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Nuno Lima Bastos reitera criticas à “Voz Plural”, mas elogia as “caras novas”

June 27, 2009

É uma perspectiva crítica, mas com ressalvas. Nuno Lima Bastos continua a criticar as motivações por trás da criação da “Voz Plural – Gentes de Macau”, mas reconhece méritos na composição da lista, onde vê “caras novas e de valor”.

Rui Cid

Apanhado de surpresa. Nuno Lima Bastos confessa-se surpreendido com a composição final da lista “Voz Plural – Gentes de Macau”. “Tem o mérito de aparecer com caras novas e de valor. Jorge Godinho, Mário Évora e Pedro Lobo são pessoas com conhecimentos técnicos e bastante experiência em áreas como o direito, a saúde e a educação que podem acrescentar algo de muito positivo a esta lista”.
As palavras elogiosas do jurista e analista político são, contudo, sol de pouca dura. Em declarações ao PONTO FINAL, o jurista e analista político passa rapidamente ao ataque. “Independentemente do mérito das pessoas, não me que parece uma lista criada por vontade das pessoas que a integram, mas sim por pressão de um determinado grupo”. Grupo esse que, considera o ex-presidente do núcleo de Macau do PSD, teve, fundamentalmente, “duas grandes preocupações como mote para fazer nascer a “Voz Plural”.
“Por um lado o temor de que, se não houvesse uma lista, a comunidade poderia perder visibilidade e força política; por outro, a vontade de fazer passar uma imagem junto do poder de que a comunidade não se revê na postura de sindicalista e de crítica ao Governo assumida por Pereira Coutinho.”
E correrá a lista encabeçada pelo líder da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau riscos de ver este novo projecto desviar-lhe eleitorado? Lima Bastos acredita que sim, mas entende que será nos votos da comunidade da comunidade portuguesa que Coutinho sentirá maior mossa, e não tanto da macaense.
“Há muita gente dentro da comunidade portuguesa que, mesmo não se revendo na postura e ideias defendidas por Pereira Coutinho, acaba por votar nele por ser o único português a encabeçar uma lista. Por isso, aparecendo uma alternativa, ainda por cima com gente como Jorge Godinho, Mário Évora e Pedro Lobo, penso que haverá muitas pessoas que poderão votar nesta nova lista. Por outro, como lembrou ontem [quarta-feira] Miguel Senna Fernandes, é preciso não esquecer que há várias nuances dentro da comunidade macaense. Há guerras antigas e, por causa delas, há muita gente dentro da comunidade que não vota em Pereira Coutinho.”

Casimiro e a questão da etnia

Nuno Lima Bastos admite não ser um profundo conhecedor do trabalho realizado por Casimiro Pinto. Não pondo em causa o mérito de “um homem com 15 anos de experiência no funcionalismo da Administração Pública”, o analista político é particularmente duro na hora de apontar o dedo à decisão de colocar o intérprete-tradutor à frente do projecto “Voz Plural – Gentes de Macau”.
“A escolha do Casimiro Pinto como número um acaba por revelar um dos grandes defeitos por trás da criação desta lista”, frisa Lima Bastos.” Quis-se avançar com uma lista que, em primeira instância, era de origem puramente macaense. Não ponho em causa o trabalho de Casimiro, penso que ele foi escolhido como número um apenas por ser macaense. Dentro da própria lista vejo gente com mais capacidade como Jorge Godinho ou o próprio Mário Évora.”
De crítica em crítica, o jurista entende que, uma vez que “parece ser um dado adquirido que ninguém conseguirá ser eleito”, o aparecimento deste projecto só faz sentido se ele não se esgotar depois das eleições. No entanto, “com base no que foi a actuação das pessoas em movimentos deste género no passado, como a ‘Por Macau’ em 2005″, o analista político não acredita que isso venha acontecer.
Apesar do cepticismo de Nuno Lima Bastos, a “Voz Plural – Gentes de Macau” é já uma realidade incontornável. Por isso, o ex-presidente do núcleo de Macau do PSD espera agora que a lista possa trazer para a campanha eleitoral “temas interessantes que fujam àqueles que têm sido habituais, como a promoção da cultura, a continuidade da comunidade, a defesa da língua e do património”.
“Como já afirmei por mais de uma vez, acho impensável que uma lista de origem portuguesa não toque em temas como a democratização do sistema. Por outro lado penso que a postura não deve ser só dizer o que se defende. É preciso apontar o que está mal e defender sugestões para o melhorar. Se esta lista conseguir fazer isso penso que todos temos a ganhar – a comunidade, mas também o próprio acto eleitoral”, remata.

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4 Comments leave one →
  1. June 28, 2009 5:32 am

    Há uma gralha neste texto:

    Onde se lê “Nuno Lima Bastos admite ser um profundo conhecedor do trabalho realizado por Casimiro Pinto”, deve ler-se “Nuno Lima Bastos admite NÃO ser um profundo conhecedor do trabalho realizado por Casimiro Pinto”, conforme consta da vossa edição de sexta-feira passada.

    Muito agradecia que procedessem a essa correcção. Obrigado!

  2. pontofinalmacau permalink*
    June 28, 2009 2:08 pm

    Nuno,

    Gralha corrigida. Obrigada pela correcção.

  3. June 29, 2009 2:37 pm

    Meus caros,
    Obrigado; só que agora ficaram dois “ser” seguidos. Não havia necessidade :-)
    Um abraço.

  4. pontofinalmacau permalink*
    June 29, 2009 3:12 pm

    Não estava fácil… Agora sim! Obrigada!

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