Empresários de Macau apostam na província vizinha
Para uns, a crise representou uma quebra acentuada no habitual volume de negócios. Já para outros, o chamado tsunami económico até trouxe algumas vantagens. Os empresários locais representados na Feira de Produtos de Macau e Guangdong, que decorre desde ontem até domingo, estão, apesar de tudo e tal como a organização do evento, cautelosamente confiantes no ultrapassar do período negro que não deixou incólume a região. O eclodir da crise, a par do surgimento da gripe suína, afastou da RAEM muitos turistas que habitualmente engordam os números do consumo interno e colocou as exportações a pique. Mas, crêem empresários e Governo, o momento é já de retoma da curva tradicionalmente ascendente da economia local.
A empresa sedeada em Macau “Go Power” é uma das poucas com razões para sorrir. A companhia, que vende para todo o mundo componentes eléctricos de baixo consumo fabricados em Pequim, obteve um volume de vendas de 500 milhões de yuans no último ano.
“Como estes produtos permitem poupar energia, é durante a crise que as pessoas mais precisam deles. É bom para nós”, diz o representante no expositor da companhia na Feira de Produtos de Macau e Guangdong, no Centro de Convenções da Doca dos Pescadores.
Bolos de amêndoa em crise
Já noutros sectores, outros empresários não podem dizer o mesmo. Uma das indústrias de Macau mais bem representada na feira que decorre até domingo é a indústria alimentar, onde as companhias que se dedicam ao fabrico de pastelaria dita tradicional para consumo turístico foram as que mais se ressentiram. Com a quebra no número de turistas verificada nos últimos meses, caíram também as vendas de bolinhos de amêndoa, carne seca doce ou rebuçados de gengibre.
“Fomos afectados pela crise. Perdemos 20 a 30 por cento do negócio”, revela Iris Ian, empresária da pastelaria Koi Kei, que detém nove lojas em Macau.
A Koi Kei é repetente nas várias mostras às quais o Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau leva delegações de empresários locais, com expositores em Xangai, Hong Kong, Cantão e também na província de Sichuan.
A empresária mostra-se satisfeita com o apoio ao sector. “É bom porque o Governo ajuda a promover o negócio em outros países”, defende Iris Ian.
Apesar da crise, a empresa de pastelaria que emprega cerca de 400 trabalhadores na RAEM, tem planos de expansão. “Abrimos uma loja nova em Hong Kong e estamos a pensar abrir também uma loja no continente chinês”, revela.
Exportar para lá da fronteira
À procura de expandir o negócio está também Keyvin Bi, retalhista de vestuário, que quer cativar os empresários continentais para as marcas europeias e artigos ‘made in Macau’.
“Vendemos quarenta marcas europeias, a maioria de Itália, e algumas também de Inglaterra e Espanha”, revela o empresário da Inspiring Fascination.
“Queremos exportar para o continente chinês, através de Macau. Temos alguns clientes no continente, mas são ainda poucos. Por isso queremos encontrar mais clientes aqui”, explica sobre a presença no certame.
O primeiro dia de contactos na feira já rendeu para Keyvin Bi. “De manhã, alguns empresários de Guangdong vieram ao nosso expositor e da parte da tarde vão visitar a nossa loja”, conta.
A Inspiring Fascination não comercializa qualquer produto fabricado na China, e o objectivo é conquistar pontos de venda na província vizinha com marcas ocidentais e outras que tenham na etiqueta “Macau”. “Vendemos algumas marcas de Macau”, afirma o empresário para quem a feira da Doca dos Pescadores é uma oportunidade de promoção que a companhia que dirige, sozinha, não teria condições de suportar.
“Sentimos a crise. Os turistas já não gastam muito em artigos de moda. Por outro lado, a nossa loja não está no centro da cidade. Por isso, a maioria dos clientes que temos são pessoas que vivem nas imediações da nossa loja. Não temos muitos meios para fazer promoção porque temos uma loja pequena. Por isso, estamos na feira”, explica.
Maria Caetano
