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Morreu o primeiro bispo chinês de Macau

July 28, 2009

280709O primeiro bispo chinês de Macau, Domingos Lam, faleceu ontem aos 81 anos de idade, no hospital Kiang Wu, vítima de doença prolongada.
Natural de Hong Kong, onde nasceu a 9 de Abril de 1928, D. Domingos Lam chegou a Macau em 1931 e foi ordenado padre católico a 27 de Dezembro de 1953.
Em Setembro de 1987 foi ordenado bispo-coadjutor e um ano depois, a 6 de Outubro, com 51 anos, substituiu D. Arquimínio da Costa como bispo da diocese local, tornando-se no primeiro bispo chinês da cidade.
A 30 de Junho de 2003, com 75 anos, D. Domingos Lam abandonou as funções de bispo cedendo o seu lugar a D. José Lai, que ainda se mantém em funções.
Fluente nas duas línguas oficiais de Macau – o português e o chinês – D. Domingos Lam ficou conhecido pela reforma financeira que efectuou na diocese, vendendo diverso património imobiliário no que foI entendido como uma posição de cautela face ao período de transição que então se vivia.
D. Domingos Lam era conhecido pela sua afabilidade e mantinha grandes laços de amizade com a comunidade portuguesa.
Enquanto dirigiu os destinos da Igreja de Macau, D. Domingos Lam foi condecorado por três vezes pelas autoridades portuguesas que lhe concederam o título de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique em 1990, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 1996, e de Grande-Oficial da Ordem de Cristo, já em Janeiro de 2000.
As últimas condecorações recebidas foram, no entanto, já atribuídas pelo Chefe do Executivo da RAEM que, no terceiro aniversário da Região Administrativa Especial chinesa, em Dezembro de 2002, lhe atribuiu a segunda mais importante condecoração da cidade: a Medalha do Lótus de Ouro que reconhece a “prestação de serviços excepcionais para a imagem e bom nome” da cidade, e o título honorífico de “Prestígio”.
Numa das suas últimas aparições públicas, em Dezembro de 2007, quando a comunidade católica assinalou na Sé Catedral os 54 anos da sua ordenação como padre, D. Domingos Lam afirmou que a Igreja local está “cada dia mais florescente” e garantiu que a falta de padres é um problema que afecta todo o mundo.
D. Domingos Lam recebeu no início de Dezembro de 1999, o ano da transição do território para a China, uma carta de João Paulo II em que o então Papa sublinhava que naquele momento histórico a Igreja local era “chamada a continuar o seu empenho de serviço espiritual, cultural e social”.
Na missiva, o Papa dizia também que a Igreja do território deveria ser “fiel ao significado do nome que adorna a cidade: ‘Macau, Cidade do Nome de Deus’”.
“Mantenha a sua plena comunhão com a Igreja universal e, como no passado, tenha sempre a peito a comunhão com a Igreja de toda a China, à qual desde agora passa a estar ligada por um especial vínculo civil”, acrescentou João Paulo II.
O funeral de D. Domingos Lam realiza-se na sexta-feira em Macau.

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