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Dalai Lama em Taiwan na próxima semana

August 30, 2009

O Dalai Lama vai visitar Taiwan na próxima semana para dar “conforto espiritual à população maioritariamente budista da ilha” devastada pelo tufão Morakot, e Pequim deve “respeitar” a missão, disse à Lusa James Lung, pró-democrata de Hong Kong.
O presidente da Aliança Democrática do Sul e líder do projecto de criação de uma associação de amizade entre o Tibete e o povo Han na ex-colónia britânica, referiu que o “Dalai Lama não vai numa missão política a Taiwan”.
“Não há razão para as relações entre Pequim e Taiwan se deteriorarem por causa da visita do Dalai Lama, esperemos que Governo central chinês perceba o cariz da visita do líder espiritual tibetano”, defendeu James Lung ao sublinhar que “mais de 70 por cento da população da Formosa é budista”.
Por outro lado, o activista pró-democrata considera que, ao aprovar a deslocação do Dalai Lama, o Presidente de Taiwan “está a contribuir para a união” da Formosa.
“Com esta acção, o presidente Ma Ying-jeou conseguirá eventualmente maior simpatia dos seus opositores políticos e da população”, donde têm chegado críticas devido à resposta do Governo. Alegam que tem sido pouco eficaz perante a crise provocada pelo tufão Morakot que fez 461 mortos e 192 desaparecidos.
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Comércio de Taiwan em Macau, Chen Zhong Yon, não quis tecer comentários sobre a deslocação de Dalai Lama, tendo declarado que “não comenta qualquer tema sobre política”.
A China “opõe-se firmemente” à visita do Dalai Lama a Taiwan, noticiou ontem a agência Xinhua.
“O Dalai Lama não é apenas uma figura religiosa. Com o pretexto da religião, não deixou de se envolver em actividades separatistas”, declarou um porta-voz do gabinete de assuntos de Taiwan do Conselho de Estado citado pela agência oficial chinesa”.

Hong Kong quer associação de amizade Han/Tibete

Elementos de quatro partidos pró-democratas de Hong Kong vão apresentar ao Governo uma proposta para a criação de uma associação de amizade entre o Tibete e o grupo étnico Han, disse à Lusa o organizador do projecto.
Cerca de 20 membros do Partido Trabalhista Chinês, da Federação para uma China Democrática, Partido Social-Democrata Chinês e Aliança Democrática do Sul pretendem criar na ex-colónia britânica a Associação de Amizade entre o Tibete e o Povo Han.
O presidente da Aliança Democrática do Sul e líder do projecto, James Lung Wai Man disse à agência Lusa que “o grupo está a trabalhar nos estatutos da associação para submeter a proposta ao Governo em Outubro”.
A associação pretende promover na Região Administrativa Especial de Hong Kong a cultura tibetana e, ao mesmo tempo, uma melhor compreensão sobre a realidade daquele país, “para que o tema Tibete deixe de ser um tabu na região”, explicou James Lung Wai Man.
Os activistas por detrás desta associação integraram um grupo de dez residentes de Hong Kong e de 20 dissidentes chineses – residentes nos Estados Unidos, Europa e Austrália – que se deslocou, em Março, a Dharamsala, na Índia, onde o governo tibetano está exilado desde 1959.
“No encontro que tivemos com o Dalai Lama, ele encorajou-nos a criar esta associação, como encorajou todos os outros que o visitaram a fazer o mesmo nos seus países”, referiu James Lung, salientando que o líder espiritual tibetano “pretende combater, assim, os mal entendidos criados pelos motins de Lhasa em Março de 2008 e promover uma melhor compreensão sobre o Tibete”.
Pequim considera o Dalai Lama “separatista”, culpando-o dos motins que ocorreram após quatro dias de manifestações pacíficas de monges budistas contra o domínio chinês do Tibete e que causaram vítimas mortais.
Os incidentes motivaram a criação de associações semelhantes àquela que se pretende criar em Hong Kong em diferentes países da Europa, nos Estados Unidos e Austrália, e que Pequim classificou de “porta-vozes políticos” do líder espiritual tibetano.
Apesar de vários apoiantes de Dalai Lama terem sido impedidos de entrar em Hong Kong, designadamente durante os Jogos Olímpicos de 2008, os activistas não desistem de criar uma associação de amizade com o Tibete e estão mesmo confiantes de que o Governo da ex-colónia britânica vai aprovar a iniciativa.
“Achamos que o Governo de Hong Kong vai aprovar a criação da associação, porque estamos apenas a promover a amizade entre o Tibete e o grupo étnico chinês Han. Não vamos ter um cariz político”, esclareceu James Lung.
O organizador disse ainda que a associação não defende a independência do Tibete, mas a sua autonomia à semelhança de Hong Kong.
O apoio da população de Hong Kong a esta causa não vai ser difícil, defendeu James Lung, uma vez que “tem uma mente aberta e muitas pessoas até já aceitaram a cultura tibetana nas suas vidas, em termos religiosos, por isso não será difícil aceitarem o pacote todo”.
Ao conseguir o aval do Governo da ex-colónia britânica, a Associação de Amizade entre o Tibete e o Povo Han será a primeira do género em Hong Kong.

Pequim não quer visita

A China “opõe-se firmemente” à visita do Dalai Lama a Taiwan, noticiou ontem a agência Xinhua.
“O Dalai Lama não é apenas uma figura religiosa. Com o pretexto da religião, não deixou de se envolver em actividades separatistas”, declarou um porta-voz do gabinete de assuntos de Taiwan do Conselho de Estado citado pela agência oficial chinesa.

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