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TDM arranca em Outubro com quatro novos canais

September 29, 2009

Desporto, Satélite, Vida e CCTV Notícias são os quatro canais que começam a ser transmitidos já a partir de Outubro na Teledifusão de Macau.  Para o administrador-delegado, Manuel Gonçalves, este é o culminar de todo um processo.

Luciana Leitão

São mais quatro canais aqueles que começam a ser transmitidos a partir de Outubro na Teledifusão de Macau (TDM): Desporto, Vida, CCTV Notícias e Satélite. Quanto a programas do canal português, a única novidade é o “Asia Global”, que incidirá sobre a actualidade deste continente. Os restantes correspondem a um retomar de edições anteriores. Regressa, assim, o “Montra do Lilau”, o “TDM Entrevista” e o “Música em Movimento”, que se juntam ao programa desportivo actualmente em emissão.
Dos novos canais de produção local, o primeiro que começa a ser emitido, já a partir de 9 Outubro, é o TDM-Desporto. Conforme adiantou o administrador-delegado da TDM, Manuel Gonçalves, os objectivos passam por garantir que a programação não incide apenas em futebol.
“Esperamos que tenha uma programação abrangente generalizada”, podendo assistir-se às grandes competições e aos pequenos eventos, sendo disso exemplo a Copa dos Libertadores, a Copa Sul-americana, a Taça Davis, a Fed Cup em ténis e o Campeonato Mundial de Triatlo. Uma aposta que, garantiu o responsável, serve as necessidades da população local que “tem grande apetência por duas coisas: a informação e o desporto”.
A 26 de Outubro, começa então a ser emitido o segundo canal local – dentre esta panóplia de canais novos -, que se intitula Vida. Direccionado para a comunidade chinesa, nele serão difundidos programas produzidos no território, como o “VIP Room”, “Touch”, “Men’s Talk”, “Women’s Talk”, “Beauty and Health” e “MV Chart”. “Tem muita produção própria e são programas mais joviais”, explicou Manuel Gonçalves.

Uma plataforma lusófona

Sobre o arranque do canal Satélite a 1 de Outubro, Manuel Gonçalves referiu que “tem em vista promover o conhecimento no mundo”, além de “mostrar Macau aos chineses ultramarinos”. Tratando-se de um “projecto muito ambicioso”, em fase “experimental até ao fim do ano”, o objectivo é “servir de plataforma de cooperação televisiva entre a China e os países de língua portuguesa”.
Quando estiver a funcionar em pleno, conforme adiantou Manuel Gonçalves, irá transmitir serviços noticiosos em cantonês, mandarim, português e inglês, prevendo-se a emissão de uma série de programas como o “Wind and Fire”, “Macau News File” e “TDM Senate”, em cantonês e mandarim, além do “Week in Review”, “TDM Entrevista”, “TDM Talk Show”, “Asia Global” e “Montra do Lilau”, em português e inglês. O objectivo é que, no início do próximo ano, “chegue aos países africanos”, e, posteriormente, ao Brasil.
Junta-se ainda a esta lista o serviço de transmissão do CCTV Notícias que será emitido durante 24 horas.

Os “novos” programas

Além de estar previsto o regresso do “Montra do Lilau”, do “Música em Movimento” e do “TDM Entrevista”, destaque para um novo programa intitulado “Asia Global”. Significa isto que, “num total de sete dias de semana, em cinco haverá produção local”, observou o director de informação e programas dos canais portugueses.
No que toca aos conteúdos em língua inglesa, declarou João Francisco Pinto, o “TDM News” passará a ter a duração de 30 minutos, ocorrendo ainda o lançamento de um talk show, um programa de actualidade asiática e um magazine cultural.
O lançamento dos novos canais insere-se num plano que já dura há vários anos e que tem por objectivo “colocar mais chineses a ver coisas em português e mais pessoas de língua portuguesa a assistir a coisas sobre a China”, afirmou Manuel Gonçalves.
De acordo com o administrador-delegado, a TDM sofreu da falta de investimento, uma situação que teve de ser alterada. “Os equipamentos estiveram durante muito tempo ultrapassados. Não falamos só do lançamento de três canais, é uma reconversão tecnológica quase global da empresa. A partir do mês que vem vamos ter toda a emissão digitalizada”, declarou, explicando que “todos os canais que passam a existir em Macau são transmitidos digitalmente, a par dos canais antigos [chinês e português] que continuam a ter uma edição analógica em paralelo”.
É o culminar de um processo que começou em 2007, cujo investimento ascende a 110 milhões de patacas.

Futebol em troca de legislativas

A emissão em directo das eleições lusas que estava a ser emitida pelo canal português da TDM – em ligação com a RTP Internacional – foi interrompida, no domingo, sendo substituída por uma partida de futebol.
Inquirido pelo PONTO FINAL, o administrador-delegado, Manuel Gonçalves, explicou que a ligação ao canal português surge apenas “quando a TDM não tem produção própria” e, nesse dia, a emissora local podia transmitir uma partida de futebol.
De acordo com Manuel Gonçalves, a TDM é um canal que “serve a população de Macau, com a sua programação e o seu próprio modelo”, não sendo “uma sucursal da RTPI”, independentemente das boas relações que mantenha com a emissora portuguesa.
Sobre a importância das eleições de Portugal para o público que assiste ao canal luso da TDM, o administrador-delegado declarou tratar-se de um assunto que deve ser discutido noutra ocasião. “Penso que seria uma discussão infindável até que ponto é que as legislativas portuguesas terão alguma importância para os espectadores”, vincou.

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One Comment leave one →
  1. João Constâncio permalink
    September 30, 2009 3:41 pm

    Sobre o último parágrafo da notícia, creio que as legislativas portuguesas teriam porventura tanta importância para os espectadores quanto o interesse em manter o canal português de que o Dr. Gonçalves é administrador-delegado.

    Será este maior do que o desfecho dum AC Milão-Bari (esse grande clássico…)?

    Ao menos poderia admitir que se está nas tintas para o que passa no Canal Macau (com óbvia ressalva do salário que auferirá ao final de 14 meses por ano), que talvez não tenha sintonizado na sua tv, em casa. E que nem terá dado pelo facto de que o Bari estivesse a entrar em campo na altura.

    Lembro-me de há uns anos um clássico português que iria passar na rtpi também ser substituído por um Napoli-Atalanta (ou outro grande clássico do nível), com uma ligeireza de escrúpulo que até arrepiou (pareceu mais obra dum algoritmo despegado de qualquer realidade do que dum malicioso ser humano, na verdade. Mas a questão será mesmo esta: Quando é que se deixam de estar nas tintas para o que está à frente dos seus olhos, por outra, quando é que dão alguma importância à função pública que desempenham e não só ao salário?).

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