Responsáveis da campanha não transitam para Gabinete de Chui Sai On
Quando hoje começar a funcionar, no edifício do Banco Chinês de Macau, à Travessa do Padre Narciso, o Gabinete do futuro Chefe do Executivo não vai ter entre os seus membros as mais destacadas figuras que rodeavam Chui Sai On quando o ex-secretário para os Assuntos Sociais e a Cultura era ainda mero candidato ao cargo máximo da RAEM.
O seu antigo mandatário, Vong Hin Fai, o coordenador da campanha, Leong Sou Pui, e a coordenadora-adjunta, Eva Lou I Wa, não integram o novo gabinete, este já de natureza oficial, que vai apoiar Chui Sai On na preparação da sua acção governativa, a partir de 20 de Dezembro deste ano.
No caso de Eva Lou, a sua ausência da equipa que passa a apoiar o Chefe do Executivo-designado não surpreende: a própria disse ao PONTO FINAL, na sequência da polémica em torno da exposição comemorativa do 10º aniversário da RAEM, em Pequim – cuja organização foi adjudicada à sua empresa, a Primedia, por 32 milhões de patacas, sem concurso público –, que não se demitiria do gabinete de campanha do candidato, mas também não faria parte do gabinete do futuro Chefe do Executivo. Na altura, dizia também estar “de consciência tranquila”, embora se confessasse “frustrada” com o coro de criticas que se levantou contra o facto de lhe ter sido entregue o trabalho.
Ontem, ouvida pelo PONTO FINAL, Eva Lou argumentou que “já estava previsto” que os responsáveis pela campanha de Chui Sai On não iriam transitar para o seu gabinete. “Desde o princípio que sabíamos que seria um trabalho temporário”, disse num breve contacto telefónico. “Estava assente que todos voltaríamos depois às nossas anteriores actividades profissionais”.
Ainda assim, o nome de Eva Lou chegou a ser apontado como o mais provável para o cargo de assessor de imprensa do futuro Chefe do Executivo, tendo esta hipótese ficado aparentemente excluída depois do início da polémica sobre a exposição do 10º aniversário. O Comissariado Contra a Corrupção recebeu uma queixa formal contra a adjudicação daquele serviço à Primedia por ajuste directo, desconhecendo-se em que fase se encontram as investigações do CCAC.
O PONTO FINAL não conseguiu ouvir ontem Vong Hin Fai e Leong Sou Pui sobre o porquê de não integrarem o gabinete de Chui Sai On. Neste momento, o elemento mais destacado da nova estrutura é a vice-presidente do Instituto do Desporto, O Lam, embora ainda não tenha sido anunciado o cargo que desempenha no gabinete.
Número de secretários ainda por decidir
No comunicado ontem emitido pelo Gabinete de Comunicação Social, em que se anunciava a entrada em funcionamento do “Gabinete do 3º Chefe do Executivo”, informava-se também que “está a ser estudada a estrutura de governo que melhor se adeque às necessidades de desenvolvimento do futuro”. Ou seja, Chui Sai On ainda não decidiu se vai manter a estrutura do governo com cinco secretários ou se vai aumentar o seu número, desdobrando para isso as competências de alguns dos actuais governantes.
Segundo a maioria dos analistas, as pastas antes a cargo do próprio Chui Sai On – Educação, Cultura, Desporto, Saúde e Segurança Social – eram, justamente, as que mais reclamavam uma redistribuição por mais de um membro do governo. É trabalho a mais para um homem só, dizem. Outras pastas que têm estado sob a tutela de um único secretário e sobre as quais se ouvem também apelos a uma redistribuição, são as da Administração Pública e da Justiça, actualmente na esfera de competências de Florinda Chan.
Durante a campanha, Chui Sai On foi sempre dizendo que a estrutura do governo teria que ser estudada, mas nunca tomou uma posição clara sobre o assunto, preferindo remeter uma decisão final para o período posterior à sua eleição.
O gabinete que agora começa a funcionar recebe todo o apoio que reclamar do actual executivo, bem como de toda a máquina administrativa, nos termos de um despacho que Edmund Ho fez recentemente publicar.
A principal prioridade de Chui Sai On, salienta a nota ontem publicada pelo GCS, é agora reunir com as direcções dos serviços públicos, a fim de com elas preparar o Relatório das Linhas de Acção Governativa para o ano financeiro de 2010.
