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“Voz Plural” acredita ser possível eleger um deputado

June 29, 2009

O líder da lista “Voz Plural”, Casimiro Pinto, acredita ser possível eleger um deputado à Assembleia Legislativa nas eleições de Setembro próximo, apesar de reconhecer que o movimento político que lidera não é consequência, ao contrário de outras candidaturas, de um trabalho de continuidade.

Isabel Castro

“Nós estamos convictos de que com esta lista vamos ter possibilidades de eleger um deputado. Mas o mais importante de tudo é haver gentes de Macau a estarem juntas e a darem vozes para a comunidade, porque todos nós amamos esta terra e queremos ver o melhor para esta terra”, disse ontem Pinto, durante o arraial de São João que decorreu no Bairro de São Lázaro.
Embora Casimiro Pinto diga acreditar no sucesso do seu projecto político, refere também que se tal não acontecer, “há um compromisso da equipa de que vamos trabalhar para o futuro”. “Todas as pessoas querem participar para darem soluções para fazerem chegar as vozes, porque todos nós queremos proteger alguns valores tradicionais, valores que são importantes para Macau”, defendeu. “Vamos apostar também no segundo sistema, porque é importantíssimo para Macau. Nós somos diferentes de outras regiões do interior da China por causa do segundo sistema. É isto que nós queremos fazer.”
À frente de uma lista que reúne pessoas de diferentes comunidades – da portuguesa à macaense, passando pela chinesa e pela filipina – Casimiro Pinto refuta tratar-se de um projecto de resposta “à questão étnica”, que tão criticada foi antes de ser tornada pública a composição da candidatura. “Houve uma vontade de pessoas novas, no sentido de serem caras novas para este projecto. Pensou-se em falar com diferentes pessoas, provenientes de diferentes comunidades, e houve esta vontade de formular esta lista para defender o multiculturalismo e o pluralismo que Macau de facto hoje em dia reflecte.”
O candidato a deputado recusa ainda que a inclusão da comunidade filipina seja uma forma de tentar conseguir mais votos. “É uma tentativa para conseguir um projecto de continuidade. É um projecto concreto e trouxemos para este projecto pessoas concretas. Nós pretendemos trabalhar em conjunto e dar continuidade a este projecto. Penso que todas estas comunidades fazem parte de Macau e todas elas pretendem trabalhar para o melhor de Macau. É por isso que estamos em conjunto, e dar esta voz plural”, afirmou.
Quanto ao programa político, o líder da “Voz Plural” explicou que a equipa está a trabalhar na definição do seu manifesto, sendo que neste momento está a ser feita uma auscultação das “opiniões de várias camadas sociais”. Questionado sobre ideias políticas concretas, Pinto voltou a falar da importância do bilinguismo.
“Achamos que até corresponde às politicas do Governo Central. Macau não pode perder a sua posição como centro de formação de línguas, porque o português será muito importante para ligar aos países de expressão portuguesa”, disse, frisando ainda a importância de haver uma aposta na “formação diversificada”. E o sufrágio directo e universal? “É uma ideia pela qual iremos lutar, porque achamos que é importante ter cada vez mais cidadãos a participar nas decisões políticas”, respondeu Casimiro Pinto.
Questionado sobre a participação de Rodantes Quejano – o candidato que, na quinta-feira da semana passada, esteve dentro e fora da lista três vezes em 24 horas, segundo o próprio contou ao PONTO FINAL – o líder da “Voz Plural” assegurou que “nunca houve dúvidas da participação de Rodantes na nossa lista”, acrescentando que o “mal-entendido” já foi esclarecido pelo próprio candidato junto dos órgãos de comunicação social.
“Estamos a trabalhar em conjunto, o Rodantes faz parte do meu projecto, faz parte da nossa equipa, estamos a trabalhar para conseguir os melhores resultados e encontrar soluções exequíveis para o Governo”, afiançou. Vai a lista trabalhar na solução dos problemas da comunidade filipina, maioritariamente constituída por pessoas sem direito à residência em Macau?
“A pessoa que está na lista é a pessoa apropriada para auscultar a comunidade filipina. Nós vamos ter encontros com as várias associações filipinas e vamos ouvir essas opiniões que serão, com certeza, transmitidas em tempo oportuno. Faz parte do nosso programa.”

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