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Arquitectos exibem projectos premiados

September 29, 2009

Estão em exposição até ao próximo dia 5, no Centro de Turismo de Negócios, os projectos apresentados a concurso no Prémio de Arquitectura de Macau 09/10. Uma oportunidade para conhecer numa outra perspectiva os espaços com que se desenha a cidade.

Maria Caetano

A exposição é breve e prolonga-se apenas até ao dia 5 de Outubro, mas durante pouco mais de uma semana a iniciativa serve para mostrar que há projectos de arquitectura locais que podem servir de referência futura.
A exposição dos Prémios de Arquitectura de Macau 09/10 foi ontem inaugurada no Centro de Turismo de Negócios, localizado no Largo do Senado, exibindo as obras vencedoras do concurso reactivado este ano pela Associação de Arquitectos de Macau, bem como as restantes onze propostas submetidas à apreciação do júri do prémio que receberam menções honrosas.
A residência do artista Konstantin Bessmertny, em Coloane, da autoria de Carlos Marreiros; o Parque Urbano Sai Van, junto à Torre de Macau, projectado por Manuel Vicente, Carlotta Bruni e Rui Leão; e os edifícios que compõem o Albergue da Santa Casa da Misericórdia, no Bairro de São Lázaro – também um projecto de Carlos Marreiros – , foram os projectos distinguidos com medalha de ouro no prémio deste ano, que reconhece projectos de arquitectura nas categorias de habitação, projectos públicos e conservação.

Encorajamento aos jovens

“Trata-se de um forte encorajamento aos jovens profissionais e à prática de arquitectura em Macau. Este prémio esteve suspenso durante alguns anos e agora é retomado. Como membros de longo data da associação, a iniciativa merece todo o nosso apoio”, defende o arquitecto Johnathan Wong, director do gabinete de Macau da P&T Architects and Engineers, que concorreu com quatro projectos ao prémio.
O gabinete trabalha em Macau há mais de duas décadas e tem sede em Hong Kong há 145 anos, sendo 70 por cento das suas encomendas provenientes de promotores privados que pretendem construir edifícios de habitação, edifícios comerciais e escolas.
Johnathan Wong – há onze anos a projectar para Macau – concorreu com os projectos para o resort do antigo Hotel Mandarim Oriental, para a subestação da CEM no NAPE, para a reconversão das instalações do Colégio Sagrado Coração Canossiano e para o edifício de habitação COSCO, localizado na Avenida Horta e Costa.
De todos, o arquitecto confessa que o projecto para o local onde se encontram SPA e piscina do actual Hotel Grand Lapa foi aquele que lhe deu maior prazer e liberdade. “Foi o meu primeiro projecto em Macau”, recorda também.
Já no projecto que teve como cliente a Companhia de Electricidade de Macau, destaca a localização do edifício como desafio principal. “O Governo e a CEM decidiram implantar as instalações numa zona proeminente, o que exigiu um bom design exterior de arquitectura”, lembra o arquitecto da P&T.

Desafios em altura

Já no desenho de projectos residenciais, as principais dificuldades que se levantam– diz – prendem-se com a necessidade de responder aos objectivos comerciais dos promotores de obra. “Nos projectos residenciais, seja em Macau ou Hong Kong, os arquitectos enfrentam muitas limitações. Temos de satisfazer os requisitos do cliente em termos de áreas e maximizar o espaço utilizável para que este possa vender os apartamentos. De contrário, vamos receber cartas de advogados por não estarmos a utilizar a totalidade do espaço”, confessa, recordando os desafios encontrados ao projectar o edifício COSCO.
O projecto surgiu numa área antiga de grande densidade, onde a maioria dos edifícios tinha entre cinco a seis pisos apenas. O objectivo da P&T foi fazer com que o edifício se enquadrasse o melhor possível na zona envolvente, optando por materiais mais condizentes com as outras edificações. “Adoptámos um material cor de tijolo ao invés de um material mais moderno que não se enquadrasse com o que o envolve”, lembra Johnathan Wong.

Ar e luz

Também Mimi Cheung, do gabinete New Design Limited, diz tentar fazer o melhor que pode perante os constrangimentos de ter de projectar em altura e em grande densidade. “Quando desenho os projectos tento ao máximo permitir que haja luz e ventilação naturais. Penso nisso em todos os projectos”, revela a arquitecta que apresentou a concurso três edifícios – dois deles integram o complexo do Instituto de Formação Turística, em Mong Há.
O outro é o edifício de habitação Kingsville, na Taipa, onde Mimi Cheung destaca a vista conseguida para os residentes e uma entrada espaçosa com jardim, apesar das limitações do espaço – o projecto foi construído numa curva.
“A alta densidade dos edifícios não ajuda o design, mas tentamos que a construção tenha qualidade. Neste caso, o lobby tem uma abertura de luz, o que não é fácil”, diz a arquitecta, para quem a reabilitação do concurso da Associação dos Arquitectos de Macau surge como uma oportunidade de mostrar o trabalho que os pequenos gabinetes locais têm vindo a desenvolver no território.
“Macau é uma pequena cidade. É importante que haja uma exposição destas para mostrar os projectos dos arquitectos locais. É bom que as pessoas saibam quais os edifícios que são desenhados por arquitectos locais, já que a maioria dos projectos é hoje concebida por gabinetes europeus, de Hong Kong ou da China”, defende.

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