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Macau tem mais a perder com uma pandemia

April 29, 2009

290409Macau é dos territórios que mais sofrerá os efeitos de uma pandemia de gripe, se esta se confirmar. A sua extrema dependência do turismo e grande densidade populacional são os principais factores de risco.

Já há previsões para o comportamento da economia mundial, no caso do surto de gripe mexicana se transformar numa epidemia com efeitos à escala global. Se a pandemia for do mesmo nível da gripe espanhola de 1918, custará à economia mundial 3.1 triliões de dólares e fará baixar o produto interno bruto mundial em 4.8 por cento, só no primeiro ano de contaminação, garante uma estimativa divulgada pelo Banco Mundial. Se a pandemia for mais parecida com a gripe asiática de 1957, menos severa que a anterior, o PIB global sofrerá uma redução de 2 por cento. E a diminuição será de 1 por cento, se a situação actual acabar por se assemelhar mais à gripe de Hong Kong de 1968.
De acordo com o relatório, as indústrias que mais sofrerão com uma pandemia são as ligadas às viagens, como hotelaria e aviação, restauração, transporte de massas e comércio a retalho de bens não essenciais. Na previsão mais pessimista, companhias aéreas, hotéis, agências de turismo e restaurantes podem esperar uma quebra de facturação da ordem dos 20 por cento, prevê o mesmo documento do Banco Mundial.
Para Steven Vickers, director executivo da empresa International Risk, baseada em Hong Kong, economias muito dependentes do turismo, como é o caso de Macau, serão especialmente atingidas pelos efeitos de uma eventual pandemia. “Fizemos uma avaliação de riscos para o território de Macau e chegámos à conclusão de que o principal risco para a sua economia não é o crime organizado ou algo de semelhante, mas uma pandemia de gripe das aves ou da mesma natureza”, disse Vickers, citado pelo canal de televisão americano CNN.
O impacto económico de uma pandemia pode ser dividido em três fases: as perdas económicas resultantes das mortes; o absentismo ao trabalho; e comportamentos de desistência, como redução das viagens, das visitas aos centros comerciais ou da participação em eventos públicos. Esta última fase pode ser a mais prejudicial para as economias locais, representando dois terços do total de perdas, diz o relatório.
A doença vem na pior altura, já que a economia mundial sofreu nos últimos meses um importante revês, em resultado da crise financeira que começou por afectar os Estados Unidos e rapidamente se estendeu a todo o mundo. Só aí, segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia mundial terá perdido outros 3 trilios de dólares.
Esta coincidência de eventos copia de alguma forma o que se passou no início da década. O surto de pneumonia atípica em Hong Kong, que originou prejuízos para a indústria do turismo um pouco em todo o mundo, ocorreu pouco tempo depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001, em Washington e Nova Iorque, e também da própria crise financeira asiática de 1997, provocada pelo rebentamento da ‘bolha’ dos chamados negócios dot-com, ligados à Internet.
Investigadores da Universidade de Hong Kong colocam hoje em 40 mil milhões de dólares americanos (cerca de 320 mil milhões de patacas) a fasquia dos prejuízos causados pela pneumonia atípica em Hong Kong.

Donald Tsang alerta para riscos associados à densidade populacional

O chefe do Executivo de Hong Kong, Donald Tsang, afirmou entretanto que o território vizinho está numa situação de alto risco em caso de pandemia, por ter 7 milhões de habitantes numa área relativamente diminuta.
O alerta foi lançado pelo governante da RAEHK na sequência de uma teleconferência entre os serviços de Saúde de Hong Kong, Macau e Guangdong, para discutir medidas conjuntas a tomar no combate à gripe suína.
Em territórios com grande densidade populacional, como é o caso de Hong Kong mas também de Macau, é maior o risco de uma rápida propagação de doenças entre seres humanos. Em 2003, aquando do surto de pneumonia atípica, morreram quase 300 pessoas em Hong Kong e em alguns pontos da província de Guangdong.
Na teleconferência ontem realizada, as três partes estudaram o aperfeiçoamento dos mecanismos de contacto em caso de detecção do virus na região do sul da China, e debateram questões relacionadas com a adopção a nível local de algumas recomendações da Organização Mundial de Saúde.
Ontem também, o Instituto de Acção Social de Macau apelou a todos os responsáveis por equipamentos sociais (creches, lares para idosos, centros de recuperação de deficientes, entre outros), para que ponham em prática os sistemas de alerta contra a gripe, passando nomeadamente a monitorizar constantemente a temperatura de utentes, funcionários e visitantes.

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