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Carlos Gaspar faz estudo prometido por Luís Amado

September 30, 2009

O ministro prometeu em Macau um estudo sobre a última década de Portugal no Oriente e amanhã deve apresentar resultados. Carlos Gaspar é o autor do documento. Está previsto um programa para assinalar os 500 anos da chegada ao Oriente.

João Paulo Meneses
putaoya@hotmail.com

O antigo consultor de Mário Soares e Jorge Sampaio, Carlos Gaspar, foi o escolhido para realizar a «avaliação da presença portuguesa em Macau e na região asiática nos últimos dez anos», que o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou há um ano em Macau – soube o PONTO FINAL.
Gaspar, que se especializou nas relações de Portugal com Macau e com a China, é agora o director do Instituto Português de Relações Internacionais, um centro de investigação da Universidade Nova de Lisboa.
Com este estudo, o ministro Luís Amado pretendia não apenas promover uma avaliação do que foi feito na última década como também planear a futura estratégia de Portugal na Ásia.
O ministro, na sua última deslocação a Macau, tinha explicado que as limitações da presença portuguesa em Macau e na Ásia serão «muito maiores sem planeamento, sem uma concertação de interesses, sem uma articulação entre os vários actores e os diferentes agentes que têm interesses a defender» na região.
Por isso, quando chegou a Portugal, Luís Amado tratou de encontrar quem fizesse se não todo o estudo mas pelo menos uma parte – e foi isso que Carlos Gaspar, através do IPRI, assegurou. Tanto quanto o PONTO FINAL apurou, o ministro já recebeu o documento. E deverá referir-se a ele amanhã, durante a abertura da conferência «As relações luso-chinesas e a Região Administrativa Especial de Macau», que decorre na Delegação Económica e Comercial de Macau.
Um dos trunfos que o ministro também leva para apresentar na conferência é o anúncio de um grande programa que pretende assinalar, já a partir de 2010, e durante cinco anos, a chegada dos portugueses ao Oriente.
Esse projecto – que será passado ao novo ministro, se Luís Amado não continuar na pasta dos Negócios Estrangeiros – é apresentado como «muito ambicioso» e pretende não só valorizar a história de Portugal na região como mostrar uma face mais moderna do país. O projecto quinquenal evocará a chegada dos portugueses ao território que hoje é Macau mas já não vai a tempo de assinalar a chegada, em 1509, a Malaca, data que aparece muitas vezes como o início da expansão portuguesa para Oriente (é, por exemplo, a data que marca o início dos cinco volumes da História dos Portugueses no Extremo Oriente, de Oliveira Marques).

Um livro «De Portugal à China»

A conferência «As relações luso-chinesas e a Região Administrativa Especial de Macau» faz parte da Semana de Macau e China que decorre nesta altura em Lisboa.
Além do ministro dos Negócios Estrangeiros, estão previstas as presenças, na abertura, entre outros, do embaixador da China em Lisboa ou do chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau.
Várias personalidades com ligação histórica ou académica a Macau vão falar durante a sessão. Investigadores como Moisés Silva Fernandes, Vasconcelos Saldanha ou Carlos Gaspar e os antigos embaixadores Duarte de Jesus ou João de Deus Ramos são alguns dos nomes confirmados.
Debates mais específicos, dedicados ao sistema legislativo ou à vertente económica das relações luso-chinesas, estão também previstos. Virgínia Trigo, Fernanda Ilhéu, Júlio Pereira ou Jin Guoping são outros nomes previstos para estas duas últimas sessões.
O antigo ministro Adriano Moreira fará o encerramento.
A Semana de Macau e da China é uma organização da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa e do Observatório da China, que coordena o ciclo de conferência e o livro que será lançado no final da sessão (mas na sala do Arquivo Histórico dos Paços de Concelho de Lisboa).
Intitulado “De Portugal à China”, o livro tem textos de Rui D’Ávila Lourido, antigo investigador do European University Institute, em Florença e historiador da Câmara Municipal de Lisboa (que coordena a edição), de Rui Manuel Loureiro, director da extensão algarvia da Universidade Lusófona e coordenador do projecto “Ciência-Viva / Museu dos Descobrimentos” na Câmara Municipal de Lagos, de António Manuel Martins do Vale, investigador no Centro de Estudos Africanos e Asiáticos do Instituto de Investigação Científica e Tropical, de António Baptista Pereira, conservador dos Museus de Setúbal, Professor na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e comissário científico de inúmeras exposições de arte e de história, de Ângela Loureiro Esteves Guimarães, professora do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa doutorada em História Contemporânea e especializada nas relações internacionais da Europa com a África e a Ásia, de João Mário Eusébio de Mascarenhas, director da Biblioteca-Museu da República e Resistência, e especialista da República em Portugal e Macau, de Moisés Silva Fernandes, Director do Instituto do Instituto Confúcio, da Universidade de Lisboa e de Raimundo do Rosário, Chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Portugal.

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