“Falta investigação e auscultação pública”
São avisos deixados ao próximo Governo, poucos dias depois da eleição de Chui Sai On, para evitar que se repitam erros cometidos durante o passado recente. O conselheiro é Ieong Tou Hong, deputado nomeado pelo Chefe do Executivo e economista de profissão.
Para Ieong, a definição de políticas correctas que “vão de encontro à realidade e às expectativas do público” são de “particular relevância”. Acontece que, “se fizermos uma retrospectiva dos anos recentes, podemos verificar que, devido à falta de ponderação das circunstâncias, falta de investigação e de auscultação pública, as políticas adoptadas pelo Governo provocaram várias manifestações, com este a acabar por as suspender”.
O que aconteceu leva o deputado a crer que “a realização de estudos e a auscultação pública são muito importantes para o sucesso de determinadas políticas, uma vez que são factores que podem ajudar ao entendimento das opiniões da população e contribuir para a viabilidade e aplicabilidade das políticas”.
O académico entende que as consultas são importantes, mas mais ainda são os estudos que se fazem sobre as matérias a auscultar. Na sua perspectiva, importa entregar um documento de consulta de “grande qualidade” – a auscultação já deve ser feita com ideias bem definidas. “Como o estudo das políticas se reveste da maior importância, as diversas províncias da China já vêm criando, há vários anos, diversos gabinetes para o efeito, e no caso de Hong Kong foi mesmo estabelecida uma unidade designada por ‘Central Policy Unit’”, referiu, a título de exemplo.
“Nestes anos mais recentes, para além das entidades de investigação públicas, também os chamados think-tanks têm assumido cada vez mais relevância”, apontou, explicando que, ainda no início deste mês, Pequim recebeu a primeira cimeira de think-tank promovida pelo Centro de Intercâmbio Económico Internacional da China. “O evento foi considerado uma iniciativa inovadora, rica em inteligência e imaginação.”
Macau deve também começar a adoptar novas formas de pensar e de decidir, apontou o deputado nomeado por Edmund Ho, que sugere ao Governo a criação de entidades específicas para estudar as políticas. O Executivo deve igualmente “aproveitar os centros de investigação dos diversos estabelecimentos de ensino superior de Macau e as entidades especializadas na realização de estudos, com vista ao desenvolvimento conjunto de estudos sobre as políticas e os trabalhos de auscultação de opiniões”, propôs.
Ieong Tou Hong não deixou de referir que, após a eleição de Chui Sai On, “o público anseia agora por ver como é que o 3º Chefe do Executivo vai pôr em prática as ideias e aspirações propostas no seu programa político”.
Recorde-se da plataforma de Chui consta, precisamente, a constituição de aquilo a que, na versão portuguesa, se chama de “think centre”, um gabinete para ajudar a decidir de acordo com “métodos científicos”. Ieong já deixou as suas dicas.
Isabel Castro
