Reservas de medicamentos “mais do que suficientes”
Stock de antivirais do território chega para 150 mil para adultos e 40 mil crianças
Os Serviços de Saúde garantem que Macau tem reservas “mais do suficientes” de medicamentos para fazer face a uma eventual pandemia da gripe suína. As autoridades sanitárias da RAEM continuam em permanente contacto com a OMS, e reforçaram os níveis de alerta no território.
Rui Cid*
As autoridades sanitárias de Macau estão a acompanhar atentamente o evoluir da situação do H1N1 e, perante as recomendações da Organização Mundial de Saúde, decidiram reforçar o nível de alerta no território, que se econtra agora no grau três.
Contudo, a possibilidade de a OMS poder já hoje elevar o nível de alerta mundial para o grau 4 – o nível de alerta pandémico obedece a uma escala que vai de 1 (baixo risco de casos humanos) a 6 (transmissão sustentável e eficiente entre humanos)- levou a que em Macau fossem accionadas, desde já, medidas de nível 4, revelaram ontem os Serviços de Saúde.
Numa conferência de imprensa que se seguiu a uma reunião da equipa coordenadora da pandemia de gripe – composta por diversas entidades, como os Serviços de turismo, Serviços de Saúde, Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e Forças de Segurança -, presidida pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Fernando Chui Sai On, ficou decidido que os serviços fronteiriços vão reforçar os mecanismos de medição da temperatura corporal a todas as pessoas que entrem no território. Esta medida dever-se-á e estender igualmente às escolas. O director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, explicou que o objectivo é detectar precocemente qualquer sintoma da doença, de modo a reduzir ao máximo as probabilidades de o vírus se poder espalhar pelo território.
O director dos Serviços de Saúde frisou ser “impossível garantir” que a RAEM não irá ser afectada pela gripe suína, assegurando, no entanto, que o território tem reservas de medicamentos “mais do que suficientes” para fazer face a uma possível pandemia.
Lei Chin Ion ressalvou que a Organização Mundial de Saúde recomenda a existência de medicamentos para 25 por cento da população, percentagem mais que garantida no território já que existem medicamentos para 150 mil adultos e 40 mil crianças, numa população global de cerca de 530 mil pessoas.
Por outro lado, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura garantiu que, em caso de necessidade, o Executivo pode reforçar os meios de assistência e combate a doenças em qualquer altura.
Além das medidas de controlo dentro de portas, Macau irá também reforçar os mecanismos de comunicação com as regiões vizinhas, visando uma constante troca de informações relacionadas com o a gripe suína. Nesse sentido, está agendada para hoje uma videoconferência com as autoridades sanitárias de Hong Kong e da República Popular da China.
Capacidade para fazer rastreio
Em declarações aos jornalistas, Lei Chin Ion adiantou ainda que o território tem meios técnicos para determinar se uma pessoa é portadora do vírus H1N1. Questionado pela comunicação social, o director dos Serviços de Saúde explicou que sempre que se depararem com casos suspeitos, as autoridades irão realizar uma primeira análise rápida, para determinar se o vírus é de tipo “A” – o mesmo do da gripe suína-. Caso seja confirmado tratar-se de um vírus deste tipo, o Laboratório de Saúde Pública do território procederá à cultura do vírus para determinar a sua origem efectiva, num processo que demora entre três a cinco dias e com o paciente em isolamento.
Recorde-se que desde de 2003, na sequência da crise da pneumonia atípica, o território está dotado uma unidade especial de isolamento, no Hospital Conde São Januário. A esta unidade, junta-se uma outra, em Coloane, com capacidade para 60 camas.
Carne de porco sem restrições
Apesar do estado de alerta, e de Pequim ter ontem suspendido as importações de carne de porco e de produtos derivados, provenientes do México e de três Estados norte-americano, Macau não decretou a proibição da importação de alimentos das zonas afectadas. O facto de ainda não ter sido confirmado que a ingestão de carne de porco e derivados está relacionada com a doença em humanos, pesou nesta decisão, explicou o presidente do Instituto dos Assuntos Cívicos e Municipais.
Tam Vai Man garantiu porém, o reforço de inspecção e de medidas de controlo na importação, no matadouro do território, bem como nos locais de venda ao público. A comunicação com as autoridades do continente, de onde é proveniente a grande maioria dos porcos vivos que chegam à RAEM, será também alvo de reforço nesta
matéria.
De salientar ainda que até à hora de almoço de ontem, os Serviços de Turismo tinham identificado 354 residentes de Macau em sete países com casos identificados ou suspeitos, não havendo registo que algum residente do território se encontre no México, local onde se desencadeou o surto.
À população, a equipa coordenadora aconselha ao reforço das medidas de higiene diária e o cumprimento das recomendações que são hoje difundidas nos meios de comunicação social.
*Com Lusa
