Galeria 618 abriu portas na Rua da Felicidade
A tradicional rua do antigo bazar chinês de Macau foi o local escolhido por uma dupla de empresários de Hong Kong para abrir portas a uma galeria diferente no território. Os donos dizem querer criar um espaço relaxado e versátil, onde é possível tomar um café, apreciar as obras de novos pintores chineses ou até adquirir uma bicicleta.
Maria Caetano
Billy Chow e Kenneth Wong encontraram a Rua da Felicidade e de lá não arredam pé tão cedo. Há cerca de um mês, os empresários de Hong Kong inauguraram naquele que é um dos principais cartazes turísticos do território uma galeria, que é também uma cafetaria e uma loja de réplicas de mobiliário vintage.
Billy Chow, designer a trabalhar em Pequim, e Kenneth Wong, gerente de um dos casinos do território, dizem querer ocupar até cinco das tradicionais casinhas de portadas vermelhas da antiga rua de bordéis de Macau, hoje lugar de inúmeras lojas e restaurantes com a porta aberta sobretudo a turistas.
Além do café 618 – de nome auspicioso, segundo as boas regras do fong soi – a dupla que viu em Macau território para prosperar também já abriu as portas de uma loja de pronto-a-comer de gastronomia taiwanesa na mesma rua.
“Há uns meses demos umas voltas por Macau e encontrámos este espaço que adoramos. É fantástico. Mal o vimos decidimos imediatamente trazer para cá os nossos quadros e esculturas”, revela Kenneth Wong, que acompanha de perto o negócio, enquanto Billy Chow reside a maior parte do tempo na capital chinesa.
Há cinco anos, a dupla tinha uma galeria aberta em Hong Kong, no mercado de Stanley, que acabou por fechar devido à vida profissional dos dois empresários, sem tempo para a gerirem a tempo inteiro.
A ideia foi recuperada e adaptada deste lado do Delta com o objectivo de apelar sobretudo ao gosto do turista e residente ocidental. “Não quisemos alterar o estilo do edifício. Mantivemos todo o espaço, desde as janelas às cores, conforme o original”, revela Keneth.
Cadeiras e bicicletas
O espaço de dois andares conserva o estilo original das casas da Rua da Felicidade, mas, uma vez lá dentro, a decoração é assegurada com recurso a réplicas de modelos de mobiliário de designers do pós-guerra e telas pintadas por artistas chineses em início de carreira.
Tudo está à venda na loja-galeria-cafetaria, onde é possível adquirir estátuas de porcelana com a figura de Mao Zedong, cópias coloridas da famosa cadeira RAR concebida pela dupla norte-americana Charles e Ray Eames, ou ainda bicicletas Mini Cooper, lançadas este ano pela marca britânica.
A ressalva está em que o mobiliário não é produzido por uma fábrica com a patente dos designers – algo que, segundo os donos do espaço, não é fácil encontrar no país. Por essa razão também, os preços praticados andam longe daqueles que são cobrados pelas peças de design originais.
No primeiro andar do edifício há também uma pequena cafetaria. “O meu sócio entendeu que não era suficiente ter no primeiro andar apenas os quadros e as esculturas da galeria. Em Macau, e apesar de nos encontrarmos numa zona turística, não encontramos muitos sítios agradáveis onde tomar um café ou relaxar. Por isso, decidimos criar um café. É a primeira vez que o fazemos”, explica Kenneth.
Actualmente, as paredes do espaço exibem pinturas a óleo e acrílico de Sanzi, He Liang Feng, Wang Zhi Wu, Fang Wei e Wang Zhi Qiang – todos jovens autores cujas peças são desconhecidas do grande público, mas que os donos do 618 entendem serem artistas promissores.
“Os artistas colocam aqui os seus trabalhos. Se conseguirem vender, tudo bem. Se não, vamos mudando os quadros que estão em exposição”, explica.
