Uma feira para combater a crise
Na Feira de Marcas de Macau e Guangdong, participam cerca de seis dezenas de empresas locais. Para a organização, o evento vai permitir sobretudo socorrer os pequenos e médios empresários com novas oportunidades de negócio. O tecido empresarial da RAEM que está representado na feira é sobretudo o dos sectores da restauração e fabrico de produtos alimentares, um dos que mais se ressente com a quebra do número de turistas no território. Lee Peng Hong, presidente do IPIM, diz estar “cautelosamente contente” com os resultados das acções promovidas pelo organismo ao longo do ano.
Maria Caetano
As empresas locais ocupam cerca de um terço dos expositores da Feira de Marcas de Macau e Guangdong, que decorre até domingo no centro de convenções da Doca dos Pescadores.
A província vizinha tem presença de peso no evento, com uma delegação de mais de 150 empresários, e são cerca de 60 as marcas locais em exibição, numa altura em que pequenas e médias empresas (PME) da RAEM são as que mais têm sido afectadas pela quebra económica que resultou da crise financeira internacional.
É sobretudo a elas que se dirige a feira, de acordo com a organização. “Julgamos que esta feira tem grande interesse, em primeiro lugar, para aprofundar a cooperação entre Guangdong e Macau, e também para ajudar as pequenas e médias empresas a enfrentarem a crise financeira internacional”, declarou à imprensa na inauguração do certame Lee Peng Hong, o presidente do Instituto de Promoção do Comercio e do Investimento Externo (IPIM).
Segundo o responsável do IPIM têm sido vários os pedidos de apoio submetidos pelas PME locais. “Evidentemente, esta crise financeira global está a afectar muito a economia. Mas por outro lado estamos também cautelosamente contentes pelo facto de serem agora desenvolvidas muitas actividades, como esta feira e outras iniciativas apoiadas pela Administração”, defendeu Lee Peng Hong.
Os apoios, referiu, têm sido prestados pelo Governo e secundados pelo instituto público, na procura de maiores oportunidades de promoção para os produtos e serviços locais.
“Há várias iniciativas que estão a ser desenvolvidas. O Governo tem apoios de incentivos, como a bonificação de juros. Concretamente, no que toca ao IPIM temos organizado vários eventos de promoção para diferentes tipos de ideias e produtos, que são maneiras de ajudar as pequenas e médias empresas a desenvolverem as suas capacidades de marketing para que possam entrar em novos mercados”, considerou.
Bolsas e seminários
Na feira que decorre na Doca dos Pescadores, o objectivo é favorecer os contactos entre os empresários locais e do continente. Até domingo, está prevista a realização de 130 bolsas de contactos para demonstração de produtos e realização de negócios, nas quais setenta delegações empresariais estão inscritas.
À margem da feira decorrem também uma dezena de seminários, entre os quais dois que têm como objectivo de divulgar o comércio electrónico junto dos empresários participantes e que são organizados pelas representações de Hong Kong das companhias “eBay” e “Alibaba”.
Lee Peng Hong defendeu no entanto que a acção do IPIM em apoio das empresas de pequena e média dimensão de Macau não se limita a este evento, destacando o que tem sido feito ao longo do ano. “No mês passado organizámos pela primeira vez uma feira de franchising. Estamos neste momento a criar também uma rede de contactos com vários países. Não só com os países de língua portuguesa, mas também com os países asiáticos aqui há volta. Com esses países temos organizado várias feiras de catálogos e seminários de promoção”, sublinhou.
A feira, disse, quer dar destaque sobretudo às marcas de Macau. “Organizámos uma feira com mais produtos conhecidos de Macau, fabricados em Macau e também produtos de marcas de Macau, que podem ser fabricados no continente chinês ou em outros países. Também estão presentes empresas de Macau que são agentes de marcas internacionais para que promovam os seus produtos, não só no mercado de Macau, mas possivelmente também no mercado do continente”, explicou.
A maioria das seis dezenas de expositores de Macau no certame opera no sector da alimentação e vestuário, havendo também companhias dedicadas ao comércio de aparelhos de ar condicionado, equipamentos de tecnologia ambiental, produtos farmacêuticos ou joalharia. Desta vez, explicou Lee Peng Hong, ficaram de fora os produtos das chamadas indústrias criativas, que o IPIM vai tentar incentivar a participar em Outubro na Feira Internacional de Macau. “Para a MIF deste ano estamos a falar com várias entidades para montar uma secção de amostra para promover as indústrias criativas de Macau”, revelou.
Uma MIF difícil
Em ano que assinala o décimo aniversário da RAEM, mas que é também ensombrado pela crise financeira, a Feira Internacional está a exigir esforços adicionais por parte do IPIM para atrair delegações de fora ao evento que decorre dentro de três meses.
“Estamos mais uma vez cautelosamente confiantes na organização desta feira”, disse o presidente do IPIM. “Por um lado, estamos a atravessar a crise financeira global, por outro lado, estamos a fazer um grande esforço em conjunto com os nossos parceiros de outros países para promover a Feira”.
“Estamos a fazer um grande esforço, muito embora tenhamos dificuldades”, declarou, lembrando que um dos objectivos da delegação de quarenta empresários de Macau que participa no Encontro para a Cooperação Económica com os Países de Língua Portuguesa, que decorre entre 11 e 13 de Agosto no Rio de Janeiro, é precisamente atrair para a feira da RAEM empresários brasileiros.
“Este ano é especial para Macau, queremos aproveitar para fazer promoção junto dos países de língua portuguesa, e também doutros países. Queremos promover a nova imagem de Macau e convidar esses países a participarem nas nossas actividades em Macau, concretamente, na MIF”, afirmou Lee Peng Hong.
A delegação chinesa que participa no fórum brasileiro será “a maior de sempre”, segundo o presidente IPIM. No total, as delegações lideradas pelos organismos de promoção de comercio do Governo central, Guangdong e Macau contarão com 180 elementos.
