Macau voltou a perder na Taça Challenge da Confederação Asiática
Cambodja ganhou à tangente
A selecção de futebol de Macau disse adeus à segunda fase da prova. Perdeu com o Cambodja por 2-1. O muito calor voltou a ser prejudicial. Amanhã, na última partida, a RAEM vai defrontar o Bangladesh, país organizador. Myanmar está praticamente apurado.
Vítor Rebelo
Já se sabia que Macau tinha mais hipóteses de discutir o resultado diante do Cambodja, na segunda jornada da fase de apuramento da Taça Challenge da Confederação Asiática de Futebol. E isso confirmou-se.
O “onze” de Leung Sui Wing, um treinador de Hong Kong que está a trabalhar as selecções do território há pouco mais de um ano, equilibrou o jogo, mas acabou por cometer alguns erros que lhe foram fatais, em especial nos primeiros quarenta e cinco minutos.
O jogo de ontem, mais uma vez disputado no relvado do Estádio de Bangabandhu, em Dhaka, capital do Bangladesh, colocou frente-a-frente duas formações que já se conheciam, uma vez que se defrontaram há precisamente um ano, no Estádio Olímpico de Phnom Penh, para a mesma competição.
Nessa altura, Macau já deu boa réplica, mas perderia por 3-1, depois de já ter sido batido na ronda anterior pelo Nepal, por apenas 3-2.
Desta feita, o resultado foi mais tangencial, mas a selecção de Macau esteve a perder por 2-0, com 1-0 no final do primeiro tempo, golo apontado aos 12 minutos, por Teab Vathanak.
Sofrer cedo
Tal como já havia acontecido face ao adversário anterior, Myanmar, com quem a RAEM tinha perdido claramente por 4-0, a desconcentração inicial acabou por ser fatal.
A equipa do Cambodja, que está colocada no lugar 175 do ranking mundial (Macau é o 195), treinada por Prak Sovannara, explorou ao máximo o sistema táctico da Raem e colocou cinco jogadores mais adiantados, tentando contrariar o excesso de defesas do adversário.
Leung Sui Wing sabe das debilidades actuais da equipa (em virtude principalmente das várias ausências na convocatória para esta prova) e por isso reforçou ainda mais o sector recuado para este embate face ao Cambodja, quando se esperaria que fosse o contrário.
Reforço defensivo
Assim, foram seis os defesas de raiz utilizados. Geofredo Sousa voltou a ser o líbero, actuando à frente do guarda-redes Leong Chon Kit, só que desta feita tinha cinco companheiros na linha defensiva, contra os quatro do jogo com Myanmar: Ku Weng Nin (Pau Peng), Kwok Siu Tin (Hoi Fan), Lei Kam Hong (Sub 23), Choi Keng Sang (Sub 23) e Lau Pak Meng (Sub 23).
Somente dois médios, o veterano Che Chi Man (Lam Pak), Chan Man Hei (Pau Peng) e Lei Ka Kei (Sub 23). Na frente, como já é habitual, Chan Kin Seng (Ka I).
Macau esteve por isso sempre muito mais preocupado em não sofrer golos do que atacar para os marcar. A aposta no contra-ataque voltou a ser a “arma” de Leung Sui Wing, mass ó começou a funcionar nos segundos quarenta e cinco minutos.
Arriscar pouco
O treinador de Macau fez uma substituição até ao intervalo e sem nada arriscar, numa altura em que já estava a perder. Um médio por outro médio (saiu Lei Ka Kei e entrou Loi Wai Hong (Sub 23), isto aos 34 minutos.
Logo no primeiro minuto da segunda parte, a segunda alteração. Saiu um defesa (Ku Weng Nin, o menos experiente nestas andanças internacionais), entrando mais um médio, Sio Ka Un (Sub 23).
Mas nessa altura do período complementar o Cambodja estava a gerir a preciosa vantagem, dando algum espaço ao adversário, agora com o meio campo de Macau mais consistente e a apoiar o único avançado, Chan Kin Seng.
A selecção macaense procurava o empate, mas acabou por sofrer o 2-0, que praticamente atirou por terra as hipóteses de discutir o resultado.
Faltou um defesa na rectaguarda e o Cambodja aproveitou para marcar, aos 66 minutos, por Keo Sokngorn.
Golo deu alento
Perdido por dois, perdido por dez, o técnico da selecção do território mandou descer um pouco mais a linha média, sem fazer uso do único avançado que estava no banco, Chong Chi Chio (Sub 23).
Mesmo assim Macau fez o golo, através do veterano Che Chi Man, aos 75, com um quarto-de-hora ainda por disputar.
O Cambodja sentiu o tento sofrido e recuou, segurando os três pontos que ainda lhe abrem algumas perspectivas de qualificação, uma vez que for a derrotado pela margem mínima na jornada inaugural face ao Bangladesh (1-0).
Atendendo a que várias pedras fundamentais na manobra da selecção estão ausentes nesta fase de apuramento, o resultado pode considerar-se satisfatório e notaram-se algumas melhorias relativamente ao encontro (apático) diante de Myanmar.
Alta temperatura
Mas há outro factor que tem prejudicado a actuação dos jovens jogadores da RAEM, o calor.
Contra Myanmar estavam 38 graus centígrados. Ontem, os termómetros acusavam 39, uma vez que o jogo voltou a ser realizado às 15, 30 locais.
Não se entende qual a razão dos desafios serem efectuados tão cedo, numa altura em que a temperatura é alta.
E aí Macau não tem sido beneficiado, com os jogadores a terminarem exaustos e constantemente a pediram água para o banco dos suplentes.
Em relação ao jogo do ano passado, Macau melhorou o resultado com o Cambodja (de 3-1 para 2-1), mas foi pena não ter conseguido chegar ao empate, que até merecia por aquilo que fez nos últimos vinte minutos do desafio de ontem.
De referir que já em período de compensações, Leung Sui Wing tirou o guarda-redes principal Leong Chon Kit, lesionado, fazendo entrar Tam Weng Wa (Ka I).
Decepção da casa
Macau vai fechar amanhã o Grupo A de qualificação desta Taça Challenge Asiática, defrontando a formação da casa, Bangladesh, que no seu primeiro jogo contou com uma assistência de mais de oito mil pessoas.
Público em Dhaka que sofreu uma enorme desilusão ontem à noite, com a derrota perante Myanmar (2-1), o que retira praticamente as hipóteses de chegar ao primeiro lugar do grupo. A não ser que na derradeira ronda ganhe a Macau e o Cambodja supere Myanmar, o que não se prevê.
O Bangladesh, que é treinado por um brasileiro, Dido (prometeu dar espectáculo neste torneio de apuramento), estava a ganhar ao intervalo, dpois de um golo apontado cedo (12 minutos), mas sofreria dois no segundo.
Pae Soi, um médio, saiu do banco de Myanmar aos 63 minutos e foi o autor dos dois golos da equipa (68 e 77). Um balde de água fria para a formação local, que caiu em cima do adversário nos últimos minutos, sem conseguir concretizar as oportunidades criadas.
Goleada esperada
Neste cenário, afigura-se ainda mais complicado o desafio para Macau, já que o Bangladesh terá de vencer por uma diferença de cinco golos, para terminar a fase de apuramento como o melhor segundo clasificado dos quatro grupos.
Nesta altura todas as outras séries já estão concluidas e a selecção das Maldivas são para já a contemplada, tendo somado seis pontos, ao contrário dos restantes segundos classificados, Paquistão (5) e Nepal (2).
As Maldivas têm um total de nove golos marcados e cinco sofridos. Nesta altura o Bangladesh totaliza 2-0 e para ficar acima do adversário terá de ganhar por 5-0 a Macau ou conseguir outro resultado volumoso, desde que seja por uma diferença de cinco.
Não vai ser fácil a Geofredo Sousa e companhia evitarem a goleada que o Bangladesh pretende, ainda por cima num ambiente adverso e com numeroso público.
Desta feita a partida da selecção da RAEM realize-se mais tarde do que as anteriores (18 horas locais, 20 em Macau), numa partida antecedida pelo embate entre Cambodja e Myanmar.
Myanmar, que esteve presente na fase final da Challenge Cup de 2008 e foi até às meias-finais, é sem dúvida a equipa mais forte do grupo e não deverá ter problemas para somar mais uma vitória. Mas até o empate servirá.
