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O futuro a Chui pertence

July 28, 2009

Reacções na imprensa em língua chinesa à eleição do único candidato a Chefe do Executivo

As eleições já passaram e, por isso, não vale a pena analisar números nem tentar encontrar justificações para votos em branco. É hora de olhar para o futuro e pensar em tudo de bom que Edmund Ho e o Governo Central fizeram durante estes últimos dez anos. É assim que pensam os autores de vários textos de opinião publicados ontem pelo Ou Mun, no dia seguinte à escolha de Chui Sai On para Chefe do Executivo.

Isabel Castro

Passou meses sem fazer qualquer referência ao acontecimento político do ano. Depois, à medida que se foram firmando posições e as datas para o cumprimento das formalidades se iam aproximando, lá foi dedicando mais atenção ao assunto. Nas últimas semanas, com o tema definitivamente arrumado, o Ou Mun não poupou espaço para artigos de opinião sobre o futuro da RAEM, o próximo Chefe do Executivo e as críticas que os outros não devem fazer.
Ontem, na reacção à eleição de Chui Sai On para suceder a Edmund Ho, o jornal em língua chinesa mais lido na RAEM – e aquele que é, também, mais próximo de Pequim -, publicou três artigos de opinião sobre o acontecimento de domingo passado. Os articulistas não se afastam muito nas suas análises – muda o estilo, mas o conteúdo é semelhante.
Para Lok Tin, articulista assíduo do Ou Mun, chegou a hora de acabar com as “rivalidades” do passado. Neste momento, defende, interessa olhar para o futuro e perceber como se pode construir uma sociedade em que todos trabalhem e vivam em paz. “São estas as expectativas dos residentes”, aponta. “E são estes os compromissos de Chui Sai On.
“Ter 282 votos é um bom resultado? Catorze votos em branco é um facto significativo?”, pergunta. Para Lok Tin, a contabilidade eleitoral é tema que não interessa analisar: em primeiro lugar, porque não vale a pena perder tempo com o assunto, quando há outras questões sobre as quais se deve reflectir; além disso, são questões sem respostas claras ou que podem levar a conclusões “pouco positivas”. Posto isto, conclui, “as eleições terminaram”, pelo que “chegou a hora de passarmos, de imediato, para a fase de enfrentar as tarefas”.
Chui Sai On só assume as suas novas funções a 20 de Dezembro próximo, mas Lok Tin parece estar ansioso que o ex-secretário e futuro Chefe arregace as mangas. “Precisamos de criar condições para que as pessoas vivam e trabalhem em paz e contentes. E isso sim, leva a tempo a pensar.”
O mesmo articulista sustenta que é preciso ter em mente que as decisões tomadas neste momento não devem ter em conta apenas os efeitos para o presente, mas também para as próximas gerações. “Se os assuntos não forem tratados de acordo com as prioridades e as suas consequências, não haverá, por certo, competência na governação”, alerta.
Os resultados eleitorais de domingo passado já fazem parte da história, mas o pequeno episódio protagonizado por Pereira Coutinho – não entregou o seu boletim de foto como forma de protesto contra o sistema eleitoral – merece a atenção de Lok Tin.
O articulista não faz referência directa ao deputado, mas lança um reparo em forma de pergunta. “O sistema eleitoral para o Chefe do Executivo não agrada a algumas pessoas. Quanto ao sistema eleitoral para a Assembleia Legislativa, também não agrada a todos, incluindo a alguns candidatos às legislativas”, começa por expor.
Quando as eleições para a AL chegarem, “será que os candidatos não vão votar porque não estão satisfeitos com o sistema eleitoral? Ou farão campanha junto do seu eleitorado para que este não vote, como forma de protesto?”, lança Lok Tin.

A vida é bela

Já Ha Wan acredita que o futuro, com Chui Sai On na liderança, é sinónimo de união e de paz entre os residentes de Macau. O candidato eleito prometeu que se dedicará totalmente ao serviço da RAEM e da pátria. Ha Wan acredita, sem qualquer dúvida, na palavra do ex-secretário.
“A RAEM e os seus residentes encontram-se agora num novo ponto de partida. Estarão sempre juntos independentemente do que vier a acontecer. O barco da RAEM vai começar uma nova viagem. Não interessa a direcção da corrente. Todos os residentes têm o mesmo sentimento. Todos querem navegar para um porto de belas paisagens.”
O artigo de Ha Wan poderia ser publicado a 20 de Dezembro de 2009 – a articulista coloca já Edmund Ho no passado e faz um balanço da sua prestação ao serviço da região administrativa especial.
Embora Ha Wan nunca se tenha propriamente distinguido pelo seu tom crítico, o artigo de ontem demarca-se pela quantidade de elogios feitos ao trabalho do (ainda) Chefe do Executivo. Recorda a autora que, quando Macau começou a ser governada por Edmund Ho, “a segurança pública e a economia encontravam-se mal”. Quando se olha para o passado, acrescenta, “o caminho não foi fácil e a estrada tinha muitos obstáculos”.
Porém, “com o grande apoio do Governo Central, Edmund Ho aplicou os princípios ‘um país, dois sistemas’ e ‘Macau governada pelas suas gentes”. Além disso, o Chefe do Executivo acabou com o monopólio do sector do jogo, captou capital estrangeiro para Macau e fez com que a população conhecesse um estado de desenvolvimento económico até então nunca visto, diz. “Ninguém no mundo prestava atenção a Macau”, realça.
Por isso, deduz a articulista, “Edmund Ho agiu correctamente”. Mas, mais importante ainda, “as pessoas amam a pátria, amam Macau e trabalham com dedicação”. Depois da transferência de administração, “as pessoas das diferentes classes, sectores e etnias juntaram-se para vencer as dificuldades. São estas as boas características de Macau, uma tradição que deve ser preservada”.
Ha Wan recorda o slogan de Chui Sai On – “continuidade e inovação” – para sustentar que o futuro Chefe herda não só uma “boa base de desenvolvimento político-económico”, mas também “as virtudes das pessoas de Macau, que amam a RAEM e a pátria”.
Quanto aos desafios de Chui, entende a articulista do Ou Mun que consistem essencialmente em diversificar a economia e melhorar a qualidade de vida, porque o desenvolvimento não aconteceu simultaneamente em todas as áreas. “Em termos gerais, houve uma série de problemas como a corrupção no sector da construção. A habitação e o trânsito também devem merecer a atenção do novo Governo.”
A rematar, Ha Wan recomenda que a “inovação” se faça através da tomada de decisões com “critérios científicos”, que envolva a auscultação da opinião pública. “Depois de dez anos de desenvolvimento, os objectivos que Macau deve procurar alcançar são muito claros”, diz.

Pensamento à Pequim

Já Chon Kan pronuncia-se em concreto sobre o jogo – e as expectativas das operadoras estrangeiras em torno da eleição de Chui Sai On. Explica o autor do artigo de opinião que houve quem tivesse achado que a mudança de Chefe do Executivo iria corresponder a uma alteração de políticas na principal indústria do território.
Ora, para Chon Kan, estas análises foram feitas por quem desconhece a forma de funcionamento da China e, por inerência, de Macau. “O candidato eleito tem um estilo diferente, mas as políticas não vão ser modificadas”, avisa.
“Na China não existem mudanças bruscas devido ao tipo de liderança. O grande desenvolvimento que Macau conheceu deve-se ao apoio do Governo Central.” Deste modo, a RAEM tem de caminhar ao ritmo do Continente que, defende, continuará a zelar pelos interesses da região.

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