaço, não se queixa. O montante de dinheiro atribuído às associações não muda muito. “O ano passado foi melhor, mas voltamos agora ao esquema antigo. Não é por causa do orçamento que vamos deixar de participar no Festival da Lusofonia”, afirma, explicando que, para esta edição, pode esperar-se um expositor com artesanato, trajes tradicionais e um número inédito de dança. A culinária também estará ali representada.

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