Laboratório da MUST gera topografia da Lua
Pode não fazer disparar o PIB, mas é um trabalho essencial. O coordenador do laboratório da Universidade de Ciência e Tecnologia para a análise de dados lunares revela quais os projectos que estão actualmente a ser desenvolvidos nesta unidade científica recente. Um dos objectivos é fazer divulgação da ciência astronómica na RAEM.
Inaugurado a 12 de Dezembro do ano passado, o Laboratório Colaborativo de Investigação sobre a Exploração Planetária e Lunar da Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST, na sigla inglesa) conseguiu já conceber a primeira imagem topográfica da Lua criada a partir de funções de algoritmos em Macau.
São os primeiros resultados de uma unidade de estudos em Tecnologias de Informação aliadas à Astronomia, para o processamento de dados recolhidos pela primeira missão espacial lunar chinesa, a “Chang’e 1”.
Um projecto impulsionado pelo reitor da MUST e astrónomo Xu Ao Ao, e coordenado pelo antigo vice-reitor, Tang Ze Sheng, hoje conselheiro académico da instituição.
“É um projecto que talvez não aumente o Produto Interno Bruto de Macau, mas que contribuirá para ciência e conhecimento do público”, considera o professor associado à Faculdade de Tecnologias de Informação.
O projecto não é muito ambicioso nos propósitos científicos, admite, mas contribuirá sobretudo para elevar o nível da investigação nesta área em Macau e, também, promover a divulgação científica na comunidade local.
Desde há seis meses que uma equipa de quinze professores e alunos de pós-graduação se dedica a uma digestão que para a maioria das pessoas será difícil: processar quantidades enormes de informação, analisá-las e transformá-las em gráficos tridimensionais animados através de instruções informáticas.
É a primeira fase de um projecto que tem por base um protocolo com o Observatório Nacional da China, em Pequim, que cedeu os dados recolhidos pela missão Chang’e 1. O satélite chinês foi lançado no espaço em Outubro de 2007, enviando à Terra, um mês depois, a cartografia completa da superfície lunar.
Os dados são enviados à MUST, na forma de informação pré-processada. “É importante que nos enviem estes dados já pré-processados. Se viessem em bruto, não nos interessavam e também não saberíamos como os processar, já que não temos as coordenadas originais da missão”, explica Tang Ze Sheng.
Divulgação científica
Com o material praticamente em bruto, o laboratório de Macau desenvolve actualmente três projectos. “Um deles é o processamento, análise e investigação dos dados da exploração lunar. O outro está bastante ligado ao primeiro, mas consiste em investigar o tópico de como encontrar água na Lua. A água é essencial. Estamos também a investigar formas de processar enormes conjuntos de dados. Os três projectos estão estreitamente ligados”, revela o académico.
O trabalho que este pequeno embrião de investigação – que alia as ciências espacial e da informação – realiza está já a dar os primeiros frutos. Actualmente, está quase concluído o processo de gerar a carta topológica da Lua. Os cientistas da MUST criaram a imagem completa da superfície lunar e seu relevo, a partir de um modelo digital altimétrico.
“Em segundo lugar, vamos fazer uma distribuição geográfica da Lua por elementos químicos, como o urânio, potássio e tório”, revela o coordenador do laboratório.
Um terceiro resultado será pesquisar o ambiente nas vizinhanças da Lua. “O Sol emite cargas de partículas altamente energéticas que atingem a superfície dos planetas, inclusivamente da Terra. Estão também ao redor da Lua e queremos estudá-las para perceber até que ponto são nocivas para a saúde humana”, explica o professor Tang.
As conclusões destas investigações serão publicadas em artigos científicos e serão também usadas em actividades de divulgação no Museu de Ciência de Macau.
“Alguns dos resultados da missão serão tornados públicos em Macau. Os resultados de um projecto como este serão interessantes para a comunidade e melhorarão o nível académico da sociedade de Macau. Naturalmente, melhorará também o currículo académico desta universidade.”
No final de Outubro, o Laboratório passará a disponibilizar on-line os conteúdos da investigação desenvolvida em Macau.
No mesmo mês, a MUST irá também receber um seminário académico internacional dedicado à Lua.
Entre os dias 21 e 24 de Outubro, a RAEM receberá académicos interessados no estudo do ambiente de plasma, nuvens de electrões livres, em torno do satélite natural da Terra.
