ATFPM não vai aderir à manif do 1º de Maio
A decisão ainda não estava formalizada ontem à noite. Mas tudo indica que a ATFPM vai hoje decidir que fica em casa durante a manifestação do Dia do Trabalhador. Pereira Coutinho quer a associação mobilizada para o debate em torno da revisão das carreiras da função pública. E isso é batalha que só vai ser travada mais adiante.
Ricardo Pinto*
A direcção da ATFPM, “ouvidas as bases”, decide hoje se participa na manifestação do Dia do Trabalhador, já convocada por outras três organizações laborais. Mas, ao que o PONTO FINAL apurou, é já dado assente que a associação, enquanto tal, vai estar ausente da marcha de protesto. “Ainda não temos uma resposta do governo à questão da revisão das carreiras da função pública e, por isso, vamos esperar por ela e só depois decidiremos o que fazer”, disse-nos o presidente da ATFPM, José Perereira Coutinho. “Se a proposta não nos satisfizer, como receio venha a acontecer, iremos para a rua sozinhos, como fizemos no dia 29 de Setembro de 2008, quando quase 2 mil funcionários públicos se manifestaram contra os abusos de poder e os despedimentos sem justa causa na função pública”.
A ideia, diz Pereira Coutinho, é “manter o foco” nas questões da função pública. A ausência da ATFPM na manifestação de sábado explica-se assim por duas ordens de razões: a falta de uma proposta final do governo sobre a revisão das carreiras, sem a qual a associação não pode tomar posição, e a vontade de “não deixar diluir os problemas dos funcionários no mar de problemas da sociedade de Macau”.
Pereira Coutinho diz que está de acordo com as razões que levaram outras organizações laborais a convocar a marcha de protesto para sábado. “Estou contra a corrupção e contra a promiscuidade entre o governo e alguns empresários”, lembrou. “Por isso, vou participar na manifestação a título pessoal”. Quanto à ATFPM, enquanto organização representativa dos trabalhadores da Administração, vai guardar energias para futuras batalhas, sem ter para isso que desviar-se da sua postura habitual: “Para a ATFPM, todos os dias são dias Primeiros de Maio”, concluiu o presidente da associação.
Manifestação é contra mão-de-obra estrangeira e trabalho ilegal
As três associações de trabalhadores que organizam a manifestação do dia 1º de Maio anunciaram tratar-se de um protesto contra a importação de mão-de-obra estrangeira e pelo reforço do combate ao trabalho ilegal.
A União dos Trabalhadores de Macau, Associação para a Promoção de Vida e Bem-estar dos Trabalhadores e Associação dos Trabalhadores da Construção e do Sector do Jogo são os organismos que se juntaram para a tradicional manifestação do 1º de Maio.
Além dos slogans contra a importação de mão-de-obra do exterior em defesa dos postos de trabalho locais e do apelo ao reforço do combate ao trabalho ilegal, a manifestação deste ano terá outras palavras de ordem como “Contra Macau governada por homens de negócios”.
Em ano de eleições, quer para a chefia do Executivo, quer para a Assembleia Legislativa – órgão que possui entre os seus membros vários empresários – os dirigentes Ho Heng Kuok, Wong Pui Lam e Ng Sek Io defenderam em conferência de imprensa a necessidade de combater a supremacia dos empresários na política, ao mesmo tempo que sustentaram a necessidade de legislação que proteja devidamente os interesses dos trabalhadores. A Associação do Novo Macau Democrático, dos deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San, anunciou já que vai juntar-se ao protesto.
Como habitualmente, a manifestação tem início na zona norte da cidade e percorre algumas das principais artérias até chegar ao Palácio da Praia Grande, a sede do Governo local, onde serão entregues cartas com as reivindicações dos manifestantes.
Em vésperas de começar um novo plano de apoio financeiro do Governo, com a distribuição de cheques no valor de 6.000 patacas aos residentes permanentes e de 3.600 patacas aos não permanentes, nenhum dos organizadores faz previsões sobre o número de participantes no protesto.
* com Agência Lusa
