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A loucura da Ilha de Man

June 29, 2009

O piloto de Macau está de regresso da Ilha de Man, onde foi apenas director da sua equipa, a Macau Racing Team. Pretende voltar no próximo ano em cima de uma moto. Com essa adrenalina ganhou em Zhuhai e lidera o campeonato chinês de Superbikes.

Vítor Rebelo
rebelo20@macau.ctm.net

“Correr neste circuito é de gente louca”, pensamento de João Fernandes quando viu, pela primeira vez, o famoso circuito da Ilha de Man, em Inglaterra.
Ali se deslocou como responsável da equipa em que é “patrão”, a Macau Racing Team, fundada em Janeiro deste ano de 2009. Por isso, não correu (não conseguiu apoios financeiros para o transporte da moto, cerca de oitenta mil patacas). Mas teve oportunidade de ver como tudo é diferente.
“Um dos objectivos era conhecer o evento e a pista. Havia uma dúvida cá dentro. Será que tenho coração para entrar, como piloto, numa prova como esta? Dei umas voltas ao circuito e sinceramente há três ou quatro zonas que não consegui decorar. Daí as grandes dificuldades para os pilotos, num circuito de 61 quilómetros (total quatro voltas). É de facto muito complicado memorizar a pista”, explica.
João Fernandes reconheceu gostar de desafios e depois de ter sentido todo aquele ambiente e de ter tripulado uma moto, a brincar, ou seja, sem ser em competição, chegou à conclusão de que quer experimentar: “Vou fazer tudo para correr na Ilha de Man no próximo ano. É um traçado difícil, muito parecido à zona de Sintra e Cabo da Roca. É de facto de gente louca correr ali, mas à medida que vamos tendo referências tudo se torna menos complicado, ainda que perigoso, porque é uma pista rápida. Corre-se entre árvores, postes, casas, atingindo-se em certas zonas uma velocidade de 200 a 300 quilómetros por hora. Juntam-se as irregularidades do piso, os desníveis. Não é fácil, de facto, mas quero tentar já em 2010. Vou fazer tudo para que consiga apoios para essas corridas e outras que tenciono efectuar.”

Alemão estreou-se

O piloto que representa a RAEM há já vários anos ficou entretanto satisfeito com a prestação dos pilotos que deram nome à sua Macau Racing Team. O piloto alemão Rico Penzkofer foi trigésimo terceiro na primeira prova e subiu três lugares na segunda. Mas conquistou o troféu de melhor estreante naquelas andanças.
“A organização apoia a deslocação a pilotos “rookies” na Ilha de Man e por isso nós fomos lá este ano. O Penzkofer esteve bastante bem, tal como havia acontecido anteriormente em provas que efectuámos na Irlanda, onde também ganhámos para os estreantes”, disse ao PONTO FINAL João Fernandes, para quem “este tipo de corridas dá realmente gozo fazer”.
O piloto reconhece que continua a haver sérios problemas no que diz respeito a patrocínios, muito por culpa da crise financeira mundial.
“A crise está tão acentuada que, nesta nossa vida de pilotos, podemos passar rapidamente de ter apoios e continuar, como acabar, pura e simplesmente. É isso que eu não sei, para falar em termos de futuro imediato. Penso que a existência da equipa Macau Racing Team se justifica e tem dado nome também a Macau, com várias notícias na imprensa inglesa e irlandesa. Toda a gente queria saber como iria ser o Grande Prémio deste ano. Muito se falava de Macau e isso é muito bom.”

Zhuhai em grande

O português radicado no território há vários anos, a correr em várias edições consecutivas do Grande Prémio, diz que as provas em Zhuhai são outro veículo de promoção de Macau.
João Fernandes disputou, logo a seguir à Ilha de Man, mais duas rondas do Campeonato de Superbikes e de Supersport da China.
A ideia inicial seria fazer boa figura e tentar mesmo chegar ao título na categoria menos potente, Supersport (600), mas João Fernandes tem ido muito mais longe. Comanda as duas classificações. A de Superbikes com dois pontos de vantagem sobre o segundo. A de Supersport com seis de diferença, quando falta mais uma jornada dupla, em Setembro, igualmente na pista aqui ao lado em Zhuhai.
Em Supersport Fernandes já ganhou esta temporada duas corridas, sendo segundo nas outras.
Em Superbikes ainda não venceu nenhuma, mas tem sido mais regular (4-4-2-3) do que os seus adversários. Daí a liderança na tabela geral.

Ambiente familiar

Recorde-se que o piloto do território já se tornou campeão chinês em Superbikes na época de 2005.
“O ambiente em Zhuhai é muito idêntico ao de Macau, do Grande Prémio. Sentimo-nos como em casa e isso ajuda bastante aos resultados. Há um respeito muito grande do público em relação aos pilotos de Macau e um carinho que se sente por parte dos elementos da organização. Igualmente uma entreajuda forte entre os pilotos do território, quer das motos quer dos carros, uma vez que ali se realizam corridas de qualificação para o Grande Prémio de Macau. Vemos gente de Macau por todo o lado, dirigentes do Grande Prémio e muitos amigos.”
Fernandes considera que era bom para todos ganhar este campeonato da China: “Daria uma boa imagem da RAEM, ainda por cima porque estas provas têm transmissão em directo na CCTV e por isso uma maior projecção. Os apoios podem surgir se realmente conseguirmos resultados positivos.”

Malásia, sem apoios
Por falar em apoios financeiros, o piloto da Yamaha tinha agendado a participação no Grande Prémio da Malásia, categoria de Superbikes, integrada no programa do Moto GP, do Mundial de Motociclismo.
“Mas é preciso muito dinheiro e isso já foge do nosso orçamento. Se não aparecer dinheiro, irei então disputar apenas aquelas duas corridas do campeonato da China e apostar mais uma vez no Grande Prémio de Macau, em Novembro”, disse.

Mais luta em Macau

Na edição deste ano prevê-se uma luta mais interessante para lugares de pódio na classe de Supersport, na qual João Fernandes foi terceiro classificado em 2008.
“Vai ser mais difícil do que o ano passado, uma vez que vem a Macau aí uma dezena de pilotos interessados nos primeiros lugares, ao contrário da edição passada, em que se resumia a cinco ou seis. Mas é bom, porque vai haver maior competitividade. Até de Portugal podem vir dois pilotos em Supersport. Um deles, Tiago Magalhães, está garantido. Mas vou tentar de novo ir ao pódio.”
É esta a vida de um piloto que vive das motos e que tem levado o nome de Macau a vários cantos do mundo.

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